ANÁLISE: ONU vira palanque eleitoral para Lula e Trump com falas opostas

ANÁLISE: ONU vira palanque eleitoral para Lula e Trump com falas opostas

Com a iminência de eleições nos dois países, Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump deixaram claras, em seus discursos na Assembleia Geral da ONU, as agendas divergentes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos. O presidente brasileiro mandou numerosos recados ao americano, sem citá-lo nominalmente, mas o Brasil foi literalmente ignorado por Trump.

✅ Siga o canal de notícias internacionais do g 1 no WhatsAppAO VIVO: acompanhe a Assembleia Geral da ONU Lula destacou a soberania, o multilateralismo, a necessidade de regulação de big techs e IA e de ações para o combate às mudanças climáticas. Criticou o embargo em Cuba e a ingerência em países da América Latina com alertas como “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” e “As nossas riquezas pertencem aos brasileiros”.

Cuba foi descrita como um Estado falido por Trump, que antecipou a queda do regime, enquanto seus diplomatas deixavam o plenário. Ao abordar a Venezuela, ele defendeu a operação militar que depôs o então presidente Nicolás Maduro e declarou, sem rodeios, que uma parcela da receita do petróleo do país será destinada aos EUA: “Aos vencedores, os despojos.” Diante do plenário do maior organismo mundial, o presidente americano enfatizou a força e o poder militar dos EUA e pareceu cruzar uma linha vermelha, ameaçando abertamente aniquilar o Irã.

“Tenho uma grande decisão a tomar”: fazer um acordo com o Irã ou “aniquilar a República Islâmica e fazê-lo rapidamente, sem nunca mais lhes dar a oportunidade de matar e destruir pessoas e países”, resumiu ele, sinalizando, logo após, um recuo ao convidar os líderes de países a se unirem pelo isolamento econômico do Irã.

O presidente americano iniciou o seu discurso por temas internos, vangloriando-se de seu governo com superlativos e ineditismo de resultados, e depois partiu para o cenário externo. “Nossa economia é a inveja do mundo. Nossas forças armadas são as mais poderosas da Terra.

Nossa tecnologia não fica atrás de nenhuma, e estamos liderando em praticamente tudo", falou. Como clímax dessa exaltação, a fixação do presidente por mudar nomes não ficou de fora: Trump propôs rebatizar a Inteligência Artificial de Super Inteligência. Passou, então, a referir-se à IA somente pelas iniciais SI — detalhe apenas para criticar a sua desaceleração, como defenderam os chefes de empresas de tecnologia.

Lula optou pelo caminho inverso, começando pela falta de credibilidade da ONU e o imobilismo do Conselho de Segurança em lidar com as guerras em andamento. Traçou um panorama sobre assuntos que lhe são caros na geopolítica. Só depois mirou o público interno, ressaltando que não cederá às pressões sobre o Pix ou vinculando as eleições brasileiras entre uma escolha entre democracia e negacionismo.

Em comum, Lula e Trump recorreram ao linguajar de campanha, obedecendo a roteiros elaborados para serem seguidos às vésperas das eleições em seus países. A abordagem e o conteúdo, porém, seguiram trajetórias distintas.

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