Brasil nunca ganhou um Nobel, mas já teve 28 indicados; veja quem são

Brasil nunca ganhou um Nobel, mas já teve 28 indicados; veja quem são

Está aberta a temporada do Nobel. O prêmio tem 125 anos de história e, ao longo desse tempo, ao menos 28 nomes brasileiros já estiveram na lista de indicados, apesar de o país nunca ter levado um para casa. Nesta quarta-feira (7), a academia anuncia o Nobel de Química.

A expectativa brasileira estava no prêmio de Física, anunciado nesta terça-feira (6). O g 1 analisou os registros de indicações publicados pela Fundação Nobel desde 1901. Foram 215 indicações ligadas ao Brasil, que contemplam 27 pessoas e uma instituição: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, indicado ao Nobel da Paz em 1924.

Nas ciências, os casos mais conhecidos são os de Carlos Chagas e Cesar Lattes. Chagas descreveu em 1909 a doença que leva seu nome, identificando o parasita, o inseto transmissor (o barbeiro) e o quadro clínico, um feito até hoje inédito na medicina. Já Lattes ajudou a descobrir, em 1947, o méson pi, partícula que ajuda a explicar o que mantém o núcleo dos átomos unido.

Mas o Nobel de Física de 1950 ficou só com o chefe da equipe, o britânico Cecil Powell. Na época, era comum o prêmio ir apenas para o líder da pesquisa. A maior parte das indicações citando brasileiros foi para o Nobel da Paz: ao todo, 13 nomeações. E você pode se perguntar: o que faz o país nunca ter levado um prêmio desses para casa?

Para a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, o que explica isso não é a qualidade da ciência feita no Brasil, muito pelo contrário. Segundo ela, o prêmio ainda olha pouco para o Sul Global e suas descobertas. O Brasil já esteve, inclusive, nas citações que dão base às pesquisas premiadas.

Ou seja, sem o que foi feito aqui, alguns dos feitos não seriam possíveis. Mas, ainda assim, ficou de fora da premiação, como ocorreu em 2025 com o físico Amir Caldeira. Neste texto, você vai ler: Quem foram os nomes já indicados ao NobelPor que o Brasil nunca levou um NobelQuem são os brasileiros já indicados ao Nobel?

A lista de indicados fica em sigilo por 50 anos. Por isso, os dados oficiais mais recentes são de 1975, e não é possível saber, pelos registros, se outros brasileiros entraram na disputa depois disso. As indicações podem ser feitas mais de uma vez, por mais de uma pessoa ou instituição.

Considerando o número de vezes em que foram indicados, os brasileiros apareceram nos pedidos de consideração para Estocolmo mais de 200 vezes. Nem todos os nomes da lista são de brasileiros natos, mas há casos de naturalizados ou que atuavam no paí. É o caso do físico americano David Bohm, que dava aulas na Universidade de São Paulo (USP), e do bioquímico francês René Wurmser, professor no Rio de Janeiro.

Já o químico austríaco Fritz Feigl veio para o Brasil fugindo do nazismo, trabalhou no Rio e depois se naturalizou brasileiro. Abaixo, veja a lista: E por que o Brasil nunca ganhou o Nobel? Para a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, a ausência de um laureado brasileiro diz pouco sobre a pesquisa feita no país.

Para ela, o Brasil tem ciência de ponta e de referência, mas o comitê tem dificuldade de reconhecer pesquisas de impacto feitas fora do eixo Sul Global. Segundo ela, quando se trata da América Latina, os comitês "não conseguem enxergar" a relevância das descobertas.

Nader lembra o caso de Carlos Chagas, autor de um feito até hoje inédito na medicina: descrever sozinho uma doença do início ao fim, do parasita ao inseto transmissor e ao quadro clínico. Outro é o de Lattes, um dos físicos mais influentes do país, cujas descobertas ajudaram a moldar a física de partículas moderna.

Na época, era comum que o Nobel premiasse apenas o líder da equipe. Assim, o prêmio de 1950 ficou com Cecil Powell, chefe do laboratório onde Lattes trabalhava. O que pesa, segundo Helena, é a engrenagem que leva um nome até Estocolmo. Uma descoberta relevante é condição necessária, mas não suficiente.

A candidatura precisa de patrocinadores, ou seja, cientistas, instituições e governos que articulem apoio a ela ao longo dos anos. "O que pesa para receber um Nobel não é só a descoberta. Se fosse apenas isso, o Brasil já figuraria entre os laureados. O problema é que para ganhar um Nobel tem que ter lobby e o Sul Global está distante da maioria dos laureados para fazer essa pressão", explica , afirma.

Nader lembra que a potência da pesquisa nacional se prova quando o Nobel coloca nos agradecimentos e nas referências dos trabalhos premiados cientistas brasileiros deixados de fora do prêmio. É o caso do físico Amir Caldeira. O nome dele aparece no documento científico que embasou o Nobel de Física de 2025.

A teoria que ele formulou há mais de 40 anos serviu de ponto de partida para os pesquisadores premiados, mas ele ficou de fora. "Nós estamos lá, só não com o prêmio. Infelizmente, nossa ciência é central a todos eles, mas nós somos periféricos. Por isso, permanecemos de fora", diz Helena.

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