Os membros do Escudo das Américas assinaram na última terça-feira (22) um acordo para designar formalmente as facções narcotraficantes como "ameaças compartilhadas" e torná-las alvos de sanções. As facções brasileiras PCC e CV estão entre os 24 grupos citados como alvos da proposta.
➡️ "Escudo das Américas" é uma aliança lançada pela administração Trump que reúne governos alinhados ao republicano na América Latina, incluindo vizinhos do Brasil, como Argentina, Bolívia e Peru. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g 1 no WhatsApp Só participam do grupo governos ideologicamente alinhados ao governo Trump.
O Brasil, por exemplo, não foi convidado para a reunião de fundação do Escudo, bem como o México e a Venezuela. Organizações criminosas desses três países constam na lista divulgada. Especialistas apontam a criação da aliança como um reflexo da a "Doutrina Donroe", projeto do governo Trump de manter os países da América sob a zona de influência dos EUA.
A lista do Escudo das Américas inclui dois grupos surgidos nos próprios EUA, o MS-13 e o Barrio 18. Veja abaixo quais são as outras facções mencionadas pelo Escudo das Américas como alvos de sanções, além do PCC e do CV: Mara Salvatrucha (MS-13): originalmente uma gangue de imigrantes salvadorenhos fundada em Los Angeles, nos EUA, na década de 1980.
Atualmente atua em Ela Salvador, Honduras, Guatemada e México, além dos EUA e do Canadá. Tren de Aragua: grupo da Venezuela, considerado pelo "think tank" InSight Crime como "o mais poderoso do país" e "a única facção venezuelana que conseguiu projetar seu poder além das fronteiras".
Age na fronteira do Brasil. Cárteles Unidos: organização mexicana formada por outros grupos criminosos, incluindo o Cartel de Sinaloa e Los Viagras (leia mais abaixo). Cartel del Golfo: um dos grupos criminosos mais antigos em atuação nas Américas, estabelecido na década de 1930 em Matamoros, no México, imediatamente ao lado da fronteira com os EUA.
La Nueva Familia Michoacana: cartel mexicano envolvido no tráfico de fentanil aos EUA, liderado por Johnny Hurtado Olascoaga. O Departamento de Estado dos EUA estipulou uma recompensa de até US$ 5 milhões (R$ 25, 8 milhões) por sua captura. Cártel del Noroeste: outro grupo mexicano; surgiu de uma cisão de Los Zetas.
Cartel de Jalisco Nova Geração: uma das principais facções mexicanas, que foi liderada por "El Mencho" até fevereiro, quando ele foi morto em uma operação do Exército mexicano. Cartel de Sinaloa: um dos maiores grupos criminosos do México até a prisão de seus principais líderes, Joaquín 'El Chapo' Guzmán (pelas autoridades mexicanas, em 2016) e seu filho, Ovidio Guzman Lopez.
Gran Grif: gangue haitiana. O país vive um período demais de uma década de instabilidade e perda do controle, culminando no assassinato do presidente, Jovenel Moïse, em 2021. As facções criminosas exercem de fato o poder em seus territórios. Viv Ansanm: outra gangue haitiana, declarada como organização terrorista pelo governo Trump em 2025, junto à Gran Grif.
Los Lobos: facção do Equador que assumiu a responsabilidade pelo assassinato do candidato à Presidência do país Fernando Villavicencio, em 2023. Los Choneros: outra facção do Equador, que vem perdendo poder com a ascensão de Los Lobos. Barrio 18: também conhecida por seu nome em inglês, 18 th Street, é uma das maiores gangues da cidade de Los Angeles, nos EUA.
Seus integrantes possuem origens em diferentes países. Cartel de los Soles: uma das inclusões mais debatidas da lista, pois há questionamentos sobre sua existência. Autoridades dos EUA afirmam que o grupo é formado por militares da Venezuela que atuam no tráfico de drogas, mas especialistas apontam uma atuação na forma de uma rede difusa, e não de um grupo coeso.
O governo Trump afirmava que Nicolás Maduro era o chefe da organização, mas recuou da acusação após a captura do presidente venezuelano. Clan del Golfo: considerada atualmente a maior organização criminosa da Colômbia, após a desmobilização das Farc. Ao contrário desta, nunca almejou tomar o poder no país.
