Prefeitura de Ananindeua deu golpe em idoso para desviar R$ 21,7 mi, diz MP

Prefeitura de Ananindeua deu golpe em idoso para desviar R$ 21,7 mi, diz MP

Mesmo em um país de tantos golpes contra idosos, um caso conseguiu surpreender o Ministério Público no município de Ananindeua, a segunda maior cidade do Pará. Altos funcionários da Prefeitura deram um golpe em Benedito Farias da Silva, de 77 anos, dentro da Secretaria Municipal de Habitação, num esquema que desviou R$ 21, 7 milhões dos cofres públicos. A denúncia foi apresentada à Justiça pelo Ministério Público do Pará na sexta-feira passada.

Apontado como chefe do esquema, o então secretário de Habitação e atual vereador, Alexandre Gomes (Podemos), já aparecia em outra investigação do Ministério Público. Ele ajudou a pagar uma mansão de R$ 4, 1 milhões do então prefeito, Dr. Daniel Santos (Podemos), acusado de lavagem de dinheiro e corrupção, revelado pela coluna . Dr. Daniel é candidato a governador do Pará e, de acordo com pesquisas, disputará o segundo turno contra a atual governadora, Hana Ghassan (MDB).

Em depoimento ao MP, no último dia 10, o idoso Benedito Silva, conhecido por Bené, disse que foi chamado à Secretaria de Habitação pela diretora do órgão para tratar de supostas dívidas de IPTU, que superariam R$ 500 mil. “É pessoa idosa. Tal circunstância evidencia a situação de vulnerabilidade em que se encontrava o declarante, especialmente diante da alegação de expressiva dívida tributária incidente sobre terras que já haviam sido invadidas”, diz o MP.

Bené foi obrigado a assinar vários documentos sem saber do que se tratava. Em seguida, Alexandre Gomes, então secretário da Habitação, desapropriou a área de um antigo campo de futebol comunitário, num bairro de Ananindeua.

O terreno apareceu em nome de Bené em documentos da Secretaria de Habitação. Pouco depois, o empresário Juvenal Teixeira, concunhado e homem da confiança do secretário, surgiu como procurador do idoso para receber o dinheiro peladesapropriação do terreno.

Teixeira embolsou R$ 2, 3 milhões do município, entre fevereiro e março de 2023. No depoimento ao MP, Bené disse “que jamais autorizou Juvenal Teixeira a representá-lo, tampouco recebeu qualquer parcela do expressivo valor indenizatório”.

Após o golpe contra o idoso, segundo o MP, o secretário Gomes expandiu o esquema para a Secretaria de Educação e o Instituto de Previdência Municipal com outras fraudes na desapropriação e compra de imóveis, o que totalizou um prejuízo de R$ 21, 7 milhões aos cofres públicos.

O Ministério Público denunciou Gomes por associação criminosa, fraude em licitação e peculato (desvio de dinheiro por servidor público). Outras dez pessoas são acusadas na denúncia, incluindo o concunhado do ex-secretário. A principal testemunha do processo passou a ser Bené, chamado em diferentes trechos da denúncia de “idoso vulnerável”.

Após as fraudes, Gomes deixou a Prefeitura para assumir o cargo de vereador. Atualmente, ele é candidato a deputado estadual com apoio de Dr. Daniel Santos, prefeito na época das fraudes.

Segundo outra investigação do MP, uma empresa do ex-secretário – AC Santos Gomes & Cia Ltda – pagou cerca de R$ 1 milhão da mansão adquirida por Dr. Daniel em 2025. A casa de praia mobiliada, que fica no litoral da região de Fortaleza, custou R$ 4, 1 milhões no total.

Conforme documentos da construtora que vendeu a casa, cinco empresas e quatro pessoas físicas fizeram depósitos para quitar o imóvel, que depois foi registrado em nome da deputada federal Alessandra Haber (Podemos), mulher de Dr. Daniel. O MP suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção.

A coluna procurou Alexandre Gomes, Juvenal Teixeira e Dr. Daniel por email e WhatsApp e não obteve retorno até a publicação da reportagem, mas continua aberta a qualquer pronunciamento sobre a denúncia.

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