Seedorf elogia elenco e confia em recuperação do Corinthians: 'Um leão ferido é perigoso'

Seedorf elogia elenco e confia em recuperação do Corinthians: 'Um leão ferido é perigoso'

Novo treinador do Corinthians, Clarence Seedorf foi apresentado no CT Joaquim Grava nesta quarta-feira. Em entrevista coletiva, o holandês afirmou ser uma oportunidade única na carreira e tratou o Timão como "um dos maiores clubes do mundo". + Siga o canal ge Corinthians no WhatsApp — Foram vários anos que eu estava falando com a OTB para voltar ao Brasil e trabalhar como treinador.

Essa situação é uma grande oportunidade para mim, é um dos maiores clubes do mundo. Isso não passa todo dia pelo seu caminho. Eu não fiquei sem estar no futebol, sempre estive próximo. Longe de um clube, não queria pegar as coisas que estavam me oferecendo, não acreditava nos projetos.

Tive outros papeis como conselheiro e dirigente e analisando jogos de um nível alto, de Champions League. Eu vivi 30 anos nessa parte com os maiores treinadores do mundo — disse o craque, que volta a ser treinador depois de sete anos, em uma sala de imprensa lotada.

— Um grupo com muito talento. Agora, com o fato de ter alguns resultados negativos não significa que o clube não tem valor. Há trabalho e seriedade. Tudo pode voltar rapidamente, se Deus quiser. É uma resposta ampla porque é muito difícil falar sobre quem é ou não competente.

Eu sei disso. Experiência é uma certa área, tenho muita. Vou tentar trazer isso para ajudar o grupo, que já mostrou estar com muita vontade e disponibilidade para trabalhar. Estão feridos, vamos poder transformar com o trabalho do dia a dia — complementou o holandês.

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O Timão neste momento ocupa a 16 ª posição, com 32 pontos, mesma pontuação do Inter, que abre o Z-4. — É uma situação complicada e complexa. Eu estou aqui porque acredito nos ingredientes que tenho. A estrutura é fantástica e um momento negativo pode virar em dois segundos.

Gostaria de convidar todo mundo para conviver com a gente aqui, mas não posso explicar quais ações vamos tomar. Sabemos da dificuldade, vivemos essa dificuldade como jogador. Como treinador sempre peguei momentos ruins dos times. Todas situações complicadas — avaliou o holandês.

— Precisam de ajuda para ajustar o lado emocional também. Os jogadores se importam com o que está acontecendo. Eu prefiro que o jogador exploda do que fique igual. Esse clube vai ter que mostrar em campo com ações. Eu não tenho dúvidas sobre os torcedores. Eu vivi isso contra o Corinthians, sei o que significa jogar contra o Corinthians e o ambiente que conseguem criar.

Um grupo que não ganha, são atletas que não entram em campo para perder. O Corinthians tem oito jogos até o término do Brasileirão: Vitória (casa), Vasco (fora), Mirassol (casa), São Paulo (fora), Botafogo (casa), Atlético-MG (fora), Grêmio (casa) e Remo (fora).

Ao ser questionado sobre o conhecimento sobre o futebol brasileiro da atualidade, o holandês valorizou o trabalho da comissão técnica. — Deixa eu contar um pouco como eu trabalho... Quando eu jogava, muitas vezes eu não sabia contra quem jogava no mesmo dia. A minha mentalidade era saber o que fazer com o meu time.

Como jogador era uma coisa, agora como treinador é diferente. Hoje em dia o treinador não precisa ver praticamente nada para saber sobre o adversário, tem muita gente boa para trabalha aqui. Vamos ter tempo para analisar o adversário, o futebol é um esporte universal.

Eu joguei em vários clubes do mundo e no final a bola é redonda e 11 jogadores contra 11. Joguei futebol 40 anos da minha vida, conheço futebol e não preciso de muito tempo para conhecer os jogadores que vamos enfrentar. Vamos respeitar todos. — Quero ressaltar a importância das pessoas que trabalham dentro do clube fazendo análises.

Os treinadores do mundo hoje não tem tempo de fazer tudo sozinho. Aqui eu já vi um time maravilhoso e competente. Estou pouco preocupado com essa parte. Vou me adaptar rápido com essas pessoas que estão motivadas em trabalhar — completou. Além do momento esportivo, o contexto político do Corinthians foi tema na entrevista coletiva de Seedorf.

No último domingo, Gabriel Paulista se emocionou e desabafou contra a diretoria alvinegra ao citar, depois da goleada sofrida no Dérbi, os atrasos salariais. O novo treinador do Timão, porém, não entrou no assunto com a justificativa de "olhar para frente". — Eu não estava aqui antes.

