Ainteligência artificial (IA) avançou além das pesquisas escolares e, agora, ocupa um lugar íntimo na rotina de crianças e jovens. Chatbots tornaram-se confidentes para desabafos sobre inseguranças, dilemas de amizade e dúvidas corporais — muitas vezes sem o conhecimento dos pais. Esse cenário acende um alerta nas famílias: qual é o limite da confiança depositada na tecnologia para resolver conflitoso? Leia também Rodrigo França Seu emprego está preparado para a inteligência artificial? Ciência Estudo: inteligência artificial tem potencial para prever inundações Saúde Inteligência artificial pode montar dieta? Nutris alertam para riscos
AoMetrópoles , João Paulo Batistella, especialista em inteligência artificial, explica quea principal questão está na facilidade oferecida pela tecnologia. “ A inteligência artificial não entrega apenas uma informação. Ela retoma o que foi dito e cria uma sensação de diálogo. Para os mais jovens, essa experiência pode se aproximar muito mais de uma conversa do que de uma pesquisa”, afirma. Adolescentes que criam laços com IAs tendem ao isolamento, à dependência emocional e à perda de vínculos reais, alertam especialistas Os riscos Segundo levantamento da Common Sense Media, realizado nos Estados Unidos com cerca de mil adolescentes, 72% dos participantes já haviam utilizado companheiros de IA e 52% mantinham o contato regularmente. Além disso, um em cada três revelou ter escolhido a plataforma no lugar de uma pessoa para conversar. Para o especialista, o principal risco está em acreditar e se apegar em respostas que parecem seguras e acolhedoras, quando, na verdade, muitas são equivocadas. “ A ferramenta não conhece a história daquela criança, não percebe tudo o que ela omitiu e não consegue avaliar uma situação como alguém que acompanha sua vida. Ainda assim, pode formular uma resposta convincente o suficiente para ser recebida como um conselho”, alerta. É importante haver supervisão dos pais Dicas para os responsáveis A fim de orientar os pais preocupados com a segurança no uso de IA , João Paulo também deixa algumas orientações: Limite recursos; Estabeleça horários de uso; Bloqueie certos aplicativos. “ Os pais podem limitar o acesso e configurar proteções, porém, precisam saber quais ferramentas o filho utiliza e para que recorre a elas. Se a inteligência artificial já virou o lugar onde ele pede conselhos, a família precisa conhecer essa relação antes de simplesmente bloquear. O controle reduz o acesso, mas é o diálogo que permite identificar o que está acontecendo”, encerra.

