Perdão de dívidas, PIX e novo teto: entenda o plano do governo para os MEIs

Perdão de dívidas, PIX e novo teto: entenda o plano do governo para os MEIs

O governo federal anunciou nesta terça-feira (13) o Prospera MEI. O pacote reúne medidas de alívio de dívidas e facilitação de crédito para microempreendedores. O principal projeto prevê o perdão total de dívidas tributárias de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União.

A medida depende de aprovação do Congresso Nacional. O programa Desenrola terá nova fase para renegociar cerca de R$ 6 bilhões em dívidas bancárias de MEIs. Os bancos deverão oferecer descontos mínimos de 90%. A proposta do PixMEI prevê a concessão de até R$ 5 mil não reembolsáveis para investimentos.

O governo ainda definirá datas, critérios de participação e orçamento. O pacote também propõe aumentar o teto de faturamento do MEI e permitir a contratação de um segundo funcionário. MEIs serão dispensados de emitir notas para pessoas físicas. O governo federal anunciou nesta terça-feira (13) um pacote de benefícios para microempreendedores individuais (MEIs) e pequenos negócios.

🔎 As propostas incluem perdão de dívidas tributárias, renegociação de débitos bancários e apoio financeiro de até R$ 5 mil para investimentos. O governo também prevê aumentar o teto de faturamento do MEI e simplificar algumas obrigações fiscais. O anúncio ocorre a 12 dias do segundo turno das eleições presidenciais, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá concorrer em busca da reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O pleito está marcado para 25 de outubro. Batizado de Prospera MEI, o pacote foi apresentado pelo presidente Lula e por integrantes da equipe econômica. A iniciativa reúne medidas para aliviar dívidas e facilitar o acesso a recursos para quem quer investir e expandir o próprio negócio.

O Brasil tem 17, 56 milhões de MEIs ativos, dos quais mais de 3, 6 milhões têm pendências com a União. Cerca de 4, 1 milhões também estão inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), o que evidencia a vulnerabilidade de parte do segmento.

Parte das propostas ainda depende da aprovação do Congresso Nacional, enquanto outras seguem em elaboração pelo governo. Entenda abaixo o que foi anunciado, quem se beneficia e o que falta para que as medidas saiam do papel. O que prevê o pacote? O governo apresentou cinco medidas principais: 💳 Perdão de dívidas tributárias: para MEIs com débitos inscritos na Dívida Ativa da União;🤝 Renegociação de dívidas bancárias: por meio do programa Desenrola 3.

0;💰 Criação do PixMEI: com apoio financeiro de até R$ 5 mil;📈 Aumento do limite de faturamento: para MEIs;🧾 Dispensa de nota fiscal: em determinadas operações. O pacote também prevê medidas para ampliar oportunidades de negócios para pequenos empreendedores e reduzir exigências burocráticas.

Quem poderá ser beneficiado? Apesar de o pacote também mencionar empresas do Simples Nacional, a maioria das medidas anunciadas é voltada aos MEIs. O perdão das dívidas tributárias, por exemplo, foi desenhado para os microempreendedores que possuem débitos inscritos na Dívida Ativa da União.

A proposta de renegociação de dívidas bancárias também tem foco nesse grupo. O mesmo ocorre com o aumento do teto de faturamento e a possibilidade de contratação de um segundo funcionário. ➡️ Empresas enquadradas como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP) também podem ser impactadas por medidas de simplificação e por iniciativas voltadas ao ambiente de negócios.

Quais dívidas poderão ser perdoadas e quem terá direito? A principal medida do pacote é o envio ao Congresso Nacional de um Projeto de Lei Complementar (PLP) que prevê o perdão integral de dívidas tributárias de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União. 🔎 Isso significa que nem todo débito em atraso será automaticamente perdoado.

A dívida precisa ter passado pelas etapas administrativas de cobrança e ter sido formalmente inscrita na dívida ativa. (saiba mais abaixo) A proposta pode beneficiar cerca de 3, 6 milhões de microempreendedores e eliminar débitos que somam aproximadamente R$ 12, 6 bilhões.

De acordo com o governo, o projeto foi elaborado após avaliações da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apontarem que grande parte desses débitos possui baixa perspectiva de recuperação. Durante o anúncio, o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira, afirmou que o endividamento dos microempreendedores se agravou nos últimos anos.

"Especialmente depois da pandemia, o nível de endividamento dos microempreendedores individuais aumentou muito. Nós tentamos trabalhar muito para reduzir esse endividamento ao longo dos últimos anos [...] mas chegamos à conclusão que ou o Estado brasileiro perdoa a dívida dos MEIs, ou a gente não vai vencer esse mal terrível", declarou.

