Análise: Lula assume ingrato papel entre o pessimismo e a implosão da ONU

Análise: Lula assume ingrato papel entre o pessimismo e a implosão da ONU

O presidente Lula assumiu uma ingrata tarefa nesta terça-feira (22/9), na Assembleia Geral da ONU , em Nova York. O brasileiro teve a missão de tentar ressuscitar a organização entre o pessimismo e a implosão do multilateralismo.

É um papel que, em seu terceiro mandato, Lula tem adotado sempre que precisa falar de relações internacionais. E que contrastou justamente com as falas do secretário-geral da ONU, António Guterres, e de Donald Trump . 3 imagens Fechar modal. 1 de 3

Trump na ONU Reprodução/ONU 2 de 3

Petista afirmou que Brasil é referência mundial em energia limpa Ricardo Stuckert 3 de 3

"Os combates têm de parar", diz secretário-geral da ONU, António Guterres Reprodução/ONU

Lula, que falou entre os discursos de Trump e Guterres, defendeu a importância da diplomacia multilateral como única forma de solucionar conflitos e reconheceu o momento de crise vivido pela ONU e pelo Conselho de Segurança.

“Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção”, disse Lula.

Menos opções sobram ainda para o Brasil. O país, cujas Forças Armadas temem uma intervenção americana, só tem voz à mesa de negociações. E sabe que perde força quando os conflitos escalam da diplomacia para as armas. Leia também Igor Gadelha O desencontro de Lula e Trump nos bastidores da ONU Igor Gadelha Lula deve acompanhar apuração do primeiro turno em São Paulo Igor Gadelha Com avanço de Flávio, Janja tenta mobilizar mulheres pró-Lula no WhatsApp Igor Gadelha Quaest: Lula cresce entre mulheres; Flávio sobe entre ricos e evangélicos

As soluções propostas por Lula vieram justamente após Guterres, que deixa o cargo no fim de 2026, reconhecer que a ONU está “ultrapassada” e expressar temor com o esquecimento do direito internacional.

“Nossas instituições e sistemas de governança global continuam a refletir as realidades de poder e os interesses de uma era amplamente ultrapassada. Esse é o desafio central diante de nós”, disse Guterres.

Já Trump representa tudo aquilo a que Lula se opõe , ao propor, na prática, a implosão do modelo da ONU. Ideia que é acompanhada por muitos líderes de direita e que tem no americano seu principal modelo de governança.

O presidente dos Estados Unidos passou boa parte de seu discurso tecendo loas ao próprio governo, como se medidas unilaterais, como o tarifaço e o fechamento de fronteiras, fossem soluções para os problemas da economia americana.

Ainda ameaçou com força militar, e não com diplomacia, quem ameaçar seus interesses. Vangloriou-se de cortar o orçamento da ONU e atacou entidades como o Tribunal Penal Internacional e a Organização Marítima Internacional.

“Não existe governo global e, enquanto eu for presidente, não haverá taxas globais”, afirmou Trump.

Leia a matéria completa em metropoles.com

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