As Testemunhas de Jeová anunciaram uma flexibilização nas orientações sobre doação e recebimento de sangue por meio do Boletim do Corpo Governante dos fiéis divulgado na última sexta-feira (18). Antes, o recebimento e a doação dos quatro componentes principais do sangue de terceiros eram estritamente proibidos.
Agora, de forma individual e após reflexão,cada fiel poderá decidir se quer doar e receber componentes do sangue.
A alteração, no entanto, diz respeitosomente a plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. A proibição de transfusões de sangue total permanece intacta, baseada na interpretação de passagens bíblicas. Leia também São Paulo Família não será indenizada após testemunha de Jeová receber sangue Brasil Zanin recebe testemunhas de Jeová sobre ação de transfusão de sangue Distrito Federal Hemocentro de Brasília orienta sobre novas regras para doação de sangue Saúde Doação de sangue: novas regras reduzem espera após tatuagem e piercing
Como podem ser usados os componentes do sangue
O plasma sanguíneo é utilizado em tratamentos de traumas e algumas doenças. Os glóbulos vermelhos podem ser utilizados em casos de anemia, já os brancos podem ser utilizados no tratamento de determinadas infecções e as plaquetas podem ser usadas em alguns tratamentos, inclusive contra o câncer.
Geoffrey Jackson, integrante do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, disse em vídeo divulgado na sexta-feira: “Cada cristão precisa tomar sua própria decisão sobre o uso dos quatro componentes principais em qualquer situação médica ou cirúrgica”.
Essa não foi a única alteração nas diretrizes do grupo religioso. Em março deste ano, uma atualização passou a permitir que os fiéis utilizassem o próprio sangue em tratamentos médicos, desde que ele seja retirado antecipadamente e armazenado até que seja necessária a utilização.
As atualizações surgiram a partir de um novo entendimento da Bíblia. Segundo Jackson, a escritura não é específica sobre como os cristãos devem lidar com o uso médico desses componentes, por isso, não cabe à liderança religiosa estabelecer regras que ultrapassem o que está na própria escritura.

