Vídeos do julgamento de Fernando Sastre de Andrade Filho, obtidos pela TV Globo, mostram o empresário admitindo pela primeira vez que consumiu bebidas alcoólicas antes de dirigir o Porsche envolvido no acidente que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em março de 2024, na Zona Leste de São Paulo. Nas imagens, Sastre aparece emocionado e pede desculpas às vítimas e aos familiares pelo sofrimento causado pelo acidente. O interrogatório ocorreu na quinta-feira (29), último dia do júri que terminou com a condenação do empresário a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime inicialmente fechado. "Eu quero aproveitar aqui para uma confissão que eu não havia feito antes", afirmou o empresário durante o interrogatório, que durou cerca de uma hora e dez minutos. Em outro momento, Sastre pediu desculpas às vítimas e aos familiares. Ele também afirmou que não havia saído de casa naquela noite com a intenção de provocar o acidente. O empresário foi questionado sobre o motivo de não ter revelado anteriormente que havia consumido álcool. "Não tem justificativa para isso que eu fiz. Eu me arrependo profundamente de não ter contado a verdade desde o início", respondeu. A admissão do consumo de álcool contrasta com as declarações anteriores de Sastre, que havia negado ter bebido antes do acidente em depoimentos prestados durante a investigação e o processo. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, em maio de 2024, o empresário afirmou que havia tomado apenas água na noite da colisão. Durante o julgamento, porém, Sastre reconheceu ter consumido dois drinques à base de uísque antes de assumir a direção do Porsche. A mudança de versão surpreendeu até mesmo a acusação. "Para mim foi uma surpresa, porque durante o inquérito policial e durante a primeira fase do processo ele sempre negou. E veio aqui, foi uma surpresa até para a acusação", afirmou um dos advogados da acusação após o julgamento. Condenação a 17 anos de prisão Fernando Sastre foi condenado na madrugada desta sexta-feira (30), após dois dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Os jurados reconheceram que o empresário cometeu homicídio com dolo eventual, modalidade em que o autor assume o risco de provocar a morte, além de lesão corporal gravíssima pelos ferimentos sofridos por Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo que estava no banco do passageiro do Porsche. Durante o julgamento, testemunhas relataram que Sastre havia consumido bebidas alcoólicas e que amigos tentaram convencê-lo a não dirigir. Marcus Vinicius afirmou que a então namorada do empresário, Giovanna Pinheiro Silva, se recusou a entrar no Porsche em razão da situação dele. Marcus, no entanto, decidiu acompanhar o amigo. A defesa sustentou que Sastre não assumiu o risco de provocar a morte de Ornaldo e pediu a desclassificação da acusação para homicídio culposo, quando não há intenção nem assunção do risco de matar. Os jurados, porém, acolheram a tese da acusação. Além da pena de prisão, a Justiça determinou a inabilitação de Sastre para dirigir veículos automotores. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a sentença não estabelece um prazo para a restrição. Relembre o acidente O acidente ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo. Fernando Sastre dirigia um Porsche Carrera quando atingiu a traseira do Renault Sandero conduzido pelo motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. Ornaldo sofreu ferimentos graves e morreu. O passageiro do Porsche, Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo de Sastre, também ficou gravemente ferido. Segundo a perícia do Instituto de Criminalística (IC), o Porsche trafegava a aproximadamente 156 km/h em um trecho onde o limite de velocidade era de 50 km/h. Marcus sofreu fraturas em quatro costelas e precisou passar por uma cirurgia para retirada do baço. Ele ficou cerca de dez dias internado, parte do período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após o acidente, Sastre deixou o local com autorização de policiais militares, sob a informação de que seria levado ao hospital pela mãe. Ele, porém, não deu entrada na unidade indicada e se apresentou à polícia mais de 30 horas depois. Durante o julgamento, a mãe do empresário afirmou que levou o filho para casa e que não conseguiu dirigir até o hospital após tomar um medicamento para se acalmar.
VÍDEO: empresário admite que bebeu antes de acidente com Porsche
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