O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apareceu 570 vezes como “ganhador” em comunicações ligadas a apostas e prêmios entre 2020 e 2025, em operações que somam R$ 176, 4 milhões, segundo investigação do Ministério Público de São Paulo.
Freixo é um dos alvos de busca e apreensão da 3 ª fase da Operação Carbono Oculto, realizada nesta quinta-feira (24) contra um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. Ele ficou conhecido nas investigações do Banco Master após fechar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A delação, assinada em agosto e homologada em setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalhou operações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, dono do banco. O empresário é apontado pela investigação como líder do Grupo Entre Investimentos e como um dos principais prestadores de serviços de blindagem financeira e lavagem de capitais para a organização criminosa atribuída a Roberto Augusto Leme da Silva , o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo".
Os dois são investigados como integrantes da organização criminosa. Segundo o MP, as comunicações sobre os prêmios e apostas foram reportadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por apresentarem sinais considerados atípicos e possíveis indícios de lavagem de dinheiro.
De acordo com a investigação, Freixo aparece em todas as 570 comunicações na condição de “ganhador”. A investigação afirma que a frequência incomum das premiações, o volume movimentado e o uso de casas lotéricas chamaram atenção dos órgãos de controle. Para o MP, esse tipo de operação pode, em tese, ser usado para dar aparência legal a recursos de origem ilícita.
Os promotores também apontam um padrão de triangulação das apostas: terceiros fariam os jogos, mas os prêmios seriam transferidos diretamente para contas de empresas ligadas a Freixo, como a Cactus Assessoria e Serviços Ltda. Em um dos exemplos citados na investigação, uma aposta atribuída a Patrick Saulo Alves Lacerda teria gerado um prêmio de R$ 2.
389, 33 enviado à conta da Cactus. De acordo com o MP, a frequência das premiações e a forma como os valores eram movimentados indicam que os 570 registros poderiam fazer parte de uma estratégia para dissimular a origem dos recursos, em vez de representar ganhos efetivos com apostas por sorte.
Os promotores afirmam que o padrão pode indicar o uso de apostas como etapa de “reciclagem do dinheiro”. Relação com a Carbono Oculto A ligação de Freixo com a investigação sobre combustíveis aparece por meio de empresas relacionadas a ele. Segundo o Ministério Público, a EntrePay recebeu R$ 166, 5 mil da Ceopag, fintech que teria sido usada por empresas ligadas a Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, que estão foragidos.
Outra empresa de Freixo, a Entre Investimentos, repassou R$ 620 mil à Quimicolor, apontada na investigação como parte de uma estrutura relacionada a pagamentos envolvendo metanol que teria sido desviado para adulteração de combustíveis. A existência dessas transações não significa que Freixo tenha sido apontado como integrante da organização criminosa.
A investigação busca esclarecer o contexto e a finalidade das movimentações. Freixo começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy, passou pelo mercado financeiro e, em 2016, fundou o Grupo Entre. Ele também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investigou o Banco Master.
A equipe de reportagem tenta localizar a defesa de Antônio Carlos Freixo Júnior para que ele se manifeste sobre a operação.

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