O resultado das urnas na noite deste domingo (4) mostra um erro de cálculo da campanha do presidente Lula (PT), candidato à reeleição. Flávio Bolsonaro (PL) foi subestimado ao longo da disputa e o peso do antipetismo não foi dimensionado pelos petistas. ➡️Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Flávio ficou à frente de Lula durante toda a apuração. Às 22 h 10, conforme o TSE, Flávio estava com 47, 07%, mais de 56 milhões de votos. Já Lula estava com 45, 12%, mais de 53, 7 milhões de votos. Em discurso na noite deste domingo (4), Lula admitiu que esperava vencer a eleição já no primeiro turno.
“Confesso que estava convencido de que ia ganhar as eleições em primeiro turno”, afirmou. Desde o início da campanha de Flávio, a avaliação entre aliados de Lula era de que o senador seria um adversário mais fácil de derrotar do que outros nomes da direita. Naquele momento, falava-se, por exemplo, em uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas.
Por isso, a estratégia inicial foi não concentrar ataques em Flávio. O diagnóstico era de que ele tinha um “telhado de vidro” grande e perderia força ao longo da campanha. Foi um erro de cálculo. Flávio foi subestimado. A campanha do candidato do PL percebeu e explorou um sentimento que apareceu com força nas urnas: o antipetismo.
A estratégia foi trabalhada durante toda a disputa, apresentando Flávio essencialmente como o candidato anti-Lula. Houve também outro erro de leitura entre os petistas: achar que estavam disputando contra Flávio Bolsonaro. A disputa era contra Jair Bolsonaro.
Flávio não precisava esconder o sobrenome Bolsonaro. Era justamente o contrário: sua candidatura dependia dele. Esses fatores ajudaram a abrir caminho para uma estratégia fortemente baseada na polarização. Era como se Flávio dissesse ao eleitor durante toda a campanha: “vote em mim porque eu sou o anti-Lula”.
Em 2022, a lógica foi inversa: o antibolsonarismo teve peso na disputa vencida por Lula. Agora, o antipetismo mostrou força no primeiro turno. Legado x mudança Outra diferença importante apareceu nas mensagens das duas campanhas e ficou evidente nos discursos após o resultado.
Flávio reforçou o lema que adotou durante a campanha: “eu sou a mudança”. A mensagem é a de que quem deseja continuidade deve votar em Lula, quem deseja mudança deve escolher sua candidatura. Lula, por sua vez, voltou a falar principalmente de seu legado e das realizações de seus governos.
O contraste resume parte do desafio que se apresenta para o segundo turno: Lula olha para o que fez, e Flávio Bolsonaro tenta projetar sua candidatura como mudança.

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