O padre italiano que adotou o interior como lar e pode virar 1º santo de MS

O padre italiano que adotou o interior como lar e pode virar 1º santo de MS

A causa de beatificação do padre João Crippa será aberta na terça-feira (20) em Campo Grande. Ele passará a ser reconhecido oficialmente como Servo de Deus. Nascido na Itália em 1861, o sacerdote chegou a Mato Grosso em 1912. Ele atuou com indígenas Bororo e fundou o Oratório São José em Campo Grande.

O padre morreu em 1 º de agosto de 1941 em Três Lagoas. Se o processo avançar, ele poderá se tornar o primeiro santo de Mato Grosso do Sul. O padre italiano João Crippa, que dedicou décadas de sua vida à missão salesiana em Mato Grosso do Sul, terá a causa de beatificação aberta oficialmente no dia 20 de outubro de 2026, em Campo Grande.

A cerimônia será realizada na Paróquia São José, no centro da capital, onde estão sepultados os restos mortais do religioso. O processo vai investigar a vida do sacerdote, suas virtudes e a fama de santidade entre os fiéis. A abertura do inquérito diocesano está marcada para as 18 h e contará com a participação do postulador da causa, Paolo Vilotta, que virá de Roma, na Itália.

Também estarão presentes representantes da Igreja e pesquisadores envolvidos no processo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g 1 MS no WhatsApp Com a abertura da investigação, João Crippa passará a ser reconhecido oficialmente pela Igreja Católica como Servo de Deus.

O título é concedido quando uma causa de beatificação é iniciada. Ele será o primeiro a receber essa designação em Mato Grosso do Sul. A iniciativa busca reconhecer a trajetória do sacerdote, lembrado pela dedicação às comunidades por onde passou e pelo trabalho com crianças e jovens.

Segundo a Igreja, a abertura do processo também reflete a devoção dos fiéis, que mantêm viva a memória do sacerdote e relatam graças alcançadas por sua intercessão. Da Itália ao interior de Mato Grosso do Sul Nascido em 10 de outubro de 1861, na cidade de Asso, na região da Lombardia, na Itália, João Crippa ingressou na formação salesiana em 1885.

Durante esse período, teve contato com São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana. Em 17 de fevereiro de 1894, foi ordenado sacerdote. Depois de atuar no Uruguai e em instituições salesianas no estado de São Paulo, João Crippa chegou à região de Mato Grosso em 1912, onde passou a desenvolver atividades pastorais e missionárias Em Cuiabá, participou de iniciativas junto aos povos indígenas Bororo.

Mais tarde, atuou em municípios do sul do então estado de Mato Grosso, como Aquidauana, Miranda, Campo Grande e Três Lagoas. Foi em Campo Grande que o sacerdote deixou uma de suas principais marcas. Em 1925, adquiriu os dois primeiros lotes para a construção do Oratório São José, conhecido popularmente como “Capelinha”.

O espaço foi criado para acolher crianças e jovens, com atividades de catequese, oração, convivência e recreação. A iniciativa seguia o modelo dos oratórios festivos idealizados por Dom Bosco, que reuniam formação religiosa, educação e atividades de convivência.

Com o crescimento da comunidade, João Crippa passou a planejar a construção de uma igreja maior, dedicada a São José. A pedra fundamental foi lançada em 15 de maio de 1938, e as obras começaram no ano seguinte. O sacerdote, porém, não chegou a ver o templo concluído.

A igreja foi inaugurada em 1949 e deu origem à atual Paróquia São José, onde será aberta a causa de beatificação. Morte em Três Lagoas e memória em Campo Grande A história de João Crippa também está ligada a Três Lagoas. Em 1924, os salesianos assumiram paróquias em Campo Grande e no município, como parte da expansão da missão religiosa no sul do então estado de Mato Grosso.

O padre morreu em Três Lagoas, em 1 º de agosto de 1941, aos 79 anos. Seus restos mortais estão sepultados em uma capela no interior da Igreja São José, em Campo Grande. O local mantém viva a memória do sacerdote entre os fiéis. Processo pode avançar para a beatificação As iniciativas para abrir a causa de beatificação ganharam destaque em março de 2024, durante a visita a Campo Grande do então reitor-mor dos Salesianos, cardeal Ángel Fernández Artime.

O inquérito diocesano marca o início de uma investigação da Igreja sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade do sacerdote. Nessa etapa, serão reunidos documentos e depoimentos para avaliar sua trajetória religiosa. O material será analisado conforme as normas da Igreja Católica e poderá ser encaminhado posteriormente ao Vaticano.

A abertura do processo, no entanto, não significa que o sacerdote já tenha sido declarado santo. Se a investigação avançar e os requisitos da Igreja forem atendidos, João Crippa poderá ser beatificado e, futuramente, canonizado. Caso seja declarado santo, poderá se tornar o primeiro santo de Mato Grosso do Sul.

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