Um professor de matemática, de 45 anos, foi condenado a sete anos e três meses de prisão por injúria racial e corrupção de menores após comparar um aluno negro, de 13 anos, a um chimpanzé durante uma aula em uma escola particular de Maceió (AL). A decisão foi divulgada pelo Ministério Público de Alagoas ( MPAL ) nesta quarta-feira (2/9).
Além da pena de prisão, oprofessor terá de pagar R$ 15 mil de indenização à vítima . A identidade dele não foi divulgada.
Veja: Relembre o caso O episódio ocorreu em 12 de fevereiro, durante uma aula para estudantes do 8 º ano doColégio Fantástico . A situação foi registrada por câmeras de segurança da instituição. Segundo a denúncia, um dos alunos mostrou um caderno que tinha a imagem de um chimpanzé na capa. O professor, então, foi questionado sobre com quem o animal se parecia.Em resposta, apontou para o aluno negro de 13 anos, provocando risadas entre os colegas. O pai do adolescente procurou a Polícia Civil ( PCAL ) depois de tomar conhecimento do episódio e denunciou o caso como crime de racismo. Durante as investigações, outros estudantes que estavam na sala confirmaram a atitude do professor. Eles também relataram que o adolescente ficou visivelmente abalado após a situação. Em um procedimento disciplinar aberto pela própria escola, o professor reconheceu que havia apontado para o estudante, mas negou que tivesse agido com intenção racista. O adolescente contou, em depoimento, que ficou abalado com o episódio e continuou sendo alvo de chacotas nos dias seguintes. Ele passou a resistir a voltar à escola e só retornou depois de saber que o professor havia sido afastado. Corrupção de menores De acordo com o MPAL, a acusação de corrupção de menores ocorreu porque a ofensa foi praticada na presença de outros estudantes , que acabaram participando da situação ao rir do colega. Para os promotores responsáveis pelo caso, a condição do acusado como professor agravou a conduta. Isso porque, além de atuar como educador, ele tinha o dever de orientar, proteger e zelar pelos alunos. Durante o processo, o MPAL também pediu que o professor fosse impedido de exercer atividades de docência ou outras funções que envolvam contato direto com crianças e adolescentes. Leia também Brasil Professor é demitido após comparar aluno negro com chimpanzé em Maceió Brasil Professor aponta para aluno negro e o compara com chimpanzé em Maceió São Paulo “Neguinho”: estudante denuncia professor por racismo em colégio de SP Minas Gerais Professora denuncia racismo em padaria de BH: “Devastada moralmente” Posicionamento do colégio À época do caso, em nota, o Colégio Fantástico afirmou querepudia qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito. A instituição informou ainda que adotou medidas após o episódio, entre elas o afastamento do professor de matemática. Segundo o colégio, o docente não faz mais parte do quadro de colaboradores da escola.

