Um tratamento experimental administrado pelo nariz conseguiu reduzir alterações relacionadas à doença de Alzheimer e melhorar a memória de camundongos geneticamente modificados para desenvolver características da doença. A estratégia utiliza pequenas estruturas produzidas por células da membrana amniótica, que faz parte da placenta humana.
Publicado em 9 de setembro na revista científica Translational Neurodegeneration , o estudo avaliou as chamadasvesículas extracelulares, partículas microscópicas liberadas pelas células e capazes de transportar moléculas para outras partes do organismo.
Os pesquisadores investigaram se a administração pelo nariz permitiria que as partículas chegassem ao cérebro e ajudassem a combater processos relacionados ao Alzheimer.
A doença é marcada por alterações como o acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau , além de um processo de inflamação no cérebro que pode contribuir para danos aos neurônios e às conexões responsáveis por funções como memória e aprendizado. Leia também Saúde Menopausa precoce está ligada a uma memória pior e Alzheimer mais cedo Saúde Estudo investiga se há risco de transmissão do Alzheimer pelo sangue Saúde Taxistas têm menos chance de morrer de Alzheimer, sugere estudo Claudia Meireles Alzheimer: médico lista sintomas iniciais e vantagens do tratamento precoce Melhora da memória
No experimento, camundongos fêmeas receberam as vesículas pelo nariz duas vezes por semana, dos três aos nove meses de idade.O tratamento começou antes do surgimento dos déficits cognitivos esperados no modelo animal utilizado.
Os pesquisadores verificaram que as partículas chegaram ao hipocampo, região cerebral fundamental para a memória , e foram encontradas tanto em neurônios quanto na micróglia, formada por células de defesa do cérebro.
Após três e seis meses de tratamento, os animais apresentaram melhora em testes utilizados para avaliar memória e capacidade de reconhecer objetos e ambientes.
As análises também mostraram umaredução de 53% nos níveis de beta-amiloide no hipocampo, de acordo com uma das técnicas utilizadas no estudo. Os pesquisadores ainda encontraram sinais de menor inflamação cerebral e aumento de proteínas relacionadas à capacidade dos neurônios de formar e manter conexões.
Por outro lado, o tratamento não provocou uma mudança significativa na fosforilação da proteína tau, outra alteração importante relacionada ao Alzheimer. 8 imagens Fechar modal. 1 de 8
Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas PM Images/ Getty Images 2 de 8
Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista Andrew Brookes/ Getty Images 3 de 8
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce Westend 61/ Getty Images 4 de 8
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano urbazon/ Getty Images 5 de 8
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença OsakaWayne Studios/ Getty Images 6 de 8
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns Kobus Louw/ Getty Images 7 de 8
Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença Rossella De Berti/ Getty Images 8 de 8
O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images Ainda não foi testado em pessoas
A equipe também realizou experimentos em laboratório comneurônios produzidos a partir de células de pacientes com Alzheimer. O tratamento ajudou a preservar estruturas importantes para a comunicação entre as células nervosas, resultado que reforçou o potencial observado nos animais.
A descoberta, porém, ainda está em uma fase inicial. O tratamento não foi administrado a pessoas e os resultados obtidos em camundongos não significam que os mesmos benefícios ocorrerão em pacientes.
Segundo os pesquisadores,novos trabalhos serão necessários para compreender melhor como as vesículas atuam , estabelecer doses adequadas e avaliar a segurança antes que a estratégia possa avançar para estudos clínicos. Por enquanto, a pesquisa indica uma possível nova abordagem para combater a inflamação e outros processos envolvidos na progressão do Alzheimer.

