Conheça a trajetória do site e origem do nome do g1

Conheça a trajetória do site e origem do nome do g1

O g 1, hoje o maior site de notícias do país, completa 20 anos nesta sexta-feira (18); o portal foi lançado em 18 de setembro de 2006 pela Globo, numa aposta arriscada para a época. O projeto nasceu em 2004, dentro da Globo. com, como parte de um tripé que também deu origem a sites de esporte e entretenimento, e assim surgiu o nome g 1.

A redação principal do g 1 foi montada em São Paulo, separada da TV, reunindo uma equipe jovem vinda de veículos tradicionais para criar uma cultura própria de internet. O site estreou duas semanas antes das eleições de 2006 e, dias depois, cobriu a queda de um avião da Gol na Amazônia, que matou 154 pessoas; em ano e meio, já liderava a audiência.

A partir de 2010, o g 1 se expandiu para afiliadas em todo o país, somando hoje mais de 50 páginas locais. O g 1 completa 20 anos, nesta sexta-feira (18), como a consolidação de um plano que teve início há mais de duas décadas. Lançado em 18 de setembro de 2006, hoje é o maior site de notícias do país, mas representou uma aposta arriscada em seu lançamento.

Com uma política de agilidade e precisão em resposta à velocidade da internet, e equipe jovem formada por jornalistas contratados de alguns dos principais veículos tradicionais de notícias, o g 1 virou, em poucos anos, sinônimo de notícia. Só que, em meados dos anos 2000, o investimento não parecia tão certeiro.

Se o IBGE aponta que 186 milhões de brasileiros acessaram a internet em 2025, esse número se limitava a 32, 2 milhões em 2006, de acordo com a IBOPE/NetRatings. Na época, o conceito de conexão de banda larga ainda era limitado no Brasil e o primeiro iPhone, que popularizou os smartphones pelo mundo, nem tinha sido lançado — mas, no final de 2004, a direção da Globo identificou que era hora de apostar na criação de um novo site de jornalismo.

A maior presença da empresa na internet era a Globo. com, portal que conectava o usuário à rede e que oferecia uma série de outros serviços, como e-mail, salas de bate-papo e e-commerce. Faltavam, no entanto, veículos nativos da internet que representassem aquela que a Globo via como sua maior vocação: a produção de conteúdo.

Foram criados projetos para as três pernas que formavam o tripé desse talento para contar histórias. Jornalismo, Esporte e Entretenimento — cada um recebeu o protótipo de um produto pensado desde sua concepção para o consumidor de internet. Para eles, foram dados, a princípio, títulos temporários.

"Isso é interessante. A gente não tinha nome ainda definido. O nome do projeto era G 1. Por isso que depois acabou sendo o próprio nome do produto, o g 1, mas era o nome do projeto", diz o então diretor geral da Globo. com, Juarez Queiroz. "'G 1' era o projeto de Jornalismo, 'G 2', que hoje é o GloboEsporte.

com (ge. com), era o projeto de Esporte, e o 'G 3' era o Entretenimento." Houve, claro, uma discussão para definir como batizar o novo site. Uma das sugestões era Globo Notícia, como conta o membro do Conselho da Globo Carlos Henrique Schroder, que era diretor da Central Globo de Jornalismo na época.

O nome g 1 (ou G 1, em maiúscula, como foi usado até 2021) foi o eleito por ser "identificado como uma coisa mais moderna, um nome mais moderno, uma marca mais moderna". "Lembro de ter havido uma reunião no Conselho de Administração. Eu participei da votação, teve lá a discussão, fomos apresentar os vários nomes e tal, e o g 1 foi o nome escolhido para ser então usado em definitivo por esse ambiente novo digital da Globo", afirma Schroder.

Por que o g 1 tem esse nome? Entenda a origemEstrutura e equilíbrio Para fazer esse projeto sair do papel, a estratégia foi reunir talentos que entendessem de internet – liderados por um veterano da casa, o então editor-chefe e repórter do "Fantástico", Álvaro Pereira Jr.

