Hopi Hari omitiu existência de imagem crucial à investigação, diz advogada

Hopi Hari omitiu existência de imagem crucial à investigação, diz advogada

O Hopi Hari , parque de diversões em Vinhedo, interior de São Paulo , é acusado de omitir a existência de imagens essenciais para a investigação do caso de Júlia Bossoni, que perdeu os movimentos corporais após andar na montanha-russa Montezum — maior montanha-russa de madeira da América Latina.

De acordo com a Dra. Luana Bossoni, responsável pelo caso , a empresa teria negado a existência de imagens que filmassem a descida do brinquedo, momento que teria causado um traumatismo craniano em Júlia, fazendo-a convulsionar. No entanto, posteriormente, foi encontrada umacâmera terceirizada no parque, que filma o exato trajeto e que não foi mencionada à polícia pelo Hopi Hari , de acordo com a advogada.

O inquérito policial ao qual oMetrópoles também pontua as poucas imagens apresentadas pelo parque. Segundo a pasta, foram apresentadas pela empresa apenas imagens da atração que mostram trechos anteriores e posteriores ao percurso, sem apresentar imagens relacionadas à descida da montanha-russa, justamente trecho de especial relevância para a investigação da dinâmica do ocorrido.

Como justificativa às autoridades policiais, a empresa afirmou que “a atração não possui câmeras no percurso após a primeira descida, apenas nos trechos apresentados”. O ponto foi contestado pela Justiça, uma vez que a atração Montezum é conhecida pela disponibilização e comercialização de fotografias dos passageiros no trajeto do brinquedo. Além disso, há indicação no mapa oficial do parque de estabelecimento denominado “Montezum Shopi”, destinado à comercialização de lembranças e fotografias realizadas durante a experiência na atração.

Para Luana Bossoni, a não apresentação das imagens e da existência de uma câmera pode indicar uma tentativa de omitir provas.

Em nota aoMetrópoles , o Hopi Hari afirma que as “imagens das câmeras do parque foram devidamente apresentadas em ação de produção antecipada de provas ajuizada pela família de Julia, tanto que foram exibidas pela imprensa. A comercialização de fotografias é feita por uma empresa terceirizada e se presta a finalidade específica de registrar fotos em determinados pontos do percurso”.

A empresa diz “lamentar profundamente o ocorrido com Júlia Bossoni e se solidariza com ela e seus familiares neste momento. O parque que tem como premissa principal a segurança e bem estar de seus usuários, segue acompanhando a situação com atenção e respeito. Após conversas com os familiares, o parque identificou uma lacuna, entre a saída do hospital em Vinhedo e o início da fase de recuperação em sua cidade natal. Em função disso, a direção do Hopi Hari irá custear as despesas de Júlia em seus cuidados essenciais. O pagamento será retroativo à data de alta do hospital em Vinhedo”.

“Em relação ao processo referente ao pagamento de indenização à família, a questão segue os trâmites naturais. Vale lembrar que, até o último dia de permanência de Julia e seus familiares em Vinhedo, todas as despesas de hospedagem, alimentação e custos para o suporte necessário à Júlia durante a internação foram honrados. o Hopi Hari prestou atendimento imediato após o episódio, realizou os primeiros socorros no ambulatório do parque e providenciou seu encaminhamento à Santa Casa de Vinhedo. A direção acompanhou o atendimento e manteve contato com a família durante o período de permanência da visitante em Vinhedo”, finaliza o Hopi Hari. Leia também São Paulo Acidente de trânsito com 3 veículos deixa 2 mortos em Taboão da Serra Distrito Federal Três pessoas ficam feridas em acidente na BR-070, em Taguatinga Celebridades Filho de Virginia Fonseca sofre acidente em casa e vai parar no hospital Esportes Pilotos trocam socos em confusão após acidente na Nascar Series Cup Entenda o caso A jovem Júlia Bosssoni, de 28 anos, perdeu os movimentos corporais após andar em uma montanha-russa do Hopi Hari , parque de diversões em Vinhedo, interior de São Paulo . O Ministério Público de São Paulo investiga o caso. Júlia e seu marido, João Pedro Bossoni, são de Londrina, no Pará, e viajaram até São Paulo para conhecer o parque em abril deste ano. Segundo o inquérito policial, os jovens passaram o dia no local e andaram em todos os brinquedos. Ao fim do dia, decidiram voltar à montanha-russaMontezum — a maior montanha-russa da América Latina, com 42, 4 metros de altura e queda de 44, 5 metros — já que haviam ganhado um passe VIP para mais uma rodada no brinquedo, sem precisarem enfrentar fila. Enquanto andavam na Montezum,Júlia começou a convulsionar. Ao perceber o estado da companheira, João chamou ajuda médica. No ambulatório do parque, os funcionários não conseguiram colocar oxigênio em Júlia, que posteriormente foi levada à Santa Casa de Vinhedo, onde foi constatado um traumatismo cranioencefálico (TCE) O hospital concluiu que o quadro foi provocado por um contragolpe na montanha-russa (provocado pelos fortes solavancos do brinquedo), uma vez que não foi encontrada nenhuma má formação que justificasse o quadro de Júlia.No hospital, Júlia precisou realizar uma cirurgia para retirar parte do crânio, devido a um hematoma no lóbulo frontal, que gerou hemorragia grave. Após a primeira intervenção, a jovem foi levada ao hospital da Unimed de Londrina, onde continuou os tratamentos. Segundo o depoimento de seu companheiro, em agosto deste ano, Júlia já se encontrava em um estado crítico, reagindo pouco a estímulos externos. Ainda em Vinhedo, a jovem precisou colocar drenos no cérebro, para evitar o acúmulo excessivo de líquidos. Após aproximadamente 60 dias na UTI, Júlia retornou a Londrina, onde iniciou a reabilitação, com fisioterapias e tratamentos em casa. No entanto, após um dos drenos infeccionar, a jovem precisou realizar um novo procedimento cirúrgico, que colaborou com o agravamento do seu quadro neurológico. Júlia perdeu a movimentação do lado esquerdo do corpo e desenvolveu dificuldades para se alimentar e falar. A família afirma que a jovem não possuía problemas de saúde anteriormente. Em nota sobre o caso, o Hopi Hari afirma que as “imagens das câmeras do parque foram devidamente apresentadas em ação de produção antecipada de provas ajuizada pela família de Julia, tanto que foram exibidas pela imprensa. A comercialização de fotografias é feita por uma empresa terceirizada e se presta a finalidade específica de registrar fotos em determinados pontos do percurso”.

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