A idosa espanhola Maricarmen Abascal, que foi despejada na semana passada do apartamento onde morava de aluguel havia sete décadas, recebeu uma oferta para voltar para casa, afirmou nesta terça-feira (29) sua advogada. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g 1 no WhatsApp Beatriz Duro disse a jornalistas que a UrbaGestion, o fundo que é proprietário do apartamento onde Maricarmen morava, apresentou na noite de segunda-feira uma proposta preliminar de acordo que poderia permitir que a idosa de 87 anos voltasse para casa.
Ela está considerando a oferta, acrescentou Duro. Segundo Duro, o acordo implicaria pagar 30% de sua aposentadoria durante os próximos oito anos, o equivalente a cerca de € 500 por mês, um valor semelhante ao que ela pagava antes do despejo. "Ela jamais deveria ter sido obrigada a sair", disse Duro.
"Espero que este caso sirva para oferecer uma resposta coletiva à crise habitacional." A movimentação ocorreu após dias de protestos em massa em Madri, capital espanhola, em repúdio ao despejo de Maricarmen. Mesmo com a oferta na mão, a advogada de Maricarmen criticou a UrbaGestion por ter se recusado, até recentemente, a negociar ou manter conversas com a idosa.
Ela também acusou as autoridades locais, regionais e nacionais de não responderem adequadamente ao problema habitacional da Espanha, especialmente aos despejos que deixam pessoas vulneráveis sem uma moradia alternativa. Centenas de pessoas continuam acampadas nesta terça em uma das principais praças de Madri, a Puerta del Sol, para protestar contra o despejo de Maricarmen e exigindo reformas como o congelamento dos aluguéis e a renovação automática dos contratos sem aumentos abusivos.
Espanha proíbe despejos até 2030 Em resposta, o governo da Espanha aprovou nesta terça-feira novas medidas para conter a crise habitacional no país, incluindo uma proibição de despejos até 2030, regras mais rígidas para aluguéis de curta duração e uma extensão de dois anos para contratos de aluguel já existentes.
"É hora de intervir no mercado imobiliário especulativo e começar a reequilibrar a balança entre os cidadãos e os fundos abutres", disse a ministra da Saúde espanhola, Monica Garcia. O governo espanhol minoritário terá agora 30 dias a partir da publicação do decreto para chegar a um consenso com seus aliados no Congresso.
As medidas serão votadas no Congresso na sexta-feira (2). O Junts, partido catalão pró-independência que precisaria votar junto com o governo Sánchez para que o decreto fosse aprovado, disse concordar com a interrupção dos despejos abusivos, mas que ainda estava longe de estar de acordo com algumas medidas, como a proteção a pequenos proprietários.
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