– que conseguiu levar o projeto ao ar em menos de um ano. Ele decidiu montar a redação principal do g 1 em São Paulo e em um prédio separado da TV. "Se tem uma coisa ali do meu papel que eu acho que tenha sido importante no futuro do g 1, foi o fato de eu ter percebido que tinha que fazer em São Paulo", conta Álvaro.

"Nós optamos por ter um produto totalmente novo, uma equipe totalmente nova, para que eles construíssem a cultura da internet, né? Porque a notícia em tempo real da internet é diferente mesmo do tempo real da TV", afirma Juarez. "Por isso que a gente fez um desenho totalmente separado, uma estrutura totalmente separada, com uma cultura que fosse a cultura da internet.

Essa é a razão da gente ter feito tudo separado do Grupo, inclusive fisicamente, num prédio à parte." Como primeiro diretor do g 1, Álvaro convocou Márcia Menezes, editora-chefe do Jornal das Dez, da GloboNews, e Renato Franzini, jornalista com experiência em internet e passagens pela "Folha de S.

Paulo" e UOL, para atuarem como editora-chefe e editor-executivo. Juntos, esse núcleo decisório foi atrás de uma equipe enquanto o escritório, localizado na região da Avenida Paulista, não estava nem pronto ainda. Entrevistas de contratação eram feitas entre obras e cheiro de cola.

"Então, a gente trouxe gente da 'Folha', do 'Estadão', da 'Veja', da 'Vejinha', de agências de notícias, gente que veio do Rio, sabe? Eu achei isso muito legal: ter uma cultura muito diversa da cultura predominante da TV Globo", diz Álvaro. Com uma estrutura mais parecida com a de jornais impressos, o g 1 ficou dividido entre editorias – Mundo, Economia, Pop & Arte e outras – unidas pela home, a página inicial do site, que buscava oferecer para o leitor as notícias mais relevantes no Brasil e no resto do planeta.

Mas com equilíbrio. "Se eu tivesse uma baita de uma manchete, um furaço de política ou de economia, eu podia ter aqui, do lado, uma foto de vinte anos do 'Nevermind', do Nirvana, entendeu?", afirma o jornalista. "Eu achava isso: não podia ser revista demais, senão ia esfriar, e eu também achava que não podia ser hard news demais." Lançamento de fogo Pouco antes do lançamento, o site já funcionava de maneira fechada.

Furos dados nem chegaram ao público, enquanto a equipe afinava o entrosamento e o funcionamento do sistema. A estreia, inicialmente marcada para agosto de 2006, foi adiada por algumas semanas para adaptar a resolução do site para monitores com largura de 1024 pixels – que pesquisas indicavam que se popularizariam em breve.

"A gente sempre tinha uma preocupação enorme de não errar. De ser ousado, de ser moderno, de ser ágil, de falar com todos os brasileiros, mas não queríamos errar, porque a nossa credibilidade a gente constrói levando dias, semanas, meses, e para perder, ó, é rápido", diz Márcia.

Mas o empenho de todos por correção nem sempre era o bastante. Em um site que ainda se entrosava, erros podiam vir de onde menos se esperava. "Eu lembro até hoje, para você ter ideia, são vinte anos, era uma notícia sobre 'O Céu de Suely', um filme que ganhou um prêmio.

A gente publicou 'O Céu de Suely'. Quando a gente viu no ar, identificou que o publicador tinha um erro: que ele não reconhecia as letras que tinham acento. E aí você pode pensar como ficou esse título. Eu queria morrer", brinca a então editora-chefe. O timing do lançamento, em 18 de setembro de 2006, foi ousado, mas fortuito.

Não só faltavam duas semanas para as eleições presidenciais daquele ano, mas também aconteceu pouco antes da queda de um avião da Gol na Amazônia, na qual 154 pessoas morreram, após a colisão com um jato Legacy, em 29 de setembro – uma das coberturas intensas que marcariam a história do site.

Quebra do Plantão e liderança No ar, a agilidade de um site pensado para a internet exigiu aprendizado da empresa, que entendeu que precisava adaptar sua própria estrutura para a nova realidade. "Quando chega o g 1, é tudo para agora. Aconteceu, tem que estar no ar, você tem que publicar.

