Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, propôs à Rússia, nesta sexta-feira (4/9), umcessar-fogo limitado aos ataques durante a mais recente rodada de negociações com representantes dos Estados Unidos.
“Não haverá ataques aéreos de nossa parte, e a Rússia deve, de forma recíproca, garantir um cessar-fogo, sem ataques aéreos, pelo tempo necessário para conduzir essas negociações”, afirmou.
A iniciativa prevê que Kiev interrompa o uso de drones e outros meios de ataque pelo período necessário para que as conversas avancem, desde que o Kremlin concorde em adotar a mesma postura.
Tal declaração do ucraniano ocorre em novas tentativas de mediação para interromper a guerra, que já dura quatro anos e meio. As negociações contam com a participação de enviados dos Estados Unidos, entre eles Steve Witkoff e Jared Kushner, que estão envolvidos nos esforços diplomáticos entre Washington, Moscou e Kiev.
Até o momento, a Rússia não confirmou oficialmente a visita dos dois enviados norte-americanos a Moscou. 3 imagens Fechar modal. 1 de 3
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia Tom Nicholson/Getty Images 2 de 3
Putin e Zelensky Arte/Metrópoles 3 de 3
Vladimir Putin e o enviado especial dos EUA discutiram o acordo de paz no início de dezembro Kremlin Press Office
A proposta apresentada por Zelensky ocorre em um momento no qual os ataques de longa distância continuam sendo uma das principais características do conflito.
Rússia e Ucrânia utilizam regularmente drones e mísseis contra alvos militares, estruturas de infraestrutura e instalações consideradas estratégicas.
A suspensão desses ataques, caso seja aceita pelos dois lados, poderia funcionar como uma medida inicial de confiança durante as negociações. O alcance da proposta, porém, ainda não está claro e dependerá da disposição de Moscou em adotar uma pausa recíproca. Rússia diz que Zelensky pode ir a Moscou
Enquanto Zelensky defende novas medidas para reduzir os combates, no início da semana o Kremlin indicou disposição em receber o presidente ucraniano em Moscou. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou está aberta à participação de países interessados em contribuir para uma solução diplomática para a guerra.
Segundo ele, Putin mantém a posição de que Zelensky poderia viajar à capital russa caso queira negociar.
“Acolhemos com satisfação os esforços de qualquer país que possa dar qualquer contribuição [para a resolução do conflito]”, afirmou Peskov.
A disposição, no entanto, não significa que o Kremlin considere possível uma reunião imediata entre os presidentes. Segundo Peskov, uma eventual cúpula dependeria da conclusão de acordos prévios entre as delegações. Leia também Mundo Em meio à tensão com a Rússia, Alemanha testa míssil balístico israelense Mundo Rússia anuncia negociações para cúpula entre Trump, Putin e Xi Jinping Mundo Rússia diz aceitar mediadores e mantém “portas abertas” para Zelensky Mundo Zelensky ordena que Ucrânia triplique ataques de drones à Rússia
O porta-voz afirmou que os entendimentos necessários teriam de ser construídos em negociações consideradas complexas por Moscou. “Se estivermos falando de uma [cúpula trilateral], é necessário apenas finalizar alguns acordos”, declarou.
A posição russa mantém uma diferença importante em relação à proposta ucraniana.
Enquanto Kiev tenta estabelecer medidas concretas de interrupção dos ataques para criar condições para o diálogo, Moscou insiste que uma reunião entre Putin e Zelensky deve ser precedida por avanços nas negociações.

