A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos,teve a intenção de matar a ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio , de 31, durante uma abordagem em abril deste ano em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo . 4 imagens Fechar modal. 1 de 4
Caso Thawanna: IML aponta hemorragia interna como causa da morte de mulher baleada por policial Reprodução/Facebook 2 de 4
Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos Reprodução / Instagram @_lorinha_14/ 3 de 4
Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos Reprudção / Facebook @thawanna. salmazioo 4 de 4
Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos Reprudção / Facebook @thawanna. salmazio
O relatório apontou indícios de transgressão disciplinar, crime militar, crime comum e possível homicídio doloso qualificado e afirmou não haver elementos que comprovem que Yasmin agiu em legítima defesa. Procurada peloMetrópoles , a defesa da soldado ainda não respondeu o pedido de pronunciamento da reportagem.
O documento foi remetido ao Tribunal de Justiça Militar e, até o momento, não houve pedido de prisão preventiva. Em nota, a Justiça Militar do Estado de São Paulo informou não ter recebido o indiciamento.
Segundo os advogados da família de Thawanna, a investigação foi contundente ao registrar que até o presente momento não foram encontrados elementos seguros capazes de demonstrar a existência de agressão com potencial letal ou de risco iminente que justificasse o emprego da força letal contra a vítima.
Além do inquérito policial, ainda há um inquérito civil em andamento pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa ( DHPP ). 8 imagens Fechar modal. 1 de 8
Abordagem começou após policiais baterem retrovisor no braço de homem Reprodução/ TV Globo 2 de 8
Durante a abordagem, a agente Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e participou da briga Reprodução/ TV Globo 3 de 8
A policial Yasmin Cursino Ferreira apontou a arma para vítima Reprodução/ TV Globo 4 de 8
Policial militar perguntando para colega se ela tinha atirado contra mulher em abordagem Reprodução/ TV Globo 5 de 8
PM parada na rua após atirar em mulher em abordagem Reprodução/ TV Globo 6 de 8
Thawanna da Silva Salmázio agonizou por cerca de 30 minutos antes de ser socorrida Reprodução/ TV Globo 7 de 8
Caso Thawanna: policial diz sofrer ameaças e pede que processo corra em segredo de justiça Reprodução/ TV Globo 8 de 8
A policial Yasmin Cursino Ferreira teve a arma recolhida Reprodução/ TV Globo
Yasmin Cursino e outro policial envolvidos no caso seguem afastados das atividades. Ela acompanha os desdobramentos do caso recolhida em casa e está proibida de portar arma de fogo, por determinação judicial. Segundo apuração do colunista Alfredo Henrique, doMetrópoles , a soldado está grávida do primeiro filho . Início da briga
Uma câmera de segurança registrou o diálogo entre Thawanna Salmázio e policiais militares antes de a mulher ser morta com um tiro da soldado Yasmin Cursino.
No início do vídeo, é possível ver o casal de mãos dadas, na Rua Edimundo Audran, às 2 h 58. Eles caminham até um ponto fora do alcance das câmeras. Logo em seguida, uma viatura da Polícia Militar passa. Mesmo fora da imagem, parte de umadiscussão é registrada em áudio (assista acima) . Leia também Alfredo Henrique Grávida, PM que matou Thawanna segue desarmada e recolhida em casa Alfredo Henrique Caso Thawanna: PM descumpre ordem judicial há 2 meses e trava perícia São Paulo Caso Thawanna: PM diz sofrer ameaças e defesa pede segredo de justiça São Paulo Caso Thawanna: perícia independente acusa contradições em versão da PM
Em um dos trechos audíveis, Thawanna diz: “Com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi”. Uma voz feminina, que seria da policial, responde. A partir daí, a discussão escala para gritos. “Vai agredir? Vai agredir?”, diz Luciano. Segundos depois, ouve-se um disparo. Relembre o caso Imagens da câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, que acompanhava Yasmin Cursino Ferreira no momento da abordagem, mostram que Thawanna e o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, caminhavam pela rua Edimundo Audran, em Cidades Tiradentes, em 3 de abril de 2026, quando a viatura passa e o retrovisor esbarra no braço de Luciano. Yasmin não usava bodycam. O soldado, que dirigia o carro, dá a ré e se dirige ao casal: “A rua é lugar para vocês estarem andando, c*?”. Luciano responde: “Ô, Steve”, usando uma gíria utilizada por policiais para se referirem aos colegas de farda. “Steve é o c*”, rebate Weden. A ajudante-geral, então, intervém: “Não, com todo o respeito, vocês que bateram em nós”. Pouco depois, Yasmin, que estava no banco do passageiro, sai do veículo. Ela e a vítima começam a bater boca. Em outro momento, é possível ouvir o barulho do disparo. Na sequência, Thawanna aparece caída no chão. A vítima chegou a ser socorrida ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. Ela aguardou cerca de 30 minutos pelo resgate . O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a ajudante-geral morreu de hemorragia interna aguda. Yasmin Cursino foi afastada das atividades depois da morte de Thawanna Salmázio . Ela se tornou alvo de um inquérito policial militar e de um inquérito conduzido pela Polícia Civil. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) também afirmou que investigaria o episódio.

