O MP-SP pediu a condenação do influenciador Renato Cariani por associação para o tráfico, tráfico de insumos e lavagem de dinheiro. A pena pode chegar a 51 anos. Segundo a promotoria, a empresa Anidrol simulou a venda de insumos químicos 59 vezes. O material era desviado para a produção de crack e cocaína. Mensagens obtidas revelaram a proximidade do influenciador com um policial civil. Os textos indicam que Cariani sabia do uso dos insumos no preparo de drogas. A defesa de Cariani afirmou receber a denúncia com naturalidade e buscará sua absolvição. O MP-SP também pediu a absolvição de duas ex-investigadas. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinado à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Em caso de condenação, a pena de Cariani pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Atualmente, ele responde o processo em liberdade. O influenciador é suspeito de participar de um esquema de desvio de produtos químicos para o narcotráfico produzir toneladas de drogas, especialmente crack e cocaína. Em nota enviada ao g 1, a defesa dele afirmou que o pedido do Ministério Público "não representa nenhuma surpresa" e que vai demonstrar, "com base na prova produzida ao longo da instrução", que as teses de acusação são improcedentes (leia íntegra abaixo). Além do empresário, a promotoria pede que os empresários Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira também sejam condenados pelos mesmos crimes, por participação no mesmo esquema. "Considerando o acolhimento integral do pedido acusatório, com a condenação por associação para o tráfico, por 59 crimes de tráfico de insumos e por 59 crimes de lavagem de dinheiro, a pena poderá variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão para cada réu, além das multas, desde que reconhecidas a continuidade delitiva nas duas últimas séries e o concurso material entre os três grupos, sem outras causas de aumento ou diminuição", explicou o advogado criminalista Anderson Almeida. "O ponto determinante é que, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça, sete ou mais infrações em continuidade delitiva justificam o acréscimo de dois terços, aplicado tanto ao cálculo mínimo quanto ao máximo. O máximo calculado corresponde à soma das penas na condenação e se distingue do limite legal de cumprimento disciplinado pelo artigo 75 do Código Penal, [que limita o cumprimento de pena a 40 anos]", completou. Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, que em dezembro de 2023 desmontou um esquema que desviada produtos químicos para produção de drogas. Na época, a Polícia Federal apontou que uma das empresas em que era sócio fraudava venda de insumos para empresas farmacêuticas e o material era desviado para o refino de cocaína. O nome da empresa é Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande São Paulo. Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), por 59 vezes a empresa de Renato Cariani simulou a venda de produtos para empresas que não tinham pedido os produtos e ele mesmo simulou pedidos fictícios para justificar os desvios. No pedido de prisão, o Gaeco afirma que mensagens extraídos do celular de Cariani mostra que ele tinha uma profunda amizade com o policial civil Anadré Dziuba, vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos usados para refino de drogas. Renato recebia informações acerca de diligências realizadas pelo policial, opinava sobre determinadas situações e chegava a indicar ou sugerir empresas que poderiam ser objeto de fiscalização, fato que, segundo o Gaeco, “evidencia que ele atuava para proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes que vendiam produtos químicos”. “As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, respondeu que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”, diz o Gaeco. “As mensagens do celular de Renato exteriorizam que ele sabia do controle pífio das retiradas da própria empresa”, argumentam os promotores. O que diz a defesa do influenciador Por meio de nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, diz “receber com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público”. “Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes”, disse Romani. “Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, declarou. O g 1 também tenta contato com a defesa de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira. Apesar do pedido de condenação dos três, o Gaeco pediu à Justiça a absolvição das Roseli Dorth - sócia de Cariani na empresa Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira, que na época também foram citadas nas investigações da Polícia Federal. Entenda investigação da PF As investigações contra a empresa começaram em 2019, quando a farmacêutica AstraZeneca procurou o Ministério Público para informar que a Anidrol, empresa do influencer, emitiu notas fiscais no ano de 2017 referente a movimentações de produtos químicos que não reconhecia como suas. Fábio seria um dos responsáveis por realizar depósitos em espécie na conta da Anidrol sobre responsabilidade da AstraZeneca em 2019. Segundo as investigações, Fábio Spínola criou um falso e-mail em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca, com quem a empresa de Cariani teria negociado a compra dos produtos. Além de ser também responsável pela venda dos produtos químicos, Fábio é apontado como intermediador no fornecimento das substâncias, sendo o elo entre a empresa e os compradores de crack e cocaína. Spínola era quem direcionava e negociava a entrega dos procutos químicos para o tráfico de drogas. Quem é o influenciador Renato Cariani é um dos principais nomes do mundo fitness. Ele é conhecido por ser o maior apoiador do fisiculturismo brasileiro. Cariani tem 50 anos e é casado com Tatiane Martines Cariani. Renato tem mais 11 milhões de seguidores no Instagram e 8 milhões de seguidores no canal do YouTube. Os vídeos relacionados ao mundo da dieta e do culto ao corpo acumulam 1 bilhão de visualizações. Nas redes sociais, ele se apresenta como professor de química, professor de educação física, atleta profissional, empresário e youtuber.
MP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
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