O fluxo de arrecadação também diverge entre os candidatos: Flávio recebeu 81% de seus recursos após o primeiro turno, enquanto 94% das doações de Lula entraram antes de 4 de outubro. Até 20 de outubro, Flávio arrecadou R$ 36, 9 milhões de 727 doadores. O grupo que doou R$ 100 mil ou mais responde por 84, 3% do total. Lula registrou 571 doadores diretos e reduziu grandes cheques em 2026. Apenas 1 doador deu R$ 100 mil ou mais, representando 27% do total arrecadado. Em 2022, Jair Bolsonaro teve 368, 6 mil doadores diretos, com mediana de R$ 1. Atualmente, o PIX é o principal meio de doação para Flávio. Flávio herdou 31% de seus doadores da campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Lula renovou quase toda a sua lista, com apenas 5 doadores repetidos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram dois modelos de financiamento por pessoas físicas nas campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. O candidato do PL concentra sua arrecadação em poucos doadores que contribuem com valores elevados, enquanto o presidente ampliou sua base de financiadores e reduziu a dependência de grandes doações em relação a 2022. Segundo dados declarados até 20 de outubro, Flávio havia recebido R$ 36, 9 milhões de 727 pessoas, enquanto Lula arrecadou R$ 1, 88 milhão de 571 doadores. Os dois disputam o segundo turno neste domingo (25). No caso de Flávio Bolsonaro, o cenário é diferente do registrado na campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Naquela eleição, 368, 6 mil pessoas fizeram doações diretas ao então presidente, somando R$ 88 milhões. A mediana das contribuições foi de apenas R$ 1, valor de 241, 6 mil transferências por PIX, equivalentes a 62% do total, resultado de uma estratégia adotada pela campanha para estimular pequenas doações. A contribuição média ficou em R$ 225. Lula (PT), por sua vez, diminuiu a concentração de recursos entre os maiores doadores. Em 2022, oito pessoas contribuíram com R$ 100 mil ou mais e responderam por 70% do valor arrecadado diretamente de pessoas físicas. Neste ano, apenas um doador atingiu essa faixa, representando 27% do total. A doação média caiu de R$ 21, 1 mil para R$ 3 mil. Ao mesmo tempo, o número de doadores diretos passou de 120, em toda a campanha de 2022, para 571 até 20 de outubro deste ano. A arrecadação chegou a R$ 1, 88 milhão, ante R$ 2, 6 milhões na eleição passada. Os dados de 2026 são parciais, com informações até 20 de outubro, enquanto os de 2022 abrangem toda a campanha eleitoral. Por isso, a análise considera principalmente a distribuição das doações, e não a comparação dos valores totais arrecadados. Os números não incluem contribuições feitas por meio de vaquinhas virtuais. Flávio: poucos doadores, valores altos Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro recebeu 822 doações diretas de 727 pessoas. Desse grupo, 93 doadores contribuíram com R$ 100 mil ou mais. Embora representem apenas 13% do total de doadores, eles responderam por 84, 3% da arrecadação. Considerando também aqueles que deram entre R$ 10 mil e R$ 99. 999, são 270 pessoas responsáveis por 98, 1% dos recursos. Na outra ponta, 119 doadores contribuíram com menos de R$ 100 cada, somando apenas R$ 1, 5 mil. Uma das primeiras contribuições de maior valor veio do prefeito de Chapadão do Sul (MS), Walter Schlatter (PP), que doou R$ 300 mil em 1 º de setembro. Em 2022, ele já havia contribuído com R$ 100 mil para a campanha de Jair Bolsonaro. A arrecadação se intensificou após o primeiro turno. Entre 5 e 20 de outubro, Flávio recebeu R$ 30, 1 milhões em 654 doações, o equivalente a 81% de tudo o que havia arrecadado até então. Na campanha de Lula, o movimento foi diferente: 94% dos recursos entraram até 4 de outubro, data do primeiro turno. A maior doação individual a Flávio foi um PIX de R$ 1, 8 milhão, feito pelo fazendeiro Wilson Francisco Rotta em 20 de outubro. Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu 391, 7 mil doações diretas de pessoas físicas. Desse total, 241, 6 mil foram transferências por PIX de exatamente R$ 1, equivalentes a 62% das contribuições. A mediana das doações foi de R$ 1, enquanto a média ficou em R$ 225. Apesar do grande volume de contribuições, os pequenos doadores tiveram participação reduzida na arrecadação. Os 92, 5% que doaram menos de R$ 100 responderam por apenas 2, 2% dos recursos. Já os 1. 585 doadores que contribuíram com R$ 10 mil ou mais concentraram 82, 4% do dinheiro. A maior doação individual à campanha do ex-presidente em 2022 foi de R$ 3 milhões, feita por Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e preso no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Nas duas campanhas, portanto, a maior parte dos recursos ficou concentrada em um grupo restrito de financiadores. A diferença mais expressiva está no tamanho e na composição da base de doadores. Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu contribuições de 368, 6 mil pessoas, das quais apenas 0, 05% doaram R$ 100 mil ou mais. Na campanha de Flávio, que reunia 727 doadores até 20 de outubro, essa parcela chega a 13%. Lula: menos dinheiro, mais doadores Em 2022, as doações diretas à campanha de Lula estavam concentradas em um grupo restrito de financiadores. Ao longo de toda a eleição, 120 pessoas fizeram contribuições, das quais oito doaram R$ 100 mil ou mais e responderam por 70% da arrecadação. Os dois maiores doadores, Altair de Jesus Vilar Guimarães (R$ 600 mil) e José Seripieri Filho (R$ 500 mil), concentraram, sozinhos, 42% dos recursos. Naquela eleição, a maior parte do dinheiro arrecadado de pessoas físicas veio de vaquinhas virtuais, que não entram nesta análise. Em 2026, a distribuição das doações mudou. Até 20 de outubro, Lula havia recebido contribuições diretas de 571 pessoas, número 4, 8 vezes maior que o registrado em toda a campanha de 2022. Apenas um doador contribuiu com R$ 100 mil ou mais: Erasmo Carlos Battistella, que transferiu R$ 500 mil, o equivalente a 27% do total arrecadado. As contribuições de valores intermediários também ganharam espaço. Quase metade dos doadores (47%) deu entre R$ 1 mil e R$ 9. 999, faixa que passou a responder por um terço da arrecadação, ante apenas 4% em 2022. PIX concentra doações a Flávio; transferências têm mais peso para Lula Na campanha de Flávio Bolsonaro, o PIX é o principal meio de arrecadação direta de pessoas físicas, tanto em número de operações quanto em valor. Foram 765 doações por PIX, equivalentes a 93% das contribuições, que somaram R$ 27, 1 milhões (73% do total arrecadado). A mediana dessas doações foi de R$ 2 mil. A maior contribuição individual da campanha, de R$ 1, 8 milhão, feita por Wilson Francisco Rotta, também chegou por Pix. Já as 57 transferências bancárias somaram R$ 9, 8 milhões, com mediana de R$ 50 mil. Na campanha de Lula, as transferências bancárias têm maior peso na arrecadação do que o PIX. Foram 203 transferências, que somaram R$ 991 mil (49% do total), ante R$ 882 mil recebidos em 410 operações por Pix (44%). As contribuições têm valores medianos menores nas duas modalidades: R$ 1 mil nas transferências e R$ 500 no Pix. A maior doação recebida por Lula via PIX foi de R$ 90 mil. As demais modalidades representam uma parcela pequena da arrecadação. Lula recebeu R$ 131, 5 mil em doações estimáveis em dinheiro, como bens e serviços, além de quatro depósitos em espécie, que somaram R$ 1. 760. Flávio registrou R$ 123 mil em doações estimáveis e nenhum depósito em dinheiro vivo. Nenhum dos dois candidatos recebeu doações de pessoas físicas por cheque. Entre as menores contribuições, o PIX também aparece. Lula recebeu três transferências de R$ 1 por essa modalidade, enquanto Flávio registrou doações de apenas R$ 0, 01, valor que também costuma ser utilizado para testar chaves PIX. Quem voltou a doar Fazer mais de uma contribuição à mesma campanha é pouco frequente entre os doadores dos candidatos analisados. Em 2022, apenas 2, 5% dos doadores diretos de Lula fizeram mais de uma doação. Em 2026, essa parcela subiu para 7%. Entre os doadores de Jair Bolsonaro em 2022, o percentual foi de 5, 1%, enquanto na campanha de Flávio Bolsonaro chega a 6, 6%. Parte da base de financiadores de Flávio já havia contribuído para a campanha do pai. Dos 727 doadores do senador, 228 (31%) também fizeram doações diretas a Jair Bolsonaro em 2022. Entre os maiores financiadores, a proporção é semelhante: dos 93 que contribuíram com R$ 100 mil ou mais para Flávio, 27 (29%) também haviam doado a Jair. Juntos, esses 27 destinaram R$ 9, 2 milhões à campanha de Flávio em 2026. Um deles é o empresário Alexandre Grendene Bartelle, que doou R$ 1 milhão a Jair em setembro de 2022 e repetiu o valor em uma contribuição a Flávio em 16 de outubro deste ano. Na campanha de Lula, a renovação da base de doadores foi mais ampla. Dos 571 financiadores diretos registrados em 2026, apenas cinco também haviam contribuído diretamente para sua campanha presidencial de 2022. Como fizemosOs dados são das prestações de contas de candidatos publicadas pelo TSE, nos arquivos de 18/10/2026 (eleição de 2022) e de 22/10/2026 (eleição de 2026). Doação de pessoa física: só doações diretas ao candidato. Ficam de fora as vaquinhas virtuais (financiamento coletivo), os recursos próprios do candidato, o dinheiro de pessoas físicas repassado via partido e, nos perfis e faixas, as doações estimáveis (bens e serviços). As estimáveis aparecem apenas na seção sobre forma de pagamento. Período: 2022 cobre a campanha inteira (16/08 a 31/10/2022). 2026 é parcial: reúne a prestação parcial e os relatórios financeiros entregues até 21 de outubro, com doações até 20/10. A prestação final do 1 º turno vence em 3 de novembro, e a de quem disputa o 2 º turno, em 14 de novembro. Forma de pagamento: é a espécie do recurso informada ao TSE (PIX, transferência eletrônica, depósito em espécie, cheque ou estimado). Duplicatas: a mesma receita aparece na parcial, nos relatórios e em retificações. Mantivemos uma ocorrência de cada. Doador: identificado pelo CPF; as faixas usam o total que cada CPF deu ao candidato.
Veja o que mudou no financiamento das campanhas presidenciais de 2022 a 2026
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