"Monstro da ZL" obrigava vítimas a segurar placa com nome escrito em sangue

"Monstro da ZL" obrigava vítimas a segurar placa com nome escrito em sangue

Nicolas Archanjo Silva, o “Monstro da Zona Leste”, preso por suspeita de estuprar uma adolescente de 16 anos, gravar e enviar imagens para grupos de redes sociais , obrigava crianças e adolescentes vítimas de automutilação a tirar fotos segurando placas com o seu “nick” (apelido criado no mundo digital) escrito sangue. Seria uma espécie de marca para mostrar que a vítima é “dominada” pelo suspeito.

Silva está preso desde a última terça-feira (15/9), no 67° Distrito Policial ( DP ), no Jardim Robru, após uma investigação sobre estupro de vulnerável ocorrido no dia 17 de agosto. Ele foi capturado no Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo .

Segundo a Polícia Civil, no caso de estupro, o suspeito atraiu a vítima à casa dele, deu bebidas alcoólicas e a estuprou. O acusado gravou o crime e divulgou em redes sociais. Em mensagens, Silva ameaçou matar a adolescente e expô-la aos familiares, caso fosse denunciado. Leia também São Paulo “Monstro da ZL”: homem é preso por estuprar adolescente e divulgar vídeo São Paulo Eleições: TRE altera mais de 100 locais de votação em SP São Paulo Moradores voltam para casa em Eldorado, mas SP ainda tem cidades alagadas São Paulo Operação Paese é acionada após falha elétrica na Linha 4-Amarela de metrô

A coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), órgão vinculado à Secretaria da Segurança Pública ( SSP ), a delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, afirmou aoMetrópoles que o suspeito era monitorado havia seis meses.

Além da jovem de 16 anos estuprada, a polícia identificou pelo menos outras duas vítimas fora do estado de São Paulo.

“Ele [Monstro da Zl] induzia adolescentes à automutilação, além de fazer com que eventuais irmãos mais novos dessas vítimas segurassem placas com o nome dele”, explicou a delegada.

As investigações também apuram o envolvimento dele em uma rede de compartilhamentos ilegais. Segundo o Noad, ele era líder de servidores no Discord, plataforma gratuita de comunicação que permite conversar por texto, voz e vídeo com amigos e comunidades.

A delegada Colabuono afirmou que o suspeito responde por crimes diversos, todos tendo como alvo crianças e adolescentes.

“Estupro de vulnerável, inclusive por meio digital, zoosadismo, indução à automutilação de crianças e adolescentes”, explicouuma das principais autoridades do estado de São Paulo no combate aos crimes virtuais .

“A temporária tem que ser convertida em preventiva. São crimes graves. Foram apreendidos celulares e que estão sob análise. Todos têm conteúdos nazistas”, revelou Colabuono.

Em agosto, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que o Discord suspendesse a função de transmissão de lives no Brasil. A medida continua em vigor no país. Problemas no Discord, segundo a ANPD Na nota técnica que embasou a suspensão de lives no Discord, a ANPD argumenta que o sistema automatizado da plataforma falhou ao avaliar o episódio grave de uma adolescente de 13 anos e que a empresa não demonstrou ter mecanismos suficientes para identificar e interromper situações de risco envolvendo menores de 18 anos. O documento destaca que um “fato gravíssimo recebeu uma sinalização de risco erroneamente baixa” e atribui o resultado à forma como o sistema automatizado foi configurado. Em sua conclusão, a área técnica classifica o episódio como um “falso negativo relevante”. De acordo com a área técnica da ANPD, o mecanismo funciona com um limite que “privilegia a redução de falsos positivos”. Isso significa que o sistema procura evitar alertas indevidos, mas pode deixar de identificar situações reais de risco. Para a agência, esse calibramento não é adequado quando há possibilidade de lesão grave, automutilação ou morte de uma criança ou adolescente. Parte da preocupação da ANPD está na forma como o Discord identifica possíveis ameaças em comunicações protegidas por criptografia. A ANPD também considera insuficiente depender de denúncias feitas pelos participantes de uma transmissão. A área técnica aponta que esse sistema pressupõe que alguém reconheça a violação, não esteja envolvido nela, tenha condições emocionais de reagir, conheça o mecanismo de denúncia e confie que a plataforma atuará a tempo. A supervisão parental também foi considerada insuficiente para enfrentar os riscos específicos das transmissões ao vivo. Segundo a área técnica, esse recurso “não oferece solução apta a garantir a proteção de crianças e adolescentes” nessas funcionalidades.

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