Um menino de 3 anos comcâncer de fígado metastático e resistente à quimioterapia apresentou regressão completa da doença após receber duas doses de uma terapia experimental com células do próprio sistema imunológico . O caso foi publicado em 9 de setembro no New England Journal of Medicine (NEJM).
A criança tinhahepatoblastoma, um câncer de fígado que ocorre principalmente na infância , e apresentava metástases nos pulmões. Antes da terapia experimental, o menino havia recebido três linhas de quimioterapia, passado pela retirada completa do tumor primário no fígado e por duas cirurgias para remover metástases pulmonares.
Apesar dos tratamentos, o câncer deixou de responder à quimioterapia e uma nova metástase apareceu no pulmão . A criança, então, foi incluída no estudo CARE, um ensaio clínico de fase 1 que investiga umanova forma de terapia com células CAR-T contra tumores sólidos. Leia também Saúde Terapia CAR-T será testada contra lúpus e miastenia no Brasil Saúde Pesquisa brasileira com CAR-T chega a 87, 5% de eficácia contra câncer Saúde CAR-T: como o Brasil avança no tratamento inovador contra o câncer Saúde Estudo de CAR-T brasileiro elimina todo o câncer de 72% dos pacientes Células modificadas para atacar o tumor
A CAR-T utiliza células T, que fazem parte do sistema imunológico , modificadas em laboratório para reconhecer e atacar células cancerígenas. Embora a estratégia já seja utilizada no tratamento de alguns cânceres do sangue,seu uso contra tumores sólidos ainda enfrenta limitações.
No tratamento recebido pelo menino, as células foram programadas para reconhecer a glicana-3, ou GPC 3, proteína presente em níveis elevados no hepatoblastoma . Elas também foram modificadas para produzir interleucina-15 e interleucina-21, proteínas que ajudam a regular a resposta do sistema imunológico.
A criança recebeu duas infusões com intervalo de oito semanas. Após a primeira, os pesquisadores observaram uma resposta parcial e, depois da segunda, os exames mostraram regressão completa da doença metastática . Segundo o relato, a resposta completa permanecia por pelo menos 12 meses após o tratamento . Resultado promissor, mas ainda inicial
Apesar do resultado, a terapia continua experimental . O artigo descreve o caso de apenas uma criança e não permite concluir que o tratamento terá o mesmo efeito em outros pacientes.
Além disso,o CARE é um ensaio clínico de fase 1, etapa inicial de testes em seres humanos. Estudos com mais participantes e acompanhamento por períodos maiores serão necessários para avaliar a segurança da estratégia e determinar se o benefício pode ser reproduzido.
O caso indica que células CAR-T modificadas podem ter potencial contra tumores sólidos resistentes ao tratamento, mas a regressão observada no menino não deve ser interpretada como comprovação de cura nem como evidência definitiva da eficácia da terapia.

