Lula reúne jovens influenciadores eleitos; aliados de Flávio organizam reação nas redes

Lula reúne jovens influenciadores eleitos; aliados de Flávio organizam reação nas redes

Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram a disputa digital no segundo turno. Ambas as candidaturas mobilizam influenciadores e grupos de WhatsApp para ampliar o alcance. Lula reuniu-se nesta quarta-feira (7) com uma força-tarefa de jovens influenciadores eleitos em Brasília.

O grupo planeja ações coordenadas nas redes sociais até nesta sexta-feira (9). Canais de WhatsApp como "Exército do Lula", de André Janones, e "Tropa do Flávio" organizam apoiadores. Os grupos de mensagens distribuem conteúdos e articulam compartilhamentos. Nesta quinta-feira (8), Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira publicaram vídeos criticando as ações petistas.

A campanha monitora a circulação de boatos e áudios manipulados. Na primeira semana do segundo turno, a disputa digital entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou novas frentes, dos QGs de campanha aos canais de WhatsApp. O presidente passou a gravar vídeos em formato de selfie e reuniu jovens influenciadores eleitos para reforçar sua presença nas redes sociais.

Do lado de Flávio, aliados organizam respostas às publicações de Lula e convocam apoiadores para ampliar o alcance dos conteúdos favoráveis ao candidato. As duas candidaturas também contam com canais de WhatsApp, com o “Exército do Lula” e a “Tropa do Flávio”, usados por apoiadores para distribuir conteúdos, organizar ações de compartilhamento e ampliar o alcance das publicações nas redes sociais.

Integrantes das equipes dos dois presidenciáveis afirmam que essas iniciativas não fazem parte das campanhas oficiais. Força-tarefa digital de Lula A campanha petista montou uma sala em sua sede, em Brasília, para receber integrantes de uma força-tarefa digital formada por influenciadores e jovens políticos eleitos.

O grupo se reuniu com Lula na quarta-feira (7) e deve permanecer na capital federal pelo menos até esta sexta-feira (9). “Virou a chave da campanha, passamos do analógico para o digital”, afirmou Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT. Segundo ele, o resultado do primeiro turno impulsionou uma mudança na estratégia que poderia não ocorrer caso Lula tivesse terminado à frente do adversário.

“Se tivéssemos ficado em primeiro lugar, a campanha teria continuado sendo feita do jeito que estava e não teríamos para onde crescer”, disse. A avaliação é compartilhada pela deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), que defende uma atuação mais intensa da esquerda nas plataformas digitais, espaço em que, segundo ela, a direita ganhou força a partir das eleições de 2018.

“Obviamente que rede social não é tudo, mas rede social é muita coisa e eu costumo dizer que o único lugar que nós perdemos foi nas redes”, afirmou. Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, ela disse que ainda há tempo para a esquerda ampliar sua presença e disputar espaço nas plataformas.

A deputada eleita Luna Zarattini (PT-SP) afirmou que o encontro marcou o início de uma atuação mais coordenada nas redes sociais, com foco também nos eleitores que não votaram no primeiro turno. "Enxergamos esse encontro como a primeira ação digital”, disse. O deputado eleito Jones Manoel (PSOL-PE) disse que parlamentares de esquerda discutiram estratégias para ampliar a votação de Lula entre pessoas de baixa renda, mulheres e jovens, além de dar mais destaque a propostas como tarifa zero no transporte público, redução do custo de vida e geração de empregos.

Também nas redes, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), eleita com mais de 1, 5 milhão de votos, tem mobilizado seus mais de 5, 4 milhões de seguidores no Instagram para integrar grupos e comunidades digitais voltados à campanha de Lula no segundo turno.

A iniciativa busca ampliar a articulação de apoiadores e fortalecer a mobilização eleitoral nas plataformas digitais. A mobilização digital também conta com o deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), que comanda o canal de WhatsApp “Exército do Lula”.

Criado em abril, o espaço é usado para orientar apoiadores, estabelecer metas de compartilhamento e ampliar a circulação de conteúdos da campanha nas redes sociais. A reação da 'Tropa do Flávio' Em resposta ao canal de Lula, o PL criou o canal “Tropa do Flávio”.

O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) tem divulgado a iniciativa nas redes sociais e gravou um vídeo convocando apoiadores a participar. Na gravação, acusou o PT e Lula de criar uma “milícia digital” para espalhar informações falsas sobre Flávio Bolsonaro. “É aqui que nós vamos contrapor esse pessoal”, afirmou Gayer.

“Vamos encher esse canal, vamos superar o canal do Lula na nossa missão. A gente não pode esfriar a nossa militância”, acrescentou. Nesta quinta-feira (8), Nikolas Ferreira (PL), eleito com mais de 3 milhões votos e uma das lideranças bolsonaristas mais ativas nas redes sociais, com mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, publicou um vídeo em que contesta, ponto a ponto, as declarações de Lula em uma de suas novas publicações.

O próprio Flávio Bolsonaro também criticou a mobilização digital petista e acusou o partido de disseminar informações falsas. “Vocês estão vendo aí a grande facção digital que o PT criou para inventar um monte de fake news, espalhar essas fake news por aí. É uma atrás da outra”, afirmou em live nesta quinta-feira (8), ao pedir que apoiadores participem de sua comunidade no WhatsApp.

O empresário Pablo Marçal, que apoia Flávio desde setembro, também divulgou o canal em vídeo e convocou seguidores a participar da comunidade. Marçal tentou disputar a Presidência pelo PRTB, mas teve a candidatura barrada pelo TSE. O senador eleito Guilherme Derrite (PP) afirmou que também prepara um vídeo para rebater o novo lema petista, “Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão”, e questionar o histórico dos governos do PT na segurança pública.

Além do engajamento nas redes sociais, a campanha de Flávio Bolsonaro monitora a circulação de informações falsas sobre o candidato. Entre os episódios monitorados estão a alegação de que ele retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, caso fosse eleito, e um vídeo com áudio manipulado por inteligência artificial em que Flávio supostamente afirma que cortaria o 13 º salário e as aposentadorias.

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