O que os candidatos à Presidência defendiam para as apostas on-line

O que os candidatos à Presidência defendiam para as apostas on-line

O presidente Lula (PT) editou uma medida provisória para proibir as bets, mas seu plano de governo previa manter o controle de gastos excessivos e ampliar o atendimento a pessoas com problemas relacionados às apostas. Dos 13 programas analisados pelo g 1, sete mencionavam o tema, e apenas os de Hertz (PSTU) e Edmilson (PCB) defendiam expressamente a proibição.

Flávio Bolsonaro (PL) propunha impedir o uso de recursos de programas sociais em apostas, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) defendia regras mais rígidas e o veto à publicidade. Samara (UP) criticava o endividamento e o vício associados às bets, e Grassi (Democrata) abordava investigação patrimonial e a destinação da arrecadação do setor.

A MP foi anunciada a nove dias do primeiro turno e prevê a retirada dos sites do ar em 6 de outubro; a criação de crimes relacionados à atividade depende de um projeto de lei enviado ao Congresso. Antes de editar a medida provisória que proíbe as bets no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, não previa encerrar a atividade em seu plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O documento propunha manter mecanismos de controle de gastos excessivos com apostas on-line e ampliar o atendimento a pessoas com problemas relacionados aos jogos. Um levantamento do g 1 nos planos de governo apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos 13 candidatos à Presidência mostra que sete mencionavam os jogos de apostas.

🔎 A análise se restringe aos planos de governo e não inclui declarações em entrevistas, debates ou atos de campanha. Nos programas que abordavam o tema, havia propostas para restringir o uso de dinheiro de programas sociais, proibir publicidade, endurecer a fiscalização e tratar o jogo compulsivo.

Também havia críticas aos efeitos das apostas e menções ao setor no contexto do combate ao crime organizado e do financiamento do esporte. A MP de Lula foi anunciada nesta sexta-feira (25), a nove dias do primeiro turno. A medida prevê que os sites e aplicativos de apostas saiam do ar em 6 de outubro.

Até às 23 h 59 do dia 5, os apostadores poderão retirar os valores mantidos nas plataformas (leia mais). Veja abaixo o que os candidatos registraram nos planos de governo. Lula: controle de gastos e atendimento O programa de Lula trata das apostas em dois momentos: nas propostas de saúde e nas medidas econômicas voltadas à proteção dos consumidores.

Na área da saúde, o documento prevê ampliar os profissionais e as estratégias de atendimento a pessoas afetadas pelos jogos. “Ampliaremos os profissionais e as estratégias voltadas às pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas”, diz o plano, na página 39.

Na parte econômica, o compromisso era manter mecanismos de controle dos gastos excessivos, junto com medidas de acompanhamento do endividamento e de responsabilidade na oferta de crédito. “Além disso, seguiremos monitorando a evolução do endividamento das famílias e das empresas, assegurando a continuidade dos fundos garantidores, mantendo os mecanismos de controle de gastos excessivos em apostas on-line e aprimorando as regras de oferta e responsabilidade na concessão de crédito, conferindo maior proteção aos consumidores”, afirma o documento, na página 49.

O plano não propõe a proibição das bets. Flávio Bolsonaro: restrição ao dinheiro de programas sociais O plano de Flávio Bolsonaro (PL) propõe impedir que recursos de programas sociais sejam usados em apostas, além de promover campanhas educativas sobre os riscos de endividamento com jogos.

“Vamos proibir o uso dos recursos dos programas sociais para apostas, porque dinheiro destinado a pôr comida na mesa não pode escoar para a casa de apostas, e promover campanhas educativas e de conscientização sobre os riscos do endividamento com jogos”, diz o texto, na página 33.

O documento também prevê ampliar a orientação financeira pela Caixa para ajudar a população a organizar o orçamento, sair do endividamento e poupar. Em outro trecho, sobre autonomia econômica das mulheres, o plano menciona programas de orientação financeira que incluam a proteção da renda familiar diante do impacto das apostas.

Caiado: regras mais rígidas e proibição de publicidade Ronaldo Caiado (PSD) dedica um tópico ao enfrentamento dos jogos e das apostas on-line como ameaça econômica, social e de saúde pública. O plano propõe endurecer a regulamentação e proibir a publicidade em veículos de comunicação de massa e nas redes sociais.

