Avanço da direita no Congresso desafia Alcolumbre e Motta nas presidências

Avanço da direita no Congresso desafia Alcolumbre e Motta nas presidências

Com o avanço da direita na composição do Congresso Nacional, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), devem ter maior dificuldade em outra eleição, prevista para fevereiro de 2027: a escolha de quem comandará as duas Casas pelos próximos dois anos.

Ambos buscam a reeleição nas presidências das respectivas Casas. Tanto Motta quanto Alcolumbre se reaproximaram do presidente Lula nos últimos meses. O presidente da Câmara de forma mais explícita, pedindo votos para a reeleição do petista. Na conta de Motta, estava a tentativa de eleger seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), como senador pela Paraíba – estado em que Lula, historicamente, é mais forte.

Wanderley não foi eleito. Interlocutores de Alcolumbre afirmam que ele também tem dado apoio a Lula, "mas dentro da função institucional", e que ambos "estão bem próximos". Até agora, contudo, o presidente do Senado não declarou apoio explícito à eleição de Lula e integrantes da federação União Brasil-PP pressionam para que o grupo declare voto em Flávio Bolsonaro.

Há uma expectativa, ainda sem confirmação, de que Alcolumbre e Lula conversem nesta semana. Na conta, está também a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6 x 1, cuja análise está prevista para começar amanhã. Presidência da Câmara Em 2025, Hugo Motta foi eleito com apoio de deputados do PT ao PL.

No seu comando na Câmara, porém, enfrentou desgastes com o partido de Flávio Bolsonaro ao resistir em votar um projeto amplo de anistia aos condenados no 8 de janeiro e ao decretar a perda de mandato de Eduardo Bolsonaro e de Alexandre Ramagem, antigos parlamentares da legenda.

Outro motivo de desgaste foi o apoio explícito dado à reeleição de Lula. Agora, Motta terá de lidar com uma bancada inflada do PL, eleita no último domingo – 121 deputados federais, a maior bancada de um partido desde a Constituição de 1988. Nos bastidores, integrantes do PL já dizem que Hugo terá dificuldades para se reeleger como presidente da Câmara, em especial se Flávio Bolsonaro for eleito presidente da República no segundo turno.

"O Hugo fez a opção política dele, apoiou o Lula", avalia um deputado do PL sob reserva. "Com o Flávio eleito no 2 º turno, a chance de reeleição do Hugo Motta é zero." O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), nunca escondeu seu desejo de se tornar presidente da Câmara.

Outros parlamentares da direita citam, ainda, a possibilidade de compor com algum nome de partido do Centrão que seja mais à direita, como integrantes da federação União-PP. Presidência do Senado No Senado, o cenário é ainda mais desafiador para Davi Alcolumbre.

Desde 2025, a direita assumiu como projeto político a eleição do maior número possível de senadores – com o objetivo, entre outros, de conquistar a presidência do Senado. O líder da oposição e coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), e a líder do PP, Teresa Cristina (MS), são dois nomes citados como potenciais candidatos.

No último domingo, o PL elegeu 19 senadores e chegará a 28 representantes no Senado. Além disso, conta com apoio dos senadores do Novo (3 parlamentares) e de parte da bancada de partidos do Centrão, como PP e Republicanos. Para eleger um presidente do Senado, são necessários 41 votos.

Além disso, o presidente do Senado – que está no meio do mandato e, por isso, não concorria à reeleição como senador – saiu enfraquecido da eleição local. Seus aliados no Amapá Clécio (União), que buscava reeleição como governador, e Randolfe (PT) e Alliny Serrão (União), candidatos ao Senado, não foram eleitos.

Nos corredores do Congresso, há quem diga que a reeleição do presidente Lula seria "a melhor aposta" para Davi Alcolumbre. Nos últimos anos, a relação do presidente do Senado com senadores da direita se desgastou – com críticas abertas de senadores bolsonaristas à gestão de Alcolumbre, principalmente em relação à crise do STF.

Neste contexto, interlocutores de Alcolumbre dizem que a PEC do fim da escala 6 x 1 será "prioridade". O presidente do Senado pautou a primeira sessão de discussão para esta terça-feira (6), com promessas de três sessões nesta semana e duas na próxima. Inicialmente, o cálculo do governo seria votar a proposta o mais perto possível da data do segundo turno, para que a medida funcionasse como uma espécie de "bala de prata" que ajudasse no projeto de reeleição do presidente.

Porém, senadores admitem que o resultado do primeiro turno enfraquece a votação – ainda que haja boa vontade de Alcolumbre. Por mais que os atuais senadores tenham legitimidade para votar a proposta, o contexto de um Senado mais à direita, com o fim da pressão eleitoral sobre os senadores e a preocupação dos empresários com a medida podem enfraquecer a votação.

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