O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo , afirmou, nesta quinta-feira (24/9), que o nível de endividamento das famílias brasileiras exige atenção e defendeu a adoção de medidas voltadas à prevenção e à melhoria das condições de concessão de crédito .
Segundo ele, o avanço do crédito nos últimos anos está associado a um processo mais amplo de inclusão financeira, e por consequência, endividamento e crédito predatório.
“O processo de inclusão bancária, aliado a inovações tecnológicas e a condições favoráveis no mercado de trabalho, impulsionou o acesso das famílias ao crédito, contribuindo para a elevação do endividamento e do comprometimento de renda nos últimos anos”, disse durante coletiva de imprensa para detalhar oRelatório de Política Monetária .
De acordo com ele, apesar dos ganhos relevantes em termos de acesso a serviços financeiros, houve também elevação do nível de comprometimento da renda das famílias. Leia também Brasil CNI diz que redução de juros é tímida e não muda cenário de endividamento Brasil BC prepara medidas para enfrentar endividamento das famílias Brasil Endividamento elevado preocupa Banco Central, que diz “preparar medidas”
“Mais recentemente, o aumento do custo do crédito ao longo do ciclo de aperto monetário e a expansão da demanda por crédito emergencial, tipicamente mais caro, também contribuíram para a elevação do comprometimento da renda ao nível recorde atual”, destacou.
Diante desse quadro, o presidente do BC indicou que a resposta da autoridade monetária devepriorizar medidas de caráter preventivo , com foco na qualidade do crédito e na proteção dos consumidores.
“Se não tiver medidas macroprudenciais,dificilmente essas pessoas vão conseguir escapar desse ciclo ”, alertou.
Galípolo acrescentou que iniciativas de transparência e educação financeira também devem fazer parte da estratégia de medidas preventivas e de transparência, que criem consciência por questões de cidadania financeira.
A avaliação do BC é de que o desafio está em equilibrar a ampliação do acesso ao crédito, com a sustentabilidade financeira das famílias.
Nesse sentido, a autoridade monetária tem discutido aprimoramentos regulatórios que incentivem práticas mais responsáveis na concessão de empréstimos, sem restringir o acesso de forma abrupta.

