Família Possebon: PF mira blogueiras e irmãos por venda de cassiterita

Família Possebon: PF mira blogueiras e irmãos por venda de cassiterita

Além de Alexandre Pires, a 2 ª fase da Operação Disco de Ouro, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (23/9),tem como alvos Diego Possebon, Larissa Carvalho Possebon, Francine Possebon e Matheus Possebon, todos da mesma família .

A coluna apurou que os nomes das mulheres, que se apresentam nas redes sociais como influenciadoras digitais, aparecem nos autos como destinatárias de transferências feitas por outros investigados. Larissa Possebon é esposa de Diego, apontado como líder do esquema, enquanto Francine é irmã dele e de Matheus. Leia também Mirelle Pinheiro PCC: “Betinho da Baixada” é preso após fuga cinematográfica de delegacia Mirelle Pinheiro Entenda investigação contra Alexandre Pires por esquema com cassiterita Mirelle Pinheiro MPE denuncia advogado por inventar decisões para beneficiar pré-candidato Mirelle Pinheiro Veja antes e depois de “Yago Gordão”, criminoso do CE preso na Bolívia

Segundo a investigação, Diego era apontado como líder do esquema e responsável por intermediar a compra dos minérios extraídos da Terra Indígena Yanomami com as empresas MLS Berkowitz e Gerald. Ele também seria beneficiado diretamente com quantias milionárias.

Já os demais integrantes da família Possebon foram classificados pela investigação como testas de ferro ou laranjas conscientes.

No contexto da investigação, testas de ferro são pessoas usadas para aparecer formalmente em negócios, empresas, contas ou operações que, na prática, estariam sob controle de terceiros. Já os laranjas conscientes são aqueles que teriam conhecimento de que seus nomes ou dados estavam sendo utilizados para ocultar a origem de recursos.

Alexandre Pires também aparece no segundo grupo. Documentos obtidos pela coluna revelam que uma empresa do cantor, que à época tinha Matheus Possebon como empresário, teria recebido uma transferência de cerca de R$ 2. 534. 050 de investigados.

Em nota, porém, a defesa do artista afirmou que a relação profissional mantida com o empresário Matheus Possebon esteve restrita à intermediação da venda de shows do artista à época.

“Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor.”

A defesa ainda afirmou que o cantor “segue com tranquilidade sua vida pessoal e profissional, confiante no esclarecimento dos fatos e certo de que a verdade será devidamente demonstrada.” Disco de ouro

A investigação que deu origem à Operação Disco de Ouro começou após a apreensão, em janeiro de 2022, de cerca de 30 toneladas de cassiterita que, segundo a PF, haviam sido retiradas ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.

A primeira fase da Operação Disco de Ouro ganhou repercussão nacional ao atingir Alexandre Pires e Matheus Possebon. A informação de que o cantor estava entre os alvos foi revelada pela coluna.

A ação ocorreu em dezembro de 2023, quando policiais federais fizeram buscas no navio em que Alexandre Pires estava, em Santos, no litoral de São Paulo. Possebon, empresário ligado ao cantor, foi preso durante a operação.

Na época, a PF investigava um esquema suspeito de movimentar cerca de R$ 250 milhões com a exploração e comercialização ilegal de cassiterita retirada da Terra Indígena Yanomami.

A investigação apontava que o minério extraído ilegalmente em Roraima era declarado como se tivesse origem em uma área regular de garimpo em Itaituba, no Pará. Segundo a apuração, esse trajeto existiria apenas nos documentos usados para dar aparência legal à cassiterita.

Nesta segunda fase, deflagrada nesta quarta (23), são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores, autorizados pela Justiça Federal.

Segundo a PF, o grupo investigado teria usado empresas brasileiras e estrangeiras, contas de terceiros, operações financeiras internacionais e o chamado dólar-cabo para movimentar e esconder os recursos.

O dólar-cabo é um mecanismo informal de transferência de valores entre países. A investigação aponta que o dinheiro era pulverizado entre pessoas e empresas para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

A nova fase também apura o uso de documentos com informações falsas para dar aparência de regularidade a operações relacionadas à cadeia de comercialização e exportação de minérios.

Leia a matéria completa em metropoles.com

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