Tanto que nós quebramos conceitos. O que havia anteriormente, por exemplo, plantão de um telejornal, o g 1 quebra isso", conta Schroder. "Acho que essa correção ao longo do tempo provou o sucesso rapidamente do g 1 e foi se comprovando através do crescimento de audiência permanentemente.

Eu explico até através de grandes eventos: você tem lá uma cobertura de eleições, um evento forte no país, o g 1 crescia rapidamente." Em cerca de um ano e meio, o novo site era líder de audiência. "A gente brinca que a primeira vez que a gente leu na internet alguém falando 'só acredito porque eu vi no g 1', a gente falou: 'Ufa!

Conseguimos', né?", afirma Márcia, que foi editora-chefe até 2012 e diretora do g 1 até 2020. Ela assumiu o comando do site após o retorno de Álvaro para a TV, como havia sido combinado no momento em que aceitou a missão. Projeto afiliadas Com redações do g 1 inauguradas inicialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, em alguns anos a Globo viu que podia expandir o projeto pelo país em parceria com suas afiliadas.

A ideia era que cada afiliada da empresa passasse a ter uma pequena redação dedicada ao jornalismo online. Esses fariam parte da estrutura do jornalismo local, publicando notícias diretamente no g 1, seguindo os padrões e critérios editoriais determinados pelo portal.

"O Brasil é muito grande, com particularidades, e a gente queria estar mais perto das pessoas, né?", diz Márcia. "A gente queria levar um pouco do nosso modo de fazer esse portal de jornalismo, da nossa tecnologia, dos nossos princípios. A gente achou que ia ser uma oportunidade de chamar todo mundo para fazer uma grande rede de informação, respeitando os regionalismos, respeitando as características de cada lugar." Em 13 de setembro de 2010, foi lançado o g 1 MG, projeto-piloto dessa expansão, que substituiu o Globominas.

com, antigo site da Globo em Minas. A primeira afiliada a entrar no projeto foi o g 1 PR, em 7 de fevereiro de 2011. Era o início de um plano que resultaria na criação de mais de 50 páginas locais ao redor do Brasil. "Foi um trabalho de entender um pouco o que era importante localmente para as regionais, o que era importante nacionalmente, qual o equilíbrio na distribuição de quem faz o quê, mas a cooperação sempre foi muito grande.

Então foi aprendizado dos dois lados, sabe?", conta ela. Algo que não muda O g 1 mudou muito nesses 20 anos. De lá para cá, foi inaugurada em 2014 uma redação própria para o g 1 dentro da sede da Globo em São Paulo, no bairro do Brooklin. O g 1 também estreou na TV em 2015, com o lançamento do g 1 em 1 minuto.

Os boletins de notícias produzidos pela própria equipe, apresentados ao longo do dia na programação da TV, ajudaram a fortalecer ainda mais a marca. Mais recentemente, expandiu sua presença nas redes sociais e intensificou a produção de vídeos. "O g 1 nasceu para fazer jornalismo na internet e, duas décadas depois, continua se reinventando para acompanhar as mudanças na forma como os brasileiros se informam.

O que não muda é nosso compromisso de entregar conteúdo relevante, com agilidade, contexto e credibilidade, todos os dias”, diz Renato Franzini, o diretor do g 1 desde 2020. “E como isso é feito? Temos equipes de jornalistas em todos os estados do Brasil. São repórteres e editores dedicados ao g 1 e integrados ao jornalismo da Globo.

São profissionais atentos às informações que importam, que são apuradas com rigor e entregues para o público em diversos formatos, seja na TV, no celular, nas redes sociais ou em novas plataformas."Vídeos: g 1 20 anos 20 ANOS DO G 1: Leia maisVÍDEO: As primeiras grandes coberturas do g 1 VÍDEO: As tragédias e crises no Brasil que marcaram a história do g 1 VÍDEO: As mudanças no Vaticano que marcaram os 20 anos do g 1 VÍDEO: As grandes reviravoltas políticas do país neste períodoVÍDEO: Férias na Lua, robôs e IA substituindo o celular podem fazer parte da sua vida até 2046 VÍDEO: Por que alguns posts do g 1 no antigo Twitter ficaram incompletos?

Leia a matéria completa em g1.globo.com

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