O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (16) que não é responsável pelas indicações de ministros ao STF. Ele defendeu a punição de eventuais crimes cometidos. Essa foi a primeira fala de Lula sobre os ministros após o STF suspender, nesta terça-feira (15), o julgamento sobre a abertura de investigação contra Moraes.
Antes, Lula evitava se pronunciar para afastar sua campanha da crise na Corte. Alexandre de Moraes foi indicado ao cargo pelo ex-presidente Michel Temer em 2017. O presidente contestou as acusações de seus adversários. Lula afirmou: "Ontem meu adversário disse que eu sou responsável pelo Moraes".
Lula elogiou a atuação do ministro na Justiça Eleitoral em 2022. O presidente defendeu a segurança das urnas eletrônicas brasileiras, afirmando que o sistema é confiável. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que não pode ser responsabilizado pelas indicações dos ministros Alexandre de Moraes, Kássio Nunes Marques e André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que não estava na Presidência da República quando eles foram nomeados.
Ao comentar críticas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Lula declarou que a responsabilidade pelas indicações é de quem estava no cargo à época e defendeu que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades seja investigada e julgada. Essa é a primeira vez que Lula fala nominalmente dos ministros desde o julgamento no Supremo nesta terça (15) sobre a abertura ou não de uma investigação contra Moraes.
Um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise antes mesmo de o STF entrar no mérito, ou seja, no conteúdo principal do processo. Desde o início da crise no STF, no começo deste mês, Lula evitava fazer afirmações contundentes sobre o caso. Segundo interlocutores, a estratégia se deu para tentar descolar sua campanha à reeleição do cenário turbulento entre os ministros da Corte.
"Eu não era presidente quando o ministro Alexandre de Moraes foi indicado para a Suprema Corte, ele [Flávio] era senador, ele deve ter votado pelo Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kássio, ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça, portanto ele era culpado, e não eu", afirmou.
Alexandre de Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer em fevereiro de 2017. Naquela época, Flávio Bolsonaro, agora adversário de Lula na concorrência à Presidência da República, exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro (na Alerj).
Ele só foi eleito para o Senado Federal nas eleições de 2018, assumindo uma cadeira de senador em janeiro de 2019. Direito de defesa Lula também disse defender que todos tenham direito à ampla defesa e a um julgamento justo, mas ressaltou que eventuais crimes devem ser punidos, independentemente de quem seja o investigado.
"Todo mundo que cometeu erro tem que ser julgado. Eu defendo julgamento justo, direito de defesa, mas, se cometeu delito, tem que pagar. Vale para mim, vale para o Fachin, vale para o Moraes. Essa é a minha tese", declarou. Lula afirmou que adversários políticos tentam associá-lo à atuação de Alexandre de Moraes e atribuiu as críticas ao ministro às decisões tomadas em investigações conduzidas pelo STF.
"Ontem [terça] meu adversário disse que eu sou responsável pelo Moraes. Mas a raiva dele [Flávio Bolsonaro] é porque o Moraes mandou prender quem matou Marielle. E porque prendeu o pai dele e golpistas. Esse é o pavor dele", afirmou. Lula também declarou que a Justiça deve apurar os fatos e identificar os responsáveis por eventuais irregularidades.
"A Corte vai descobrir quem está metido nisso", disse. Elogios a Moraes Na mesma entrevista, o presidente elogiou a atuação de Alexandre de Moraes na condução da Justiça Eleitoral durante as eleições de 2022. Segundo Lula, o ministro teve papel importante na defesa do sistema eleitoral diante dos questionamentos feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas.
"Eu acho que o Moraes prestou um serviço à democracia. Ele foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na eleição em que eu ganhei e sabe da tentativa que o Bolsonaro fez de destruir a credibilidade da urna eletrônica", disse. Lula voltou a defender a segurança do sistema de votação brasileiro e afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras são confiáveis.
"A urna é séria. Ela não está subordinada à internet", declarou. O presidente também afirmou estar tranquilo em relação às críticas e disse considerar importante rebater versões que, segundo ele, distorcem os fatos. "Temos que mostrar a narrativa correta. E eu estou tranquilo quanto a isso", concluiu.
As declarações foram dadas no canal e podcast "Desce a Letra Show".

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