Então, aconteceu. Mas eu quero ver para frente. Para mim, tudo o que aconteceu até agora é importante, mas não tanto. É muito mais importante o que vai ter amanhã e o que vamos construir juntos. Não vamos falar sobre coisas que a gente não controla. Esse clube é maior do que todos nós.

Daqui a cem anos ainda terá torcedores. Temos que nos concentrar para deixar um legado, profissionalmente tudo que a gente pode para respeitar esse clube. Eu senti que é um leão ferido, os jogadores querem, mas as vezes não podem — afirmou Seedorf. — Sempre protegi os jogadores quando era jogador.

Sempre falei que tinham que se concentrar nas coisas principais, que era o campo. Eu não acho que preciso falar de proteção de diretoria. Tem momentos que acontecem também na vida de vocês, que alguém fala coisas que não pensa. Mais porque está ferido, triste e fala uma coisa.

Eu não quero dar importância porque acho que o ambiente interno é unido e vamos trabalhar para criar mais união ainda. Vários atletas que eu sei que deram declarações que normalmente não faria, temos que pensar o porquê. E nós sabemos o motivo. Um grupo não pode se sentir sozinho.

Não é a realidade. A realidade é que tem muita emoção. Seedorf como técnico O ex-jogador, que não atua como técnico há sete anos, terá cinco dias de trabalho antes de estrear contra o Vitória, na Neo Química Arena, na próxima segunda-feira, às 20 h (de Brasília), em jogo da 31 ª rodada do Campeonato Brasileiro.

— Quero conhecer o grupo para decidir qual a melhor maneira de jogar. Obviamente eu fiz só um treinamento e não vou explicar aqui como vou jogar. Mas eu tenho flexibilidade. Olhar cada jogador como eu acho que pode aportar o que a gente precisa — disse Seedorf.

Depois de se aposentar como jogador, o craque treinou o Milan, da Itália, o Shenzhen FC, da China, o Deportivo La Coruña, da Espanha, e a seleção de Camarões, que marcou o seu último trabalho como técnico, em julho de 2019. Seedorf tem 63 partidas na carreira como treinador, com mais derrotas (26) do que vitórias (20) e aproveitamento de 39, 15%.

— A pergunta é sempre sobre ler os números. Quando a gente faz testes físicos, ai saem vários dados. Mas se não sabe ler os dados você faz o planejamento errado. Se pensar quanto ganhou ou perdeu não é justo. Meu primeiro trabalho foi de ser jogador do Botafogo e na sequência fui técnico do Milan.

— O Milan estava nas últimas posições e eu fui terceiro na retomada do campeonato. De quarto último e sétimo lugar. Ninguém fala sobre isso? Isso significa que sou um grande treinador ou uma grande história? Não. Mas tem que ter boas oportunidades boas para mostrar quem você é como treinador.

Eu ainda não tive, sempre peguei coisas no meio. Muitos treinadores que fazem mal conseguem um trabalho dias depois. Não posso estar preocupado com o fato de ter assumido um time com a minha escolha. Sobre o longo período fora dos gramados, Seedorf agradeceu a confiança do Corinthians e afirmou que gosta de novos desafios.

— Já respondi bastante sobre esse assunto. Vocês tem que pensar se é justo ou não antes de ver o trabalho. Eu pergunto a vocês: é justo julgar alguém antes de fazer um trabalho? É justo ou não? O mundo é cheio de pré-julgamento. Eu não gosto de julgar pessoas que não conheço.

São sete anos sem ter um clube, mas isso não significa que eu não estava próximo do futebol. Para mim, o mais importante é o clube acreditar em mim. O clube e os profissionais abriram a porta para mim. Eu sei o que posso fazer, se não, não estaria aqui para ajudar a melhorar a situação.

Não estou com medo e não estou precisando estar aqui. Minha vida era muito boa, tinha tudo, mas eu gosto de desafios. É um desafio maravilhoso. O holandês já esteve no Brasil, ainda como jogador, defendendo o Botafogo nas temporadas 2012 e 2013, no fim da carreira, depois de uma trajetória de sucesso por Ajax, Real Madrid, Inter e Milan.

O ex-meio-campista tem quatro títulos de Liga dos Campeões da Europa por três clubes (Ajax, Real e Milan). + Leia mais notícias do Corinthians 🎧 Ouça o podcast ge Corinthians🎧 + Assista: tudo sobre o Corinthians na Globo, sportv e ge

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