Fetiche em cigarro: busca por conteúdo cresce 58% e gera alerta sobre saúde

Fetiche em cigarro: busca por conteúdo cresce 58% e gera alerta sobre saúde

Além de voltar a ser apontado como tendência nas redes sociais,o cigarro também ganhou espaço no universo da pornografia. Segundo uma plataforma internacional de conteúdo adulto, a venda de materiais que envolvem o tema aumentou 58% neste ano —indicando uma demanda crescente pelo fetiche que associa sexo e cigarro. Essa naturalização e endeusamento do tabagismo, porém, expõe uma tendência que pode colocar a saúde em risco. Leia também Saúde Jovem é internado em estado grave após usar cigarro eletrônico por anos Saúde Vanilina de cigarro eletrônico pode alterar células-tronco de embriões Saúde Fumaça do cigarro chega até na bexiga e expõe todo o corpo a doenças Saúde Reino Unido aprova veto vitalício ao cigarro para uma geração inteira

No Reddit, alguns usuários debateram o assunto. “Não sei porquê, mas sempre que vejo uma mulher fumando, seja na vida real ou em filmes, acho super atraente e sexy, faz a garota parecer tão poderosa e descolada”, comentou um deles. “Nada mais sexy do que uma mulher bonita com um cigarro”, respondeu outro. 5 imagens Fechar modal. 1 de 5

O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) PeopleImages/Getty Images 2 de 5

Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar Yana Iskayeva/Getty Images 3 de 5

O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono Getty Images 4 de 5

É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade filadendron/Getty Images 5 de 5

No sexo, a liberdade permite testar novas posições e descobrir novas formas de prazer South_agency/Getty Images O que está por trás

Em entrevista a um portal internacional, a terapeuta Becky Crepsley-Fox afirmou que existe uma série de motivos para o fetiche . “Geralmente, é uma combinação de estética, psicologia e um pouco de condicionamento cultural”, destacou. “Para alguns, é puramente visual. Há algo que consideram elegante, quase cinematográfico, no próprio ato — a maneira como a respiração é inspirada e a fumaça exalada lentamente”, prosseguiu.

“Os lábios são uma das nossas áreas mais sensíveis e íntimas. O ato de enrolá-las em algo fálico e inalar lentamente a fumaça pode levar a imaginação diretamente ao sexo oral”, sugeriu sobre outro apelo envolvido.

AoMetrópoles , a psicóloga Mariana Ramos complementa a tese ao afirmar que as “telonas” têm contribuição nesse cenário.

Nesse caso,o cigarro costuma ser associado à autonomia, à sofisticação e ao poder. Esse tipo de atribuição, porém, acaba banalizando um comportamento nocivo à saúde física e mental — especialmente na adolescência. OMS pede medidas mais rigorosas para conter o avanço da nicotina entre jovens

“O jovem tende a absorver referências culturais de forma emocional antes mesmo de elaborar racionalmente os riscos envolvidos. Inicialmente, parece controle ou liberdade, mas pode se transformar em dependência física e emocional”, reforça a especialista do Afya Centro Universitário Itaperuna.

Performance não substitui saúde

Becky Crepsley-Fox também acrescentou que a junção de dois temas cercados por tabus , como sexo e cigarro, gera uma sensação derebeldia . “Nesse sentido, tem muito em comum com o sexo. O sexo é um comportamento humano totalmente natural que muitos de nós ainda sentimos que precisamos esconder, e para algumas pessoas essa qualidade proibida é exatamente o que as excita.” A associação entre sexo e cigarro negligencia os riscos

A terapeuta britânica, no entanto, ressaltou que não é porque alguém acha o comportamento atraente que, necessariamente, tem o fetiche. “Pode ser para alguns, porém, para muitos outros é apenas algo que consideram sexy, em vez de algo sem o qual não conseguem ter relações sexuais”, afirmou.

Mariana encerra ao lembrar que o combate ao tabagismo começa com a autorreflexão. Ou seja, não é demonizar pessoas que fumam ou culpá-las, e simavaliar que nem sempre o que é bonito é saudável na vida real.

“Em tempos em que tendências digitais moldam comportamentos rapidamente, talvez a grande reflexão seja: o que estamos romantizando sem perceber as consequências? E mais importante: quais referências queremos fortalecer para as próximas gerações?”, conclui.

Leia a matéria completa em metropoles.com

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