A Polícia Civil de São Paulo afirmou, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (15/9), quequatro pessoas podem ser indiciadas por homicídio com dolo eventual pelo desabamento de um prédio em construção na Penha , zona leste da capital paulista, que resultou na morte de seis pessoas no último final de semana. 6 imagens Fechar modal. 1 de 6
Imagem de 2024 do prédio que desabou na Penha Reprodução/ Google Street View 2 de 6
Bombeiros resgataram 8 vítimas de desabamento, 2 delas com vida Divulgação/ Corpo de Bombeiros 3 de 6
Segundo a Defesa Civil, 3 imóveis próximos foram interditados e passarão por uma nova avaliação técnica neste domingo (16/8) Reprodução / Viva Abc 4 de 6
Herbert Chino, pai de 2 crianças que estavam em casa afetada por desabamento Leonardo Amaro/ Metrópoles 5 de 6
Documento assinado em 2024 afirmava que demolição havia sido concluída. Ricardo Nunes acionou a Controladoria para investigar o caso Leonardo Amaro / Metrópoles 6 de 6
Mais de 10 pessoas moravam na residência atingida pelo prédio Divulgação/ Corpo de Bombeiros
Três pessoas já tiveram mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça. Uma delas foi presa no domingo (13/9), e as outras duas continuam foragidas. O trio é sócio na construtora New Home, responsável pela obra.
Além deles, a servidora Viviane Rodrigues de Palma, que assinou o documento o qual atestava que o prédio havia sido demolido em 2024, também pode ser indiciada.
Viviane foi ouvida pela polícia nesta terça (15/9). Coordenadora de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Subprefeitura da Penha, ela foi afastada das atividades por 120 dias, após o desabamento do prédio.
A delegada Deidiene Fialho disse que as mortes foram resultado de uma série de eventos. Em 2019, a Prefeitura de São Paulo identificou que a obra avançava sem alvará. Naquele momento, segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o município autuou e interditou a obra . Mesmo com a medida, porém, os trabalhos continuaram.
A situação chegou à Justiça em 2021. Diante da continuidade da construção, a Procuradoria-Geral do Município ( PGM ) entrou com uma ação para tentar interromper os trabalhos.
Depois, a prefeitura condicionou a autorização para uma nova edificação à demolição da estrutura que já existia no terreno. A ideia era que, somente depois de derrubada a construção anterior, uma nova obra pudesse ser feita no local dentro dos parâmetros previstos na legislação.
“Iniciou-se uma construção de um prédio que a prefeitura constatou que tinha problema na fundação e que esse prédio ia cair. Foi lá e interditou essa obra. Conseguiram o alvará com aquela promessa, com aquela determinação de que a obra poderia ser feita, desde que fosse demolida. Então, demoliram essa obra. Em cima desse alicerce mal feito, eles continuaram o prédio. E essa funcionária foi até o local e atestou que o prédio tinha sido demolido, quando, na verdade, não foi”, disse a delegada.
À polícia, Viviane afirmou que visitou a obra, em 2024, para realizar uma vistoria sobre a autorização do alvará. De acordo com a servidora, a New Home deveria apresentar um projeto básico da obra ao solicitar o alvará junto à prefeitura e que, naquele projeto, constava uma edificação de 154 metros de altura.
“Ela tinha que constatar que essa edificação de 154 metros tinha sido demolida, e ela, ao verificar uma obra já com seis, sete andares, diferente dessa edificação que ela tinha no projeto, ela atestou ali que aquela edificação foi demolida, é o que ela declarou”, informou a delegada Deidiene Fialho, que acrescentou que as declarações da funcionária serão confrontadas com processos administrativos e judiciais. Apartamentos não entregues
Também na coletiva, a Polícia Civil de São Paulo afirmou ter sido procurada por mais de 10 vítimas de possíveis estelionatos praticados pelos donos da mesma construtora responsável pela obra que desabou na Penha.
“Eles exerciam a venda dos apartamentos e muitas pessoas deram valores iniciais de obra, pagaram financiamentos de obra, para que os seus imóveis pudessem ser entregues em dois anos, e até hoje não entregaram e não houve a devolução dos valores. Então, nós temos mais de 10 vítimas que já nos procuraram porque sofreram prejuízos patrimoniais e foram enganadas por Ronaldo e Cristiano [Vivacqua, donos da empresa]”, disse a delegada.
Segundo ela, já existem quatro inquéritos policiais abertos no 10 º Distrito Policial (Penha) para investigar eventuais crimes. Se comprovados, pai e filho poderão ser responsabilizados.
Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da New Home e pai de Cristiano Vivacqua, foi preso temporariamente no último domingo (13/9). Já Cristiano, responsável técnico pela obra, e Ísis Brandão, proprietária formal da empresa, seguem foragidos.
Na segunda (14/9), a Controladoria Geral do Município (CGM) de São Paulo determinou que todas as obras da New Home e da Hastiforme, outra construtora em nome de Cristiano, em andamento no município sejam embargadas . Os pedidos de alvarás que ainda estão em análise também serão suspensos. Polícia investiga se tragédia poderia ter sido evitada
A investigação criminal busca entender as circunstâncias que levaram ao desabamento e verificar se houve irregularidades na construção. Segundo a Polícia Civil, serão analisados documentos relacionados à empresa, além de alvarás, permissões e todo o conjunto de provas reunido durante o inquérito. Leia também São Paulo Servidora que atestou demolição de prédio antes de mortes é ouvida pela CGM São Paulo Desabamento em SP: corpos das 6 vítimas serão levados para a Bolívia São Paulo Construtora havia sido multada em R$ 119 mil por prédio que desabou em SP São Paulo Donos de construtora de prédio que desabou em SP serão presos, diz Nunes
A delegada Deidiene Fialho Costa Éboli, titular do 24 º DP e responsável pela investigação, afirmou que a polícia pretende esclarecer se o desabamento poderia ter sido evitado e identificar eventuais responsáveis. Desabamento de prédio Um prédio em construção desabou sobre uma casa na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo, por volta das 2 h desse sábado (12/9); Seis pessoas morreram, entre elas, uma mulher grávida. Outras duas pessoas, um homem de cerca de 30 anos e uma criança de 7 anos, foram resgatadas com vida e encaminhadas para atendimento médico; A construção já havia sido alvo de medidas da Prefeitura. Em 2019, o município autuou e interditou a obra por falta de alvará. Em 2021, a Prefeitura entrou na Justiça para impedir que a construção avançasse; A Polícia Civil investiga as circunstâncias do desabamento. Nunes afirmou que os responsáveis pela obra são pai e filho e que o filho também atuava como engenheiro responsável tecnicamente pela construção.

