Morreu, aos 71 anos, Álvaro Henrique Braga. Ele era irmão da jovem Ana Lídia Braga, violentada e assassinda no dia 12 de setembro de 1973, nas imadiações da Universidade de Brasília (UnB). O caso chocou o país e até hoje é considerado um dos mais emblemáticos da história de Brasília.
Álvaro morava no no Rio de Janeiro, onde atuava como médico desde 1983. O óbito dele foi confirmado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ).
Segundo o perfil, o irmão de Ana Lídia se formou no Centro Universitário de Volta Redonda e atuava como angiologista e cirurgião vascular. Entenda
Ana Lídia desapareceu na tarde de 11 de setembro de 1973, após os pais a deixarem na porta de uma escola particular da Asa Norte, para aulas de reforço. No dia em que sumiu, uma testemunha disse que um homem alto e loiro, que vestia blusa branca e calça verde militar, abordou a garotinha e os dois deixaram a escola juntos.
Álvaro Henrique Braga tinha 18 anos quando sua irmã foi raptada e, posteriormente, encontrada morta. Na época,a polícia apontou ele como o principal suspeito de ter buscado a menina na escola . Pesavam sobre ele acusações de envolvimento com drogas e a suspeita de que teria dívidas com traficantes. Leia também Cinema Caso Ana Lídia vai virar filme de suspense gravado em Brasília
Em depoimento, ele confessou ter consumido maconha apenas três vezes e revelou que pediu dinheiro emprestado ao pai e a amigos para pagar o aborto da namorada, que estava grávida de um mês.
Os pais de Ana Lídia sempre sustentaram que Álvaro Henrique estava com eles no momento em que deixaram a menina no colégio. Pontuaram, ainda, que ele iria à Rodoviária do Plano Piloto para tirar a primeira habilitação. A famíliasempre foi incisiva ao negar o envolvimento do irmão da garotinha no crime bárbaro.
Para a polícia, Álvaro, então principal suspeito, não teria agido sozinho. Ele tinha um suposto parceiro: Raimundo Lacerda Duque, então com 30 anos. O homem trabalhava no mesmo local que a mãe de Ana Lídia.
Viciado em drogas, Duque confessou à polícia ser pedófilo. Em seu depoimento, garantiu que apenas soube do desaparecimento de Ana Lídia pelo rádio. Depois de saber que era procurado pelo assassinato da menina,Duque passou cinco meses foragido. 6 imagens Fechar modal. 1 de 6
O Parque Ana Lídia fica no Estacionamento 12 e recebe crianças diariamente Hugo Barreto/Metrópoles 2 de 6
Túmulo de Ana Lídia Braga no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul Hugo Barreto/Metrópoles 3 de 6
Bonecas também são deixadas no jazigo Hugo Barreto/Metrópoles 4 de 6
O túmulo de Ana Lídia é um dos mais visitados no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul Hugo Barreto/Metrópoles 5 de 6
Criança foi morta em 1973 Gustavo Moreno/ Especial para o Metrópoles 6 de 6
Gustavo Moreno/ Especial para o Metrópoles
Absolvido por falta de provas
Em 1974,a Polícia Federal (PF) proibiu a divulgação do caso na imprensa . Os dois principais acusados ficaram presos por mais de um ano à espera do julgamento.Em 16 de junho de 1975, Álvaro e Duque acabaram absolvidos por falta de provas . Em 1985, o processo do caso Ana Lídia chegou a ser reaberto após surgirem novas informações sobre o assassinato, mas, por falta de provas, foi encerrado. O crime prescreveu em 11 de setembro de 1993. Duque morreu em 2005, em decorrência de problemas com alcoolismo. A mãe de Ana Lídia, que sempre afirmou não acreditar no envolvimento do filho, morreu em março de 2005. O pai, Álvaro Braga, se mudou com a família para o Rio de Janeiro após o filho ser absolvido do crime. Ele morreu na capital carioca, em 2011, sem nunca ter dado entrevista sobre o caso.

