O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Em entrevista ao Jornal da Record, nesta terça-feira (15/9), o chefe do Planalto defendeu a reforma no Poder Judiciário e voltou a cobrar rigor nas investigações. O presidente afirmou que é preciso “investigar a todos, sem distinção”.
“Não há como o povo brasileiro ficar vendo a Suprema Corte perder credibilidade na sociedade. A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo. Ora, então que se apure, se apure com todo o rigor”, disse o presidente.
Lula também mencionou a quebra de sigilo no âmbito do caso Master. Anteriormente, ele havia se queixado de “vazamentos seletivos” sobre as investigações. Nesta terça, o presidente citou nominalmente o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e sugeriu que o magistrado contribuiu com os vazamentos.
“Abra-se o sigilo de telefone de todo mundo. Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando aquilo que interessava a ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem estava metido nisso. Por que o Toffoli não votou? Por que o Kassio não votou?”, questionou.
Ainda durante a entrevista, o candidato à reeleição defendeu uma mudança nos critérios de escolha de magistrados em diferentes instâncias do Judiciário.
“O Poder Judiciário precisa virar exemplo e não contribuir para a desconfiança da sociedade”, disse Lula. Julgamento indefinido
O julgamento sobre a abertura da investigação contra Moraes terminou indefinido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino . Parte dos magistrados defenderam que o caso fosse analisado junto ao processo para apurar a conduta de André Mendonça, em sessão prevista para o dia 23 de setembro. O placar, até o momento, é de 4×3 para manter os casos separados. Votaram pelo julgamento conjunto: Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Votaram contra o julgamento conjunto: Edson Fachin, Luiz Fux, André Mendonça e Cármen Lúcia. Flávio Dino votou pelo julgamento conjunto. No entanto, com o pedido de vista, o voto não foi contabilizado. O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido para julgar Moraes. Já Dias Toffoli alegou suspeição. Com isso, os dois não votaram no julgamento. Leia também Brasil Ataque indireto a Flávio: Lula resgata “fila do osso”, Covid e desmatamento Brasil Flávio comenta julgamento no STF e diz que Lula dividiu poder com Moraes Brasil Cármen Lúcia pede desculpas e diz que STF causou “mal-estar cívico” ao país Brasil Dino pede vista e chama de “desastrada” sessão do STF sobre Moraes
A sessão desta terça foi marcada por tensões entre os ministros. Em diferentes momentos, houve bate-boca e troca de acusações.
Moraes chamou a investigação de “fraudulenta” e classificou a condução de André Mendonça, relator do caso, como “mafiosa”. Gilmar Mendes também entrou em confronto com Mendonça e afirmou haver “um viés político eleitoral” na forma como o caso foi conduzido.
Mendonça rebateu ambas as alegações e classificou a fala de Gilmar como “leviana”. Ele e Fux citaram a existência de uma Polícia Federal (PF) “paralela”, voltada ao monitoramento de ministros da Corte.