“Regulamentar e endurecer as regras, com máximo rigor, dos jogos e das apostas on-line, atividade inexistente no país até 2018 e hoje associada à lavagem de dinheiro, uso de contas de terceiros, manipulação de identidades, fraudes, evasão fiscal e riscos à integridade esportiva, com proibição da publicidade em veículos de comunicação de massa e em redes sociais”, afirma o documento, na página 19.

O programa também prevê prevenção, acolhimento e tratamento do jogo compulsivo, chamado de ludopatia. No trecho sobre superendividamento, menciona a criação de um teto, mas não informa o valor nem detalha como funcionaria. Outra proposta é a repressão às plataformas ilegais.

"Priorizar as ações do Ministério da Segurança Pública na repressão das plataformas ilegais de jogos e apostas, com trilha de inteligência financeira dedicada ao setor, mecanismos céleres de bloqueio administrativo e judicial, interrupção de fluxos financeiros, responsabilização de operadores clandestinos, combate à publicidade irregular e cooperação internacional permanente", detalha o programa.

Na área esportiva, o texto prevê monitorar apostas e combater a manipulação de competições. Hertz e Edmilson: proibição e expropriação Os programas de Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) são os únicos entre os 13 analisados que propõem expressamente proibir as bets.

Ambos também defendem a expropriação de recursos ligados às empresas. O plano de Hertz prevê destinar o capital das bets e de seus proprietários a um fundo público de saúde para tratar a ludopatia. Também propõe impedir transações bancárias com essas empresas.

“Proibição das Bets, expropriação de seu capital e de seus proprietários e sua reversão a um fundo público de saúde para o tratamento de ludopatia, com a proibição aos bancos de realizarem transações financeiras a essas empresas”, afirma o documento, nas páginas impressas 26 e 27.

No programa de Edmilson, a proposta aparece em uma frase, sem detalhamento sobre a execução: “Proibição das BETs com a expropriação dos seus ativos.” O trecho está na página 13. Samara: críticas ao endividamento e ao vício O plano de Samara Martins (UP) critica as casas de apostas em um capítulo sobre acesso ao esporte.

O documento associa as bets à perda de renda dos trabalhadores, ao endividamento e ao vício. “Não bastasse, casas de apostas promovem um verdadeiro assalto do salário do trabalhador prometendo dinheiro fácil a quem apostar em jogos. O resultado é que milhões de pessoas estão endividadas e viciadas nas chamadas bets, um crime contra a economia popular que fica impune dado o imenso poder do capital na sociedade”, afirma o texto, na página 41.

Na sequência, o plano diz que é preciso “acabar com essa roubalheira” e democratizar o acesso ao esporte. Não apresenta, porém, uma proposta explícita de proibição ou detalha medidas de regulamentação das apostas. Grassi: investigação patrimonial e financiamento do esporte Wilson Grassi (Democrata) menciona casas de apostas nas propostas de combate ao crime organizado.

O documento inclui o setor entre os alvos de investigação patrimonial. “Prioridade de orçamento e de pessoal para investigação patrimonial: laranja, empresa de fachada, posto de combustível, transportadora, clínica, casa de apostas”, diz o plano, na página 21.

Na área esportiva, o programa discute os efeitos de redirecionar parte da arrecadação das apostas de quota fixa para fundos de segurança pública. O texto afirma que o governo precisa definir como financiar as duas áreas e remete essa discussão à negociação orçamentária do primeiro ano.

Seis planos apresentados ao TSE não mencionam o tema Nos documentos de Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Pablo Marçal (PRTB), Clariana Barão (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO), o g 1 não encontrou menções específicas a bets, apostas on-line ou jogos de azar.

LEIA TAMBÉM: Bets e 'jogo do tigrinho' proibidos: tudo o que você precisa saber em 11 pontosApós TSE barrar Pablo Marçal, PRTB quer Leonardo Avalanche como candidato à presidência; troca tem voto favorável de relatoraGilberto Gil, Luisa Arraes, Caetano Veloso e mais artistas participam de campanha contra 'jogo do tigrinho' ASSISTA:

Leia a matéria completa em g1.globo.com

Recomendadas

Finanças

VÍDEO mostra bombeiro e estudante de medicina sendo rendidos no RJ

Finanças

PF investiga grupo por pressionar servidores em troca de apoio eleitoral

Geral

MC Paiva se defende na Justiça após processo de Malévola por transfobia