Em depoimento à PF, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou que o então governador Ibaneis Rocha pediu a estruturação da venda do banco ao Banco Master. A PF indiciou 15 pessoas nesta quarta-feira (28). Segundo as investigações, o BRB adquiriu R$ 9, 52 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. A defesa de Ibaneis Rocha afirmou que ele não pressionou ou interferiu no BRB. O contato ocorreu em um contexto natural e institucional. O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), pediu que ele estruturasse uma operação de venda do BRB ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo Paulo Henrique, o pedido foi feito durante um jantar na casa de Vorcaro, em 24 de setembro de 2024. Ele afirmou que foi convocado para o encontro pelo gabinete do governador e que tentou evitar a reunião porque estava viajando. 📱Baixe o app do g 1 para ver notícias do DF em tempo real e de graça. "No dia 24 de setembro [de 2024], eu recebo uma mensagem no meu celular que me convoca pra uma reunião à noite na casa do Daniel Vorcaro, do gabinete do governador Ibaneis Rocha. Eu até falo ‘puxa, eu tô viajando, tô na Bahia’, tenho que voltar correndo. Eu tento fugir, e não dava pra fugir do jantar", disse. De acordo com o ex-presidente do BRB, durante o encontro, Ibaneis pediu: "Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master". Paulo Henrique afirmou duranta o depoimento ter ficado "surpreso" ao perceber que esse episódio não constava, até aquele momento, na investigação. 🚨Em dado momento das transações, a operação foi invertida: os executivos passaram a negociar uma tentativa do BRB de comprar o Banco Master (veja abaixo).🚨O negócio foi anunciado e chegou a receber aval da Câmara do DF, mas foi barrado pelo Banco Central dias antes da liquidação do Banco Master e da operação Compliance Zero. Nesta quarta-feira (28), a Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas no inquérito principal do caso Master. O relato acrescenta à cronologia das negociações entre o BRB e o Master. Relatórios recentes da Polícia Federal apontam que a articulação para a operação já vinha sendo preparada em 2024 e que, em janeiro de 2025, Ibaneis participou de uma reunião com Paulo Henrique e Vorcaro, em Zurique, na Suíça. Novo encontro em Zurique 🔍 O relatório da Polícia Federal se baseia em mensagens obtidas nos celulares de Paulo Henrique Costa e de Daniel Vorcaro, dono do Master. Atualmente, ambos estão presos. O material reunido pela PF cita, ainda, uma outra reunião entre Vorcaro, Paulo Henrique e Ibaneis. Esta, em Zurique, na Suíça, já para negociar a compra do Master pelo BRB. Segundo a investigação, em: 20 de janeiro de 2025: Paulo Henrique Costa informou a Daniel Vorcaro que o governador Ibaneis Rocha havia pedido para marcar uma reunião (veja no print acima). 23 de janeiro: Daniel Vorcaro, Ibaneis Rocha, Paulo Henrique Costa e um quarto interlocutor, identificado no relatório apenas como "Leonardo", se encontram em Zurique, capital da Suíça. 26 de janeiro: Vorcaro encaminha uma mensagem a Paulo Henrique perguntando sobre a negociação – e diz que a pergunta veio do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Na conversa, segundo a PF, Paulo Henrique demonstra preocupação com o vazamento da tratativa, e diz que eles não ampliaram "o escopo das pessoas envolvidas no deal [na negociação]". De outubro de 2024 a fevereiro de 2025, segundo a PF, o BRB comprou R$ 9, 52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master. ➡️ Em um ano, esse montante alcançaria R$ 16, 7 bilhões, como já indicaram relatórios anteriores da PF sobre o caso. Atuação de Ibaneis Para a investigação, Ibaneis "não se limitou ao exercício regular de suas prerrogativas institucionais" e atuou de forma direta em quatro frentes: articulação com agentes privados. validação de "decisões operacionais críticas"; definição da estratégia de expansão do BRB; autorização dos montantes do aumento de capital; "As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação, antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública", diz a PF. "Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público", seguem os investigadores.'Captura institucional' A Polícia Federal conclui um dos relatórios afirmando que "o Banco Master passou a integrar, de forma indireta, a estrutura acionária do BRB". "[...] mediante utilização de fundos de investimento (notadamente Borneo, Verbier E Delta), estruturados com o propósito de ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada". Ainda sobre a participação de Ibaneis, a PF conclui que decisões estratégicas da relação BRB-Master eram submetidas à apreciação do então governador "antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública". "Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público", conclui a PF. O que diz a defesa de Ibaneis Rocha "A defesa do ex-Governador Ibaneis Rocha recebeu com tranquilidade o relatório da Polícia Federal divulgado na data de hoje, o qual corrobora, mais uma vez, aquilo que é apontado por esta defesa desde o início. Ibaneis Rocha não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência nas operações realizadas pelo BRB. Como se constata da leitura do documento, o ex-presidente do banco detinha total autonomia para condução das negociações em nome da instituição financeira. O contato com Ibaneis Rocha se deu em contexto natural, institucional e republicano, considerando os cargos ocupados por ambos. Por fim, importante ressaltar que o próprio relatório demonstra que Ibaneis Rocha não é interlocutor direto em nenhuma mensagem com Daniel Vorcaro e seu nome somente é mencionado pela Polícia Federal em quatro oportunidades, o que não permite imputar qualquer responsabilidade ao ex-Governador. Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay
Roberta Castro Queiroz
Marcelo Turbay Freiria
Liliane de Carvalho Gabriel
Álvaro Chaves
Ananda França de Almeida
Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados" O que diz a defesa de Paulo Henrique Costa "Paulo Henrique foi Presidente do BRB, no seu dono. Decisões dessa envergadura precisavam de aprovação do Conselho de Administração; e o acionista majoritário era o Governo do DF. Ainda que Paulo tivesse quisto fazer um negócio ilícito às escondidas com Vorcaro, teria sido parado no Conselho de Administração (de que faz parte o Governo do DF) e pelo sistema de governança interna. Por fim, Paulo segue confiante de que poderá apresentar a verdade dos fatos." Leia mais notícias sobre a região no g 1 DF.
Ex-presidente do BRB diz à PF que Ibaneis pediu venda do banco ao Master em jantar com Vorcaro
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