ONU propõe a candidatos medidas contra desigualdades de gênero

ONU propõe a candidatos medidas contra desigualdades de gênero

A Organização das Nações Unidas Mulheres ( ONU ) lançou 10 propostas direcionadas a candidatos e candidatas para combater as desigualdades de gênero no país. Em carta aberta, a instituição disse que as ações têm como intuito que a democracia brasileira represente, de fato, a maioria da população.

As medidas englobam questões como participação política, disputa eleitoral em pé de igualdade, fim da violência política, vida sem violência, cuidado, renda e clima.

O documento destaca que as mulheres dedicam 21, 3 horas por semana com tarefas domésticos e ao cuidado de pessoas, contra 11, 7 horas dos homens. Além disso, elas ganham 21% a menos que os homens no mercado de trabalho . Outro dado apontado é a quantidade de feminicídios : 1. 571 só em 2025. Leia também Distrito Federal Eleições 2026: veja propostas dos candidatos ao GDF para proteger mulheres Neila Guimarães Chapa feminina no DF mira projeto nacional para eleger mulheres até 2030 Conteúdo especial Especialistas debatem como proteger as mulheres no ambiente digital Pouca vergonha Solidão lésbica: entenda como a falta de representatividade afeta mulheres Veja as 10 propostas:Presença feminina na política – Assumir a paridade como meta. Definir prazos e metas numéricas para ampliar a presença de mulheres, em toda a sua diversidade, nos cargos eletivos, cargos de nomeação, lideranças do Legislativo e na direção dos partidos. Publicar os resultados para que a sociedade acompanhe de perto.Disputa eleitoral – Fazer valer as cotas eleitorais, com fiscalização e dinheiro de campanha chegando às candidatas na hora certa e em partes justas, especialmente às mulheres negras e que enfrentam múltiplas discriminações. Cobrar transparência dos partidos, responsabilizar quem descumpre as regras e abrir espaço para as mulheres na direção partidária.Violência política de gênero e raça – Fazer a Lei 14. 192/2021 funcionar na prática e no ambiente digital. Fortalecer os canais de denúncia acessíveis, oferecer proteção para quem denuncia e garantir resposta coordenada entre as instituições. Publicar dados oficiais sobre a violência política e oferecer formação contínua a quem atende os casos, com atenção às mulheres negras e indígenas, que são as mais atingidas.Violência – No mundo, uma em cada três mulheres sofre violência ao longo da vida. Cerca de 50 mil mulheres e meninas foram mortas por parceiros íntimos ou familiares em 2024, uma a cada dez minutos. No Brasil, 1. 571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, 65, 1% delas negras e 62, 5% mortas dentro da própria casa.Machismo – Tratar o machismo como problema público, com uma estratégia permanente e financiada para mudar as normas que naturalizam a violência e limitam os direitos das mulheres. Alcançar escolas, famílias, comunidades, mídia, redes digitais, instituições públicas e privadas. Educar para a igualdade desde a infância. Envolver homens e meninos, responsabilizar agentes públicos e empresas que reproduzem estereótipos e financiar as organizações de mulheres que lideram, acompanham e avaliam essa mudança.Direito de cuidar e ser cuidada – Colocar em prática o Plano Nacional de Cuidados em cada território, com orçamento, e ampliar creches e serviços de cuidado para alcançar todas as mulheres, em horários que caibam na jornada de quem trabalha. Garantir formação, contrato formal, salário digno e proteção social às trabalhadoras do cuidado.Renda – Garantir às mulheres salário igual, trabalho formal e proteção social, com políticas que andem juntas: qualificação, cuidado, transporte e inclusão digital precisam de abordagem integrada. Abrir acesso a empregos verdes, crédito, assistência técnica, mercados e compras públicas.Clima – Fazer o financiamento climático chegar a quem protege o território: critérios de gênero e raça nos fundos que já existem, regras mais simples para que organizações comunitárias consigam acessálos e fundos dedicados que repassem recursos diretamente às iniciativas lideradas por mulheres.Mudanças climáticas – Garantir a participação paritária e efetiva de mulheres, especialmente indígenas, negras, quilombolas e de povos e comunidades tradicionais, em órgãos de governança climática e na formulação e implementação de políticas. Implementar metas de representação, mecanismos formais de consulta e apoio à formação de lideranças.Política climática – Garantir que toda política climática questione a quem ela alcança e quem ela deixa de fora. Isso significa gênero e raça como critério obrigatório, orçamento, metas e dados que mostrem o efeito real sobre mulheres e pessoas negras, avaliações de impacto que corrijam o rumo quando o resultado for desigual.

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