Banco Central dos EUA eleva taxa de juros pela 1ª vez em mais de 3 anos

Banco Central dos EUA eleva taxa de juros pela 1ª vez em mais de 3 anos

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa de juros do país em 0, 25 ponto percentual, para a faixa de 3, 75% a 4% ao ano. É a primeira alta desde julho de 2023. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.

O Fed interrompeu uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A medida foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações do BC americano com a inflação.

🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g 1 Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido e que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do cenário de incerteza elevada causada por "acontecimentos geopolíticos".

Segundo o comitê, a decisão de elevar a taxa básica de juros dos EUA considera o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.

(leia mais abaixo) Essa foi a 14 ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47 º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, este foi o quarto corte de juros, em meio a um cenário econômico incerto, marcado por conflitos geopolíticos e pela guerra tarifária promovida pelo republicano.

Foi também a terceira reunião sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central dos EUA. Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos após uma cerimônia na Casa Branca. A troca de comando no Fed ocorreu após meses de atritos entre Trump e o ex-presidente da instituição, Jerome Powell.

Desde o início de seu segundo mandato, o republicano critica os juros elevados e defende cortes nas taxas para evitar que o crédito mais caro prejudique a economia. Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados Juros elevados nos EUA mantêm os títulos públicos americanos, conhecidos como Treasuries, mais atrativos para investidores por oferecerem retornos maiores.

Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar. Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana.

Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil. Apesar do cenário externo e da alta de juros pelo Fed, a expectativa é de que o Copom corte a taxa básica de juros brasileira, a Selic, em 0, 25 ponto percentual, de 14% para 13, 75% ao ano.

A decisão, prevista para as 18 h 30 desta quarta-feira, ocorre em um contexto de inflação ainda dentro da margem de tolerância da meta do Banco Central.

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