Zelensky critica Trump por suspender sanções contra a Rússia

Zelensky critica Trump por suspender sanções contra a Rússia

Neste sábado (17) o presidente Volodymyr Zelensky criticou a suspensão de sanções à Rússia decidida por Donald Trump. Para o líder ucraniano, a medida ajuda apenas os russos. Trump suspendeu tarifas e sanções que entrariam em vigor na próxima semana. A ordem executiva foi assinada na noite de sexta-feira (16) sob argumento de interesse nacional. A legislação, chamada Lei Graham, puniria compradores de petróleo e gás da Rússia. China e Índia haviam manifestado preocupação com a imposição dessas tarifas sobre as importações. Analistas indicam que as tarifas poderiam elevar os preços do petróleo. A medida ocorre semanas antes de eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou neste sábado (17) a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender sanções e tarifas contra a Rússia poucos dias antes de elas entrarem em vigor. As declarações foram publicadas no X. “A decisão de desfazer tudo isso, de bloquear tudo isso, me parece errada”, escreveu Zelensky. “Isso definitivamente ajuda apenas os russos.” Para o presidente ucraniano, a medida encoraja o presidente russo, Vladimir Putin, e estimula novos ataques. “Isso só alimenta a satisfação deles e o desejo de continuar matando pessoas”, escreveu. “Isso certamente não interrompe a guerra.” Zelensky afirmou que a Rússia atacou na sexta-feira (16) mais de 15 instalações ucranianas de geração e transmissão de energia. Ele também acusou Moscou de preparar uma intensificação dos ataques no oeste do país. Leia mais Zelensky pede R$ 400 bilhões à União Europeia em meio a tensões com TrumpPapa fala ao telefone com Putin, oferece mediação na guerra e pede corredor humanitárioRússia constrói nova base militar em apenas 6 semanas para ataques com drones de propulsão a jato contra Ucrânia, diz agênciaOrdem executiva de Trump A ordem executiva assinada por Trump na noite de sexta-feira (16) suspendeu sanções e tarifas relacionadas à Rússia que começariam a valer na próxima semana, segundo a Reuters. Entre as medidas derrubadas estão tarifas sobre produtos russos e punições a quem comprar petróleo e gás do país. As sanções estavam previstas na chamada Lei Graham, que Trump sancionou em meados de setembro. Segundo o texto da ordem executiva, a suspensão vale até que Trump ou seus principais auxiliares determinem que “novas medidas são apropriadas”. Trump afirmou que a suspensão atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos. O que é a Lei Graham A legislação foi criada para aumentar a pressão sobre a Rússia pela invasão da Ucrânia, iniciada em 2022. Pelo texto, o país imporia tarifas de até 100% em 30 dias sobre todos os produtos importados dos cinco maiores compradores de petróleo ou gás russos. A regra também valeria para qualquer país que comprasse petróleo ou gás de forma deliberada 30 dias após a sanção da lei, ou que estivesse entre os cinco que mais ajudam a Rússia a driblar sanções. A própria lei prevê a possibilidade de o presidente suspender as sanções, desde que informe ao Congresso que considera a aplicação contrária ao interesse nacional. China e Índia, que estão entre os maiores compradores de petróleo russo, haviam manifestado preocupação com a medida. Pequim afirmou que se opõe de forma consistente ao que classifica como jurisdição de longo alcance sem base no direito internacional. A Índia alertou Washington de que novas tarifas poderiam afetar a relação bilateral. Reações nos EUA e na Rússia O enviado russo para investimentos, Kirill Dmitriev, classificou a suspensão como um momento histórico, segundo a Reuters. Em publicação no X na sexta-feira, ele afirmou que, se tivessem entrado em vigor, as punições poderiam ter interrompido toda a cooperação econômica entre Rússia e Estados Unidos. Nos Estados Unidos, o deputado democrata Don Beyer, da Virgínia, afirmou que Trump cedeu a Putin. Segundo ele, a decisão trai os parceiros ucranianos e contraria a intenção do Congresso ao aprovar uma lei desenhada para punir a Rússia pela guerra. A ausência de Graham O principal defensor da lei no Congresso era o senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que dá nome ao texto. Ele morreu em julho e apoiava a assistência americana à Ucrânia. Zelensky escreveu que a aprovação da lei com o nome do senador havia alimentado a expectativa de apoio bipartidário continuado a Kiev, e lamentou a ausência dele. “É difícil sem ele, vou ser honesto”, publicou. O presidente ucraniano também avaliou que o governo Trump deve seguir afrouxando sanções à Rússia. “Acho que o acordo do diesel e a medida sobre a Lei Lindsey Graham não são o fim disso. Infelizmente”, escreveu. O lado americano Trump tem se aproximado de Moscou e criticado Zelensky publicamente, incluindo a sugestão de que Kiev precisa de um novo líder. A decisão ocorre semanas antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em que os republicanos tentam manter a maioria apertada nas duas casas do Congresso. Segundo analistas ouvidos pela Reuters, as sanções poderiam elevar ainda mais os preços do petróleo, num momento em que os americanos enfrentam aumento de custos atribuído em boa parte à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

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