Protestos na França têm confrontos e mais de mil presos

Protestos na França têm confrontos e mais de mil presos

Os protestos contra o custo de vida e a educação na França deixaram cerca de 1. 200 detidos e 150 policiais feridos neste sábado (17). Manifestantes incendiaram e invadiram prédios públicos, como as prefeituras de Limoges e Angers, além do escritório de turismo de Lyon. Atos contra a alta do custo de vida e por moradia também ocorreram em Portugal, Itália, Bélgica e Espanha neste sábado (17). O presidente Emmanuel Macron afirmou que quem depredou sedes do governo será punido. O primeiro-ministro defendeu a atuação das forças de segurança. As manifestações iniciaram em setembro com estudantes de escolas públicas. Atualmente, o órgão fiscalizador apura 24 denúncias de violência policial contra manifestantes. Os protestos contra o alto custo de vida e por melhores condições de ensino na França terminaram com cerca de 1. 200 pessoas detidas e 150 policiais e gendarmes feridos neste sábado (17). O balanço foi divulgado pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, na noite deste sábado. Segundo ele, é um milagre que o saldo não tenha sido mais grave. O governo francês estima que 550 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país. Os organizadores falam em 800 mil. Os atos reuniram estudantes, que organizam protestos há semanas, trabalhadores e integrantes do movimento dos “coletes amarelos”. Em Limoges, no centro da França, um incêndio atingiu a sede da prefeitura e derrubou parte do prédio, inaugurado em 1883. Segundo a imprensa francesa, um grupo de pessoas encapuzadas quebrou vidraças para entrar no edifício e colocou fogo no local, depois do fim da manifestação na cidade. No mesmo dia, manifestações contra o custo de vida e os preços da moradia ocorreram em outros países europeus, entre eles Portugal, Itália, Bélgica e Espanha. Mais cedo, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia informado 400 detidos e 60 policiais feridos, dois deles levados ao hospital inconscientes. Ele também relatou saques ou tentativas de saque em Paris, Rouen, Nantes, Toulouse e Marselha. LEIA MAIS Incêndio atinge prefeitura de Limoges e derruba telhado do prédio de 1883 Uma geração em protesto: 'gen Z' usa redes sociais para tomar as ruas ao redor do mundoPrédios públicos incendiados O incêndio em Limoges começou depois que um carro da polícia municipal foi incendiado em frente à prefeitura. O telhado desabou sobre os andares inferiores, com exceção da ala oeste, e cerca de dois terços das fachadas desapareceram, segundo o prefeito regional Maurice Barate. Em Lyon, o escritório de turismo foi incendiado. O prefeito Grégory Doucet classificou o episódio como uma tragédia para a cidade e disse à "BFMTV" que o prédio é histórico e emblemático. A polícia local informou que pessoas hostis impediram que os bombeiros combatessem o fogo em segurança. Em Angers, no oeste do país, manifestantes invadiram a prefeitura e a sede do governo regional de Maine-et-Loire, segundo informações repassadas à agência AFP pela própria administração regional. Um princípio de incêndio começou na sala de correspondência e foi apagado por um funcionário com um extintor. Confrontos em Paris até a noite Em Paris, a passeata principal transcorreu de forma majoritariamente pacífica durante a tarde, segundo a BBC. Ao longo do dia, no entanto, grupos atearam fogo em ruas e veículos, inclusive na praça da República. Houve confrontos com a tropa de choque até a noite. A polícia usou gás lacrimogêneo e jato d’água. Segundo a BBC, lojas foram saqueadas, ao menos um restaurante foi destruído pelo fogo, e policiais avançaram contra um grupo no centro da cidade, atingindo várias pessoas com cassetetes. Saques e confrontos em Toulouse Em Toulouse, o ato terminou com saques a lojas, lixeiras incendiadas e barricadas, segundo o jornal "Le Monde". A praça do Capitólio foi isolada após um princípio de incêndio. O protesto reuniu 32 mil pessoas segundo o governo regional e cerca de 80 mil segundo os sindicatos. A situação mudou por volta das 16 h 30 no horário local, quando as forças de segurança tentaram interromper a passeata. Quatro dirigentes sindicais ficaram feridas e precisaram ser retiradas do local. “Responsabilizamos diretamente o prefeito regional e seu chefe de gabinete, assim como o primeiro-ministro, pelas ordens dadas à polícia”, afirmou Cédric Caubère, secretário-geral da união departamental da CGT no Alto Garona, ao "Le Monde". Atos em outros países da Europa Manifestações contra a alta do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos ocorreram em vários países europeus neste sábado. Em Portugal, dezenas de milhares de pessoas marcharam pelo centro de Lisboa contra os preços da moradia e o encarecimento da vida, em ato convocado pela CGTP, a maior central sindical do país. Desde 2017, os preços dos imóveis mais que dobraram no país, e os aluguéis de novos contratos quase dobraram. Na Espanha, os protestos contra os preços dos aluguéis e a falta de moradia levaram o governo a convocar eleições antecipadas. Em outros países, os atos terminaram em confronto. Na Itália, a polícia usou gás lacrimogêneo depois de ser atacada com pedras na praça da catedral de Milão, durante um protesto contra o custo de vida. Lojas fecharam as portas, turistas deixaram a região central e a estação de metrô do Duomo foi fechada. Em Bolonha, os agentes recorreram a jato d’água e sete pessoas foram detidas. Na Bélgica, centenas de jovens protestaram em Bruxelas contra o aumento dos custos da educação e reformas que, segundo eles, podem dificultar o acesso ao ensino superior. A polícia usou gás lacrimogêneo e jato d’água, e um carro foi virado. Lecornu cobra posição da França Insubmissa Em visita a policiais mobilizados no centro de Paris, Lecornu disse que chegou o momento de escolher um lado, em declaração dirigida ao partido França Insubmissa, com quem tem trocado acusações desde o início da mobilização estudantil. Segundo ele, ou se está do lado da República e das forças de segurança, que protegem bens e pessoas e aplicam as leis, ou se está do lado dos depredadores. O primeiro-ministro afirmou que a situação chegou a um ponto sem retorno. O presidente Emmanuel Macron afirmou no X que não há espaço para a violência na França. Segundo ele, quem depredou e atacou sedes do governo regional e comércios e saqueou prefeituras será processado e punido. Como o movimento começou Os protestos começaram em setembro em escolas de ensino médio de bairros pobres da periferia norte de Paris. Inicialmente, os estudantes reivindicavam mais professores e melhorias na infraestrutura das escolas. Com o passar das semanas, a mobilização ganhou força e passou a incorporar críticas à desigualdade social, aos gastos públicos e à queda do poder de compra. A atuação das forças de segurança vem sendo questionada após uma série de manifestantes ficarem feridos. Entre os casos está o de um adolescente que perdeu uma das mãos depois de pegar uma granada de efeito moral. O órgão responsável por fiscalizar a atuação policial investiga pelo menos 24 denúncias de violência cometida por agentes. O movimento dos “coletes amarelos” surgiu em 2018, inicialmente em oposição ao aumento dos impostos sobre o diesel, e depois se transformou em uma onda de protestos contra o alto custo de vida e a desigualdade social.

Leia a matéria completa em g1.globo.com

Recomendadas

Geral

Operação El Niño: força-tarefa da Defesa Civil atua pela 1ª vez no estado

Geral

Planalto diz que Lula "jamais manteve interlocução" com Roberta Luchsinger

Finanças

Investigado desde julho, Lulinha nunca foi ouvido pela PF

Protestos na França têm confrontos e mais de mil presos | BlinkNews