Ataques a bolsistas do Prouni ferem ética da medicina, diz conselho

Ataques a bolsistas do Prouni ferem ética da medicina, diz conselho

Depois da divulgação de mensagens com ataques a bolsistas e referências ao nazismo em um grupo de alunos de uma turma de Medicina de uma faculdade particular de Maringá, no Norte do Paraná, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que vai acompanhar o caso e "adotará todas as providências cabíveis". Segundo o CRM, as atitudes dos estudantes ferem os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina, "segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza", diz a nota da instituição. ✅ Siga o canal do g 1 Maringá e Região no WhatsApp As mensagens foram enviadas depois do resultado das Eleições de 2026, em que Lula foi reeleito presidente do Brasil. A UniCesumar, instituição em que os alunos estudam, destacou que as trocas de mensagens não aconteceram nos canais oficiais da universidade e que adotou medidas disciplinares para punir os alunos envolvidos, incluindo expulsões, suspensões e advertências, "de acordo com a gravidade das condutas". Alunos de Medicina foram expulsos e suspensos Neste sábado (31), procurada pelo g 1, a UniCesumar informou que concluiu a sindicância que avaliou o caso e que adotou as medidas disciplinares. A reportagem questionou quantos estudantes receberam cada uma das punições, mas a universidade respondeu que não vai informar. Em nota, a instituição de ensino também disse repudiar "veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito". Alunos da instituição abriram uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF) depois dos ataques. O órgão confirmou ter recebido a denúncia sobre as mensagens e disse que apura o caso. Mensagens fazem ataques a bolsistas e alusão ao nazismo As mensagens foram enviadas no domingo (25) em um grupo da turma. Em uma delas, um estudante sugere superioridade em relação aos bolsistas ao comparar quem paga a mensalidade com quem conquistou a vaga por seleção acadêmica de programas sociais. "Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha", escreveu um outro estudante. Além disso, imagens e expressões associadas ao nazismo também foram compartilhadas nos grupos. Em uma das mensagens, um estudante compartilhou a foto do exército nazista acompanhada de referências ao "leite cru", expressão que se tornou comum entre grupos na internet que defendem a supremacia branca. Outra aluna criticou as ofensas e ressaltou que todos terão a mesma formação, independentemente da forma de ingresso. "Virou bonito ofender quem não tem dinheiro para pagar toda a mensalidade, como vocês? Todo mundo aqui vai sair com CRM [registro profissional para exercer a medicina]", disse. O g 1 optou por não identificar os alunos, uma vez que o caso ainda está sendo investigado pelos órgãos responsáveis e pode envolver menores de idade. 'Clima hostil' Ao g 1, um estudante informou que tanto os universitários que fizeram as ofensas quanto aqueles que foram alvos das mensagens não frequentaram a instituição desde que o caso ganhou repercussão. "É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres", disse o estudante, que preferiu não ser identificado. O que diz a instituição de ensino? Em nota, a UniCesumar afirmou que adotou medidas disciplinares contra os alunos envolvidos nas mensagens, mas não detalhou quantos estudantes foram atingidos pela decisão. Veja a íntegra: "A UniCesumar comunica que concluiu no dia 30 de outubro a Sindicância Interna aberta para apuração dos fatos envolvendo mensagens trocadas em grupo de WhatsApp por alunos da Instituição. A Comissão de Sindicância recomendou e a Reitoria da Unicesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade. As medidas disciplinares foram: desligamentos do quadro discente da Instituição, advertências e suspensões, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada. A UniCesumar reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes. A Instituição repudia veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito. O Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) permanece à disposição dos alunos para oferecer acolhimento, orientação e suporte, nos contatos (44) 99122-3957 ou (44) 3027-6360 ramal 2870. O que diz o CRM? O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que as atitudes descritas ferem os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina. Confira: "Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza. A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade. Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica. O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes". VÍDEOS: Mais assistidos do g 1 Paraná Leia mais notícias em g 1 Norte e Noroeste.

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