A poucos dias do primeiro turno das eleições brasileiras , uma empresa que presta serviços linguísticos a militares e órgãos de inteligência dos Estados Unidosabriu uma vaga para um instrutor de “português brasileiro” . O profissional selecionado dará aulas e atividades de interpretação e tradução durante um programa voltado a militares e profissionais do governo norte-americano.
A oportunidade foi publicada pela Ascensus Global, Inc ., empresa pertencente a veteranos com deficiência nos Estados Unidos. Segundo a descrição da vaga, a companhia presta serviços de treinamento em idiomas e cultura para mais de 40 clientes militares e de inteligência dos EUA, além de organizações governamentais, comerciais e sem fins lucrativos. Leia também Igor Gadelha Lula deixa região Norte para a última semana de campanha Mundo Com drones e mais orçamento, EUA reforça ação militar na América do Sul Mundo EUA põe Brasil em mapa de “combate ao terrorismo” nas Américas e apaga post
OMetrópoles acionou a empresa para questionar qual órgão ou agência do governo norte-americano será atendido pelo treinamento, qual é a finalidade do programa e se a contratação tem alguma relação com o Brasil ou as eleições de 2026.
Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.
O programa terá duração de três semanas, entre outubro e novembro de 2026. Uma das etapas será realizada de forma virtual e outras duas ocorrerão presencialmente em Montgomery, no estado do Alabama. As datas exatas ainda não foram divulgadas.
As despesas de viagem do profissional selecionado serão custeadas pela empresa.
A vaga exige fluência nativa em português , domínio avançado do inglês e experiência profissional no ensino do idioma para militares ou funcionários do governo. Também são exigidas experiência em tradução e interpretação entre português e inglês e capacidade para desenvolver materiais didáticos.
Entre as atividades previstas estão a preparação de conteúdos, aulas em português sobre temas definidos pelo programa, exercícios de interpretação, dramatizações e outras atividades destinadas à aplicação prática do idioma. O instrutor também deverá auxiliar na realização de avaliações dos participantes e no planejamento de atividades de treinamento.
Uma das qualificações consideradas desejáveis é a familiaridade com ambientes militares. 3 imagens Fechar modal. 1 de 3
Reprodução/Ascensus Global 2 de 3
Victor Santos/Arte Metrópoles 3 de 3
Trump em encontro com Lula Andrew Harnik/Getty Images Treinamento será em base ligada à educação militar
As duas semanas presenciais do programa serão realizadas em Montgomery, onde fica a Maxwell Air Force Base. A instalação abriga a Air University, centro de educação e desenvolvimento de lideranças da Força Aérea dos Estados Unidos.
Segundo informações oficiais da própria Força Aérea, a universidade oferece educação militar profissional para oficiais, militares de outras patentes e funcionários civis do Departamento da Força Aérea, além de integrantes de outras forças e parceiros internacionais.
A instituição também é descrita como o centro de educação militar profissional da Força Aérea e da Força Espacial dos EUA.
Em 2026, a Air University afirmou que vem alinhando seus programas de educação militar às necessidades operacionais das Forças Armadas e ao desenvolvimento de líderes capazes de atuar em ambientes estratégicos e de segurança.
O anúncio da Ascensus, no entanto, não informa qual órgão, força militar ou unidade do governo dos EUA será atendido pelo treinamento,nem estabelece qualquer relação entre a contratação e as eleições brasileiras . Atenção de Washington sobre o Brasil
A abertura da vaga ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e EUA e à ampliação da atuação de Washington no Hemisfério Ocidental. Relatório reservado da Abin apontou como crítico o risco de interferência norte-americana nas eleições brasileiras de 2026 e citou uma pressão crescente sobre o país.
Nesta terça-feira (22/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou ingerências externas em processos eleitorais e defendeu a soberania brasileira. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

