Rafael Juergen Shult, agente de 2 ª classe do 78 º DP (Jardins), se negou a informar a senha de acesso do celular, apreendido pela Corregedoria da Polícia Civil, no momento em que ele foi preso no prédio do órgão fiscalizador da instituição , no início da tarde desta quinta-feira (24/9), na zona oeste paulistana.
Como revelou a coluna, o policial civil acreditava que um mandado de prisão temporária de 30 dias, vencido no início da semana, não havia sido renovado pela Justiça. Por isso, foi acompanhado de dois advogados até o prédio da Corregedoria, no bairro da Água Branca.
Ele é apontado como possível líder de um grupo armado, com características de milícia, que extorque dinheiro de comerciantes e, também, de criminosos. Para isso, o grupo usava ao menos duas falsas viaturas, apreendidas durante a investigação, para sequestrar as vítimas ( assista acima ). Prisão renovada e cumprida
A coluna apurou que, enquanto Rafael Shult aguardava com os defensores, policiais da Corregedoria constataram que a renovação do pedido de prisão, feito pelo órgão, havia sido deferido nessa quarta-feira (23/9) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo ( TJSP ).
O agente do 78 º DP foi preso em seguida, momento em que entregou o celular, mas negando-se a informar a senha de acesso. A coluna apurou ainda que o policial, mesmo não fornecendo o código de acesso, teria dito não ter “nada para ocultar”.
O celular será periciado para que eventuais provas contribuam para a investigação, em andamento, feita contra Rafael Shult e o grupo armado ao qual ele é considerado o líder pela investigação.
Ele seria encaminhado ao Presídio de Polícia Civil. A defesa do agente não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações. Leia também Alfredo Henrique Corregedoria prende policial suspeito de sequestrar comerciantes em SP Alfredo Henrique Policial civil usou falsa viatura em mais de uma ação criminosa em SP Alfredo Henrique Falsa viatura usada por policial civil em sequestro é apreendida São Paulo Corregedoria pede prisão de policial por sequestro com falsa viatura Sequestro de suposto traficante
A existência do bando, cuja liderança é atribuída ao policial, veio à tona após imagens de uma câmera de monitoramento flagrarem Rafael Shult, o irmão dele Gustavo Henrich Schult — atualmente foragido da Justiça — e outros comparsas sequestrando um suposto traficante, em 12 de agosto na zona leste paulistana.
Como revelou a coluna, Schult está lotado no 78 º Distrito Policial (Jardins) e teve a prisão temporária solicitada no âmbito da investigação conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil.
As imagens reveladas peloMetrópoles mostram o policial civil e outros dois homens armados abordando um homem que, segundo fontes policiais que acompanham o caso, seria traficante de drogas. Rendido, algemado e levado
A abordagem termina com disparos de fuzil. O suposto traficante é agredido, rendido, algemado e colocado dentro de uma Chevrolet Trailblazer, veículo semelhante aos utilizados, sem identificação ostensiva, pela Polícia Civil paulista.
Antes de levarem o homem, os suspeitos aparecem nas imagens pegando uma sacola. Segundo relatado pelo próprio homem sequestrado, em depoimento, o saco plástico continha um pedaço de rapadura — que seria supostamente vendida como maconha, em um golpe. Leia também Alfredo Henrique Corregedoria prende policial suspeito de sequestrar comerciantes em SP Alfredo Henrique Policial civil usou falsa viatura em mais de uma ação criminosa em SP Alfredo Henrique Falsa viatura usada por policial civil em sequestro é apreendida São Paulo Corregedoria pede prisão de policial por sequestro com falsa viatura
A vítima acreditava que o policial seria um “playboy” com o qual havia negociado a droga pela internet e, Rafael Shult, acreditava — segundo a investigação — que iria extorquir um traficante.
Além de Rafael Shult, o também policial civil Milton Massaru Nakayama, o Japa, também foi preso, em 22 de agosto, suspeito de integrar o bando.
A defesa dos dois agentes não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

