Sobrevivente narra terror após explosão de lancha no Lago: "Tochas humanas"

Sobrevivente narra terror após explosão de lancha no Lago: "Tochas humanas"

A explosão da lancha no Lago Paranoá, nesse domingo (20/9), foi tão forte quearremessou uma das passageiras para dentro da água. Enquanto alguns ocupantes eram tomados pelas chamas, outros se jogaram no lago para tentar apagar o fogo, mesmo sem saber nadar. O relato é de Kelly Alves, 38 anos, que estava na embarcação e ficou ferida no acidente.

“Todos viraram tochas humanas. Foi desesperador, todo mundo pegando fogo, todo mundo gritando. O cabelo de todos nós queimou e a gente sentiu muita dor. Por isso, alguns se jogaram na água sem saber nadar”, relatou Kelly.

Segundo Kelly, a lancha ainda não havia sido abastecida quando os passageiros embarcaram. “Na hora que a gente entrou na lancha, eles não tinham abastecido ainda, e esse foi um dos erros, porque o certo é abastecer para depois a gente embarcar, e a gente percebeu que não teve esse cuidado”, afirmou.

Ainda de acordo com a sobrevivente, depois que o motor foi acionado, o sistema da embarcação desligou. Kelly acredita que uma trava de segurança tenha sido acionada, mas, segundo ela, os responsáveis tentaram ligar o motor novamente. “Eu acredito que tinha uma trava de segurança, porque o som desligou, o motor desligou, tudo desligou. Só que eles ignoraram esse negócio, tentaram ligar de novo, forçando o motor, e foi aí que deu a explosão”, contou.

Kelly disse que estava sentada com as amigas sobre a área onde ficava o tanque de combustível, sob um sofá da lancha, quando ocorreu a explosão. Após o acidente, Kelly e os demais passageiros foram resgatados por pessoas que estavam em motos aquáticas. O grupo foi levado para uma área próxima à ponte, onde recebeu atendimento dos bombeiros. Leia também Na Mira Lancha que pegou fogo no Lago Paranoá transportava turistas de Goiânia Distrito Federal Empresa de lancha que pegou fogo se manifesta: “Estamos em oração” Na Mira Motor de lancha apresentou falhas ao ligar antes de fogo, dizem testemunhas Distrito Federal Marinha investigará causas de incêndio em lancha no Lago ParanoáQueimaduras

Kelly contou que sofreu queimaduras de segundo grau nos braços e nas pernas e que continuará o tratamento em Goiânia. Segundo ela, duas amigas também receberam alta. Uma delas e outro passageiro tiveram queimaduras consideradas leves no rosto.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), as vítimas sofreram queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus. 4 imagens Fechar modal. 1 de 4

Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram no resgate dos passageiros após a explosão da lancha no Lago Paranoá, neste domingo (20/9) Aquivo pessoal 2 de 4

A Capitania Fluvial de Brasília estava em uma inspeção naval no lago quando identificou a fumaça e se deslocou para o local do acidente Aquivo pessoal 3 de 4

A embarcação transportava 15 pessoas e era conduzida por um profissional contratado, segundo informações da Marinha Aquivo pessoal 4 de 4

O Instituto de Criminalística realizou perícia na lancha nesta segunda-feira (21/9), como parte da investigação sobre as causas da explosão Aquivo pessoalEmpresa se manifesta

A Very Náutica, empresa responsável pela lancha, publicou uma nota de solidariedade às vítimas e aos familiares após o acidente. A empresa desejou força aos envolvidos e afirmou estar em oração pela recuperação dos feridos.

“Nossa solidariedade a todas as vítimas do acidente, bem como aos seus familiares e amigos, neste momento tão delicado. Estamos em oração pela recuperação de todos, com a esperança de que fiquem bem e possam superar este momento o mais breve possível.”

As 15 pessoas que estavam na lancha eram de Goiânia (GO) e tinham viajado ao Distrito Federal para passar o fim de semana. Segundo relatos, os passageiros não se conheciam previamente. A embarcação era conduzida por um profissional contratado e habilitado.

Ainda segundo a empresa, a embarcação, fabricada em 2015, estava com a documentação regular e tinha extintor de incêndio e os equipamentos necessários. A testemunha afirmou ainda que a lancha apresentou falhas em sucessivas tentativas de ligar o motor e que percebeu fumaça na região onde eram feitas as tentativas de partida.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) também investiga o caso. O Instituto de Criminalística realizou exame pericial na embarcação nesta segunda-feira (21/9).

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