Canais inspirados no 'Exército do Lula' dobram de tamanho em dois dias

Canais inspirados no 'Exército do Lula' dobram de tamanho em dois dias

Grupos políticos estrangeiros inspirados no 'Exército do Lula' mais que dobraram de membros. A estratégia se baseia na mobilização digital do deputado André Janones. Líderes de Espanha e México convidaram Janones para colaborar em suas iniciativas. Sánchez e Claudia Sheinbaum demonstraram interesse no trabalho do deputado. Para o cientista político Giuliano Salvarani, a replicação da estratégia enfrenta barreiras. Diferenças nos hábitos de uso de aplicativos e na conjuntura local dificultam a reprodução. A polarização e o tamanho do eleitorado brasileiro explicam o sucesso local. O método deve influenciar campanhas no Brasil e pode virar um produto de exportação. A virada histórica de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições passou pela forte mobilização digital feita pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Inspirados pelo modelo do “Exército do Lula”, grupos políticos da Europa e da Argentina passaram a reproduzir a estratégia com foco em suas próprias lideranças. Em poucos dias, alguns desses grupos mais que dobraram no número de integrantes: Na Argentina, o Ejército del Peronismo (Exército do Peronismo), ligado à ala jovem e mais à esquerda do peronismo, principal força de oposição a Milei, cresceu 46, 34% em dois dias, de 41 mil para 60 mil integrantes. Na França, o L’équipe de Mélenchon officielle (A equipe oficial de Mélenchon), que reúne apoiadores do líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon, fundador do França Insubmissa (LFI), cresceu 157, 89% no período, de 57 mil para 147 mil integrantes. Na Espanha, o La fuerza de la gente (A força das pessoas), criado em apoio ao primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), teve alta de 68%, passando de 25 mil para 42 mil integrantes em dois dias. No total, os três grupos tinham 123 mil integrantes e cresceram para 249 mil, um aumento de 102, 44%. Para além da criação dos grupos, a estratégia de Janones também despertou o interesse de lideranças políticas de outros países, que convidaram o deputado para colaborar em suas iniciativas. Na Espanha, Sánchez convidou Janones para contribuir com sua campanha política. As eleições espanholas estão previstas para o fim de novembro deste ano. Já a presidente do México, Claudia Sheinbaum, convidou o deputado para uma visita de trabalho. No país, as próximas eleições presidenciais estão marcadas para 6 de junho de 2027. 📱Favorite o g 1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No entanto, para o cientista político, Giuliano Salvarani, a estratégia do grupo de WhatsApp, não vai necessariamente ser replicada em outros países. Isso porque, segundo ele, as diferenças nos hábitos de uso das redes sociais e dos aplicativos de mensagens, assim como as particularidades da conjuntura política de cada lugar, dificultam uma reprodução direta da estratégia. "Não acredito que a estratégia de Janones tenha o mesmo impacto nesses outros países, até porque eles possuem outra forma de se socializar nas redes sociais e nos aplicativos, que inclusive são diferentes dos que usamos frequentemente aqui. É um modelo que pode ser aproveitado, mas não necessariamente replicado", disse. Isso não significa que a influência de Janones não terá impacto em outros países, mas que ela será adaptada para cada cultura. Além disso, para Salvarani, a dimensão do eleitorado brasileiro, a polarização e a presença das discussões sobre política no cotidiano também ajudam a explicar o resultado. "O Brasil é um dos países que mais utiliza plataformas digitais do mundo. Além disso, a política faz parte da nossa cultura. É sobre política que discutimos nos grupos, entre amigos, no família e no trabalho. Hoje em dia mais do que futebol, fofoca ou cultura", contou o cientista. Por fim, ele avalia que a estratégia deve influenciar as próximas campanhas eleitorais no Brasil e pode se tornar um produto de exportação. "O que funcionou aqui certamente vai ditar o rumo das campanhas eleitorais no Brasil pra próxima década e tenho certeza que será produto de exportação em todo o mundo. Janones inventou uma forma de mobilizar igual Guardiola aperfeiçoou o “Tik-taka” no futebol do Barcelona ou como João Gilberto tocou seu violão na Bossa-Nova."

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