A mentira é um dos marcos fundadores do fascismo. Ela revelou-se mais poderosa e atraente do que a verdade e, por isso, segue orientando os extremistas de direita inimigos da democracia.
Embora não admitam para não parecerem algo que cheira a mofo, eles têm como referência o ditador italiano Benito Mussolini (1883-1945), o inventor do fascismo. Em sua época, ele foi assaz admirado pelos principais líderes dos países ocidentais defensores das liberdades.
A exaltação extrema da nação, considerada um bem supremo acima dos interesses individuais, é um dos traços do fascismo. Da mesma forma, o regime se caracteriza pelo controle rigoroso da vida pública e privada pelo governo, pela concentração de poder em uma figura carismática, pela oposição ferrenha ao liberalismo econômico e político e pela repressão implacável à oposição. Se antes essa estrutura só poderia se sustentar por meio do militarismo, hoje ela se conquista e se afirma por meio do voto.
Você pode ser um fascista e não saber. Para isso, basta que intuitivamente compartilhe os ideais do fascismo tão em voga no mundo inteiro, ou que vote em candidatos fascistas travestidos de democratas. É fácil identificá-los. Primeiro, eles mentem — mentem compulsivamente — e, se confrontados com a verdade, continuam mentindo. Se for preciso, não se envergonham de negar o que acabaram de dizer e jogam nos outros a culpa por suas próprias mentiras.
Ao longo de seus quatro anos como presidente da República, Jair Bolsonaro produziu 6. 676 declarações falsas ou distorcidas, segundo levantamento da agência de checagem Aos Fatos. O volume total de desinformação equivale a uma média de 4, 58 declarações enganosas por dia de governo. A mentira mais repetida por ele foi a de que o Supremo Tribunal Federal o impediu de combater a pandemia da Covid-19, que matou mais de 700 mil brasileiros. Mesmo assim, foi por pouco que ele não se reelegeu.
Como candidato a presidente e único investigado pela Justiça pelos crimes de corrupção passiva e ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa, Flávio trilha o mesmo caminho do pai, apesar de sua falta de carisma e de seu amor demasiado pelos bens materiais. Por mais de duas décadas, constou em seu currículo oficial que ele era pós-graduado em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Descoberta a mentira, ele alegou “erro administrativo”.
“Nunca viajei em avião de Vorcaro”, proclamou Flávio em julho último. No entanto, foi exatamente em um jatinho de Daniel Vorcaro, protagonista do maior escândalo financeiro da história do Brasil, que ele e sua família retornaram da Flórida para Brasília no dia 19 de janeiro de 2025 — o mesmo jatinho usado este ano pelo ministro Alexandre de Moraes em uma viagem ao Rio.
Pego mentindo, o que disse Flávio? Mentiu, para variar: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”. Advogado e empresário do setor de comunicação, Willer Tomaz é amigo de Flávio para toda a vida. Recentemente, a Polícia Federal o apontou como uma peça central em um suposto esquema bilionário de fraudes relativas a descontos em benefícios previdenciários do INSS.
Diz-me com quem andas ou voas, e eu te direi o que és.
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