Formada nos anos 2000, atua principalmente no tráfico de drogas para a América do Norte e a Europa. Chone Killers: facção do Equador, surgida de uma dissidência de Los Choneros. Los Viagras: grupo mexicano que disputa territórios com o Cartel de Jalisco Nova Geração.
É liderado por Nicolás Sierra "El Gordo" Santana, pelo qual os EUA também oferecem US$ 5 milhões como recompensa pela captura. Cartel de Juárez (La Línea): formado nos anos 2000 na Ciudad Juárez, cidade na fronteira com os EUA. Dissidentes das Farc: a lista inclui num mesmo item todos os grupos de dissidentes da facção que recusaram o acordo de paz assinado com Bogotá em troca da anistia e seguem atuando como guerrilhas nas regiões rurais e de floresta da Colômbia.
O principal deles é o grupo liderado por Iván Mordisco. ELN: o Exército de Libertação Nacional tem raízes nos movimentos revolucionários colombianos nos anos 1960, assim como as Farc. É considerado o maior grupo guerrilheiro do país atualmente e se financia pela extorsão, mineração ilegal e narcotráfico.
Sendero Luminoso: foi o principal grupo guerrilheiro do Peru, travando um dos conflitos mais sangrentos com o governo central nos anos 1980 e 1990, que deixou cerca de 70 mil mortos ao longo de duas décadas. Atualmente, há poucos remanescentes na ativa, e o grupo tem pouca capacidade ofensiva.
A última grande ação atribuída ao grupo ocorreu em 2021, mas ele não tem participação relevante comprovada na onda mais recente de violência urbana no país. Los Tiguerones: facção equatoriana, uma das outras tantas dissidências surgidas de Los Choneros, surgida em 2020.
Sanções contra 'narcoterroristas' O texto do Escudo das Américas que anuncia sanções contra as facções é assinado por Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
"Reconhecendo que uma ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério é aquela representada por organizações narcoterroristas transnacionais — as quais põem em risco a paz e a segurança do hemisfério, bem como a segurança e a prosperidade de nossos cidadãos —, anunciamos hoje a primeira ação conjunta no âmbito de nossos pilares recém-anunciados: ação individual e coletiva para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo", diz o documento assinado pelos membros da Aliança e divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA.
"Nesse sentido, declaramos nossa intenção de impor, conforme aplicável e em conformidade com nossas respectivas obrigações legais internacionais e internas: o congelamento de ativos; restrições de imigração e de visto para membros, associados e apoiadores dessas organizações; e a responsabilização criminal de indivíduos que, conscientemente, forneçam apoio material — incluindo apoio logístico — a tais organizações, entre outras medidas.
Esta primeira ação conjunta concentrar-se-á nas 24 organizações listadas abaixo, independentemente da denominação que recebam em cada um de nossos países", diz o texto, que elenca PCC e CV entre os alvos das medidas. O documento diz que acionará um mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos (OEA) para viabilizar a medida.
O tráfico de drogas foi um dos temas abordados por Trump em sua fala na Assembleia Geral da ONU, na terça. Veja quem são os atuais integrantes do Escudo das Américas: Estados Unidos; Argentina; Belize; Bolívia; Chile; Colômbia; Costa Rica; El Salvador; Equador; Guiana; Honduras; Panamá; Paraguai; Peru.
Inclusão de traficantes na lista de terroristas O governo Trump classificou as facções brasileiras PCC e CV como "terroristas globais". O governo brasileiro discorda da denominação. Na legislação brasileira, terrorismo é definido pela prática de atos violentos "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio ou a paz pública".
Em maio do ano passado, após ser questionado por uma comitiva americana sobre o assunto em uma reunião no Ministério da Justiça, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, explicou a diferenciação brasileira. “Estas organizações criminosas [brasileiras] não têm qualquer viés ideológico, não têm qualquer viés político, religioso, não querem mudar o sistema.
Muito pelo contrário, elas pretendem a prática de infrações penais, lavagem de dinheiro”, afirmou o secretário.

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