Quase metade das mortes no trânsito de SP envolve motociclistas

Quase metade das mortes no trânsito de SP envolve motociclistas

De janeiro a agosto deste ano, 334 motociclistas morreram na cidade de São Paulo. O dado representa quase metade das mortes no trânsito paulistano. Flagrantes em capitais brasileiras registram motociclistas avançando sinais vermelhos, circulando sobre calçadas e trafegando na contramão.

Trabalhadores de aplicativos explicam que a pressa para cumprir prazos e a cobrança por produtividade motivam condutas perigosas. Vítimas de acidentes relatam sequelas como amputações e queimaduras. Elas admitem que o excesso de velocidade causou as colisões.

Especialistas avaliam que campanhas educativas no trânsito necessitam de fiscalização efetiva para alterar o comportamento dos condutores. Nas cidades travadas pelo trânsito, os motociclistas se tornaram indispensáveis. Eles conectam empresas a clientes e transportam produtos que precisam chegar rapidamente ao destino.

Mas especialistas alertam que nenhuma entrega vale o risco. 📱Favorite o g 1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Flagrantes registrados em diferentes capitais mostram práticas perigosas no trânsito. Em São Paulo, motocicletas circulam sobre calçadas, entre pedestres, e avançam o sinal vermelho.

No Rio de Janeiro, há registros de conversões proibidas, motos na contramão e até de um motociclista digitando no celular enquanto atravessava a Ponte Rio-Niterói. No Recife e na região metropolitana, diversos motociclistas utilizam as calçadas como se fossem ruas.

Em um dos casos registrados, uma moto com duas pessoas colide com um carro que saía da garagem, bate em uma árvore e ainda atinge outras duas motocicletas. Em Belo Horizonte e Salvador, motociclistas também foram flagrados usando passarelas de pedestres para cortar caminho.

O excesso de velocidade é a infração mais comum entre os motociclistas nas duas maiores cidades do país. Na cidade de São Paulo, o número de multas por trafegar acima da velocidade permitida aumentou 51% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.

No Rio de Janeiro, a alta foi de 23%. Motociclistas afirmam que a pressa para cumprir os prazos de entrega ajuda a explicar esse comportamento. "Aqui tem muito trânsito. Então, quando chega o horário de pico, às vezes tem motoqueiro que sobe na calçada para sair do trânsito", afirma Jader Generoso, motofrentista.

"A gente tem que tomar muito cuidado porque, como eu tenho minha filha em casa que tá esperando, então é difícil", completa Sidney dos Santos. A motocicleta é o veículo mais vulnerável do trânsito motorizado. De janeiro a agosto deste ano, 334 motociclistas morreram na cidade de São Paulo.

É o maior número registrado para esse período desde 2015. Dos 673 mortos em acidentes de trânsito na capital paulista, quase metade estava em motocicletas. Segundo Antônio Meira, presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), os motociclistas enfrentam condições que aumentam significativamente os riscos.

"A vulnerabilidade do motociclista é de tal nível que sua letalidade em acidentes chega a ser 17 vezes maior do que a de ocupantes de automóvel (...) e o grau de traumatismo, a gente tem visto que, quanto maior a velocidade, maior a gravidade e maior a chance de ocasionar morte".

Gabriel não tem dúvidas de que o excesso de velocidade foi determinante para a gravidade do acidente que sofreu e que resultou na amputação das duas pernas. Naquele dia, ele havia combinado de ir a um churrasco com amigos. "Eu vou na frente aqui pra chegar mais rápido, tá?

Beleza. Fui. Fui chinelando, cortando tudo, lombada. Sinal vermelho, passei tudo", lembra. Richard Soares também admite que trafegava rápido quando voltava para casa com um amigo. "A gente foi derrapando pra contramão e vinha um ônibus. Infelizmente, esse meu amigo faleceu na hora ali.

Eu passei por debaixo do ônibus, a moto pegou fogo, me queimou, eu desmaiado". Especialistas em segurança viária afirmam que é preciso investir em educação e fiscalização para reduzir o número de acidentes. Para Ana Carolina Nunes, diretora da associação Cidade a Pé, campanhas educativas precisam ser acompanhadas por ações efetivas de fiscalização.

"A campanha pode servir para uma sensibilização, mas não necessariamente vai ser o suficiente para alterar o comportamento. A fiscalização é uma forma de educação no trânsito também". Antes dos acidentes, Gabriel trabalhava como pintor e Richard como sushiman.

Hoje, os dois enfrentam um longo processo de reabilitação e incertezas sobre o futuro. "Eu falo ainda pros meus amigos, porque eu tenho muito amigo que anda de moto ainda: tenha prudência. Saiba o que você tá fazendo. Se você tem amor à sua vida, né... Eu quase perdi a minha".

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