Hugo Bonèmer fala sobre desafio de viver Marcelo Rubens Paiva no teatro

Hugo Bonèmer fala sobre desafio de viver Marcelo Rubens Paiva no teatro

Prestes a interpretar Marcelo Rubens Paiva no musical Feliz Ano Velho, Hugo Bonèmer quer ir além do que o escritor contou no livro que deu origem ao espetáculo. Em entrevista aoMetrópoles , o ator revelou que pretende levar aos palcos detalhes da vida de Marcelo que ficaram de fora do romance autobiográfico, publicado em 1982.

A nova versão de Feliz Ano Velho estreia em São Paulo em 19 de setembro e fica em cartaz até 22 de novembro. O espetáculo é baseado no relato de Marcelo sobre o acidente que o deixou tetraplégico aos 20 anos e nas lembranças de sua juventude, além de abordar a história da família Paiva durante a ditadura militar.

O elenco conta ainda com Heloísa Perissé no papel de Eunice Paiva e Bruno Garcia como Rubens Paiva.Ao se preparar para interpretar o próprio autor da obra, Hugo se deparou com uma questão: até que ponto deve reproduzir o homem real e quando precisa enxergá-lo como personagem?

“Em algum momento eu preciso me descolar da ideia de que ele [Marcelo] está ali vivo, vai assistir [ao musical] e vai ver se eu estou imitando ele ou não, para poder tratar ele também enquanto um personagem […] Porque a gente está fazendo ficção, não é um documentário. Então, temos essa liberdade, dentro do respeito. Eu quero saber o que ele não conta no livro”, pontuou Hugo.

A oportunidade de descobrir essas histórias surgiu no evento de lançamento da nova montagem de Feliz Ano Velho , realizado em São Paulo. Hugo encontrou Marcelo pessoalmente e aproveitou para fazer perguntas sobre aspectos da vida do escritor que não aparecem no livro.

Uma delas foi sobre a relação de Marcelo com a mãe, Eunice Paiva. O ator queria entender como era a convivência entre os dois longe da imagem mais conhecida da família. 6 imagens Fechar modal. 1 de 6

Prestes a viver Marcelo Rubens Paiva no musical Feliz Ano Velho, Hugo Bonèmer revelou ao Metrópoles que, na peça, quer levar aos palcos o que o escritor deixou de fora do livro, lançado em 1982 Malu Lopes/ Metrópoles 2 de 6

O espetáculo é uma adaptação do romance autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva que fica em cartaz em São Paulo de 19 de setembro a 22 de novembro Divulgação 3 de 6

Enquanto se prepara para dar vida ao protagonista e autor do texto original, Bonèmer avalia o quanto deve tratar o Marcelo como personagem e o quanto deve tratá-lo como biografado Malu Lopes/ Metrópoles 4 de 6

No evento de lançamento da nova versão de Feliz Ano Velho, realizado em São Paulo, o ator pôde encontrar o escritor e aproveitou para fazer algumas perguntas sobre a vida dele que não estão na obra de 1982 Malu Lopes/ Metrópoles 5 de 6

O ator Bruno Garcia que, no musical, dá vida à Rubens Paiva, um dos desaparecidos da ditadura militar, acredita que a politização não deve interferir em como o público vai receber o espetáculo Divulgação 6 de 6

Heloísa Perissé, que vai viver Eunice Paiva nos palcos, acredita que Feliz Ano Velho e a opinião política do próprio Marcelo são coisas completamente independentes Divulgação

“Eu queria muito saber como era a relação dele com a mãe. Se era uma relação hierárquica, do tipo ela era muito séria com ele e ele obedecia ou se ele ficava sacaneando a mãe. E ele falou que ficava. Isso não está no livro. Eu descobri isso hoje aqui e vou levar para a peça com certeza”, admitiu Hugo. Espetáculo politizado

Embora Feliz Ano Velho seja centrado na experiência pessoal de Marcelo, o livro também apresenta opiniões políticas do autor, que se tornou conhecido por seu posicionamento de esquerda. A nova montagem ainda traz para o palco a história de Rubens Paiva, pai de Marcelo e um dos desaparecidos políticos durante a ditadura militar.

Bruno Garcia, que interpreta Rubens Paiva no musical, rejeita a ideia de que a montagem esteja inserida em uma disputa entre direita e esquerda. Para o ator, o debate atual vai além da polarização política e envolve a defesa da democracia e dos direitos.

“Não acho que a gente esteja vivendo uma polarização. O que a gente tem é um campo completamente interessado em manter a democracia, os direitos, a diversidade, e um outro que quer destruir isso tudo, declarou. Bruno Garcia, ator

“Não é uma questão de direita e esquerda, é uma questão de democracia e fascismo. Então, as pessoas que têm em mente a ideia de que ‘não vão ver alguma coisa porque é esquerdista’, eu até prefiro que não vejam […] Então, se você é fascista, não vá ver. Vá fazer outra coisa mesmo”, aconselhou. Leia também Entretenimento “Além da cadeira de rodas”, diz autor de Feliz Ano Velho sobre musical Televisão Netflix anuncia adaptação de Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva Celebridades Ator cadeirante critica escalação de peça sobre Marcelo Rubens Paiva São Paulo Marcelo Rubens Paiva critica falta de acessibilidade no Metrô de SP

Heloísa Perissé, que interpreta Eunice Paiva, também separa a trajetória da família retratada no musical das posições políticas de Marcelo. Para a atriz, o centro da montagem está nas relações humanas e na capacidade de resistência diante das adversidades.

“O foco é no amor e nos grandes mestres que vieram ao mundo ensinar que a gente pode vencer uma batalha sem pegar uma arma”, opinou.

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