A proposta ainda depende da aprovação do Congresso. O texto ainda será analisado pelos parlamentares e poderá sofrer alterações durante a tramitação. O que é a Dívida Ativa da União? A Dívida Ativa da União (DAU) reúne débitos que pessoas físicas e empresas possuem com o governo federal e que não foram pagos dentro do prazo previsto.

Quando a cobrança administrativa não resulta no pagamento, a dívida pode ser inscrita nesse cadastro oficial. A partir desse momento, a cobrança passa para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que pode adotar medidas administrativas e judiciais para recuperar os valores.

Entre os débitos que podem ser inscritos estão: impostos e contribuições federais não pagos; juros, multas e outras obrigações financeiras devidas à União. A inscrição pode levar a protestos, dificuldades para obter crédito e ações judiciais de cobrança. O projeto do governo prevê o perdão das dívidas inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026, incluindo os valores principais, juros, multas e encargos legais.

O que é o 'Desenrola 3. 0' ? O governo também anunciou uma nova etapa do Desenrola voltada exclusivamente aos MEIs. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, esse público acumula cerca de R$ 6 bilhões em dívidas bancárias. 📎 A proposta prevê que o governo compre essas dívidas dos bancos, que deverão oferecer descontos de pelo menos 90% para participar do programa.

As instituições que concederem os maiores abatimentos terão prioridade. Nesta primeira etapa, a negociação será feita diretamente entre o governo e os bancos. Por isso, os MEIs não precisam tomar nenhuma providência. A expectativa é reduzir o peso das dívidas e facilitar a retomada do acesso ao crédito.

Como receber até R$ 5 mil do 'PixMEI'? Outra medida que chamou atenção foi o anúncio do PixMEI. A proposta prevê a concessão de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios. 💵 O recurso será não reembolsável. Ou seja, não precisará ser devolvido pelo beneficiário.

O dinheiro poderá ser usado na compra de equipamentos e ferramentas de trabalho ou na ampliação da estrutura do negócio. A proposta também prevê suporte técnico aos empreendedores, com participação de parceiros como o Sebrae. O governo ainda não informou quando a iniciativa será lançada, quantos empreendedores serão atendidos, quais serão os critérios para participar, nem qual será o orçamento destinado ao programa.

Por isso, neste momento, não há inscrições abertas nem prazo para solicitar o benefício. Qual será o novo teto de faturamento? Outra frente do pacote envolve uma proposta já em tramitação no Congresso Nacional. O texto prevê o aumento do teto anual de faturamento do MEI, que atualmente é de R$ 81 mil.

Pela proposta defendida pelo governo, o limite passaria para: R$ 110 mil em 2027; R$ 140 mil em 2028. O projeto também permite que o MEI contrate um segundo funcionário. A proposta busca permitir que pequenos negócios cresçam sem precisar sair imediatamente da categoria por ultrapassar o teto de faturamento.

Hoje, quando o empreendedor ultrapassa o limite permitido, pode ser obrigado a migrar para outro regime empresarial, sujeito a novas regras e obrigações. Em quais situações o MEI poderá deixar de emitir nota fiscal? O governo também anunciou um decreto para dispensar os MEIs da emissão de nota fiscal nas vendas de produtos e na prestação de serviços para pessoas físicas.

A medida foi apresentada como uma forma de reduzir burocracias e evitar novas exigências relacionadas à implementação da reforma tributária. ⚠️ O anúncio não altera as obrigações já existentes em negociações realizadas com pessoas jurídicas, que continuam sujeitas às regras fiscais específicas.

O que ainda precisa acontecer para as medidas valerem? As propostas anunciadas estão em diferentes etapas e ainda não têm data para entrar em vigor. O perdão das dívidas tributárias depende da aprovação de um Projeto de Lei Complementar (PLP) pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Esse tipo de proposta exige maioria absoluta: pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado. Depois, o texto segue para sanção presidencial. O aumento do teto de faturamento do MEI e a autorização para contratar um segundo funcionário também dependem da aprovação do Congresso.

Já o PixMEI ainda está em fase de elaboração. O governo precisa definir as regras do programa antes de informar quando ele será lançado e como os empreendedores poderão solicitar o benefício. Assim, apesar do anúncio, as medidas ainda precisam avançar em etapas legislativas ou administrativas para começar a valer.

Leia a matéria completa em g1.globo.com

Recomendadas

Geral

Tribunal do Júri condena a 28 anos terceiro réu pela morte de Mãe Bernadete

Geral

Pedro Emanuel sonha com título do Vasco, mas diz que semifinal não terminou

Política

Senado deve votar nesta quarta PEC que acaba com a escala 6x1