O excesso confunde. Flávio Bolsonaro se manter viável não se justifica pela falta de informação, mas pelo seu contrário. São muitas suspeitas, casos e investigações: milícia, rachadinha, mansão, chocolate, Master, Dark Horse. Episódios, períodos e situações jurídicas diferentes, que, ao invés de ampliar a rejeição, embaralham a percepção. Podem até parecer repetição, notícias velhas, pois têm sempre o mesmo protagonista bolsonarista.
Para todos esses casos, as mesmas respostas: isso é passado ou perseguição. Está consolidado para bolsonaristas e antipetistas e reforça a impressão de ultrapassado. Quando surgiram os áudios com Vorcaro, Flávio colecionou reações desastrosas. Mentiu e foi desmentido muitas vezes. Há que se reconhecer que o gerenciamento da crise melhorou. A cobertura da imprensa não faz diferença (e os influenciadores de esquerda precisam mudar).
O eleitor está cansado de notícias de corrupção? Esse tipo de informação deixou de acrescentar significado para ser o ruído na disputa eleitoral? Esta são apenas duas variáveis em um cenário muito mais complexo.
Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada hoje mostra que 43, 8% veem aliados de Bolsonaro mais envolvidos no Master; 43, 4%, os de Lula. Empate técnico. Para 52, 3%, crise no STF prejudica mais Lula; 20, 8% dizem afetar mais Flávio. Toda a crise do STF é impulsionada pelas revelações do celular de Vorcaro, mas o STF permanece como aliado do presidente por condenar os golpistas do 8 de janeiro.
Ainda hoje, a Atlas apontou que Lula tem 47, 7% e Flávio Bolsonaro 47, 4% no 2 º turno. Lula voltou a passar Flávio numericamente, mas os dois permanecem tecnicamente empatados.
Em dezembro, o PT comemorava os conflitos da direita com a escolha da candidatura de Flávio. Tarifaço, aumento da isenção do IR davam uma liderança folgada a Lula. Com candidatura mais conhecida, Flávio se aproximou. Em maio, com as denúncias de Dark Horse, Lula começou a se distanciar. A maré mudou. O custo de vida segue importunando o bolso dos brasileiros. E a eleição será apertada. Soberania, Trump, pandemia, as lembranças do péssimo governo Bolsonaro. Será que nada mais cola em Flávio?

