O presidente do Flamengo , Eduardo Baptista , em entrevista aoMetrópoles , voltou a defender a atuação das casas de aposta no futebol brasileiro.O gestor da equipe carioca disse que o fim das bets no esporte poderia causar prejuízos bilionários em curto prazo. “Eu estimo que o ecossistema do futebol possa perder entre R$ 2, 5 e R$ 3 bilhões no ano que vem. E isso em um período tão curto, as empresas estão fazendo seus orçamentos agora”, iniciou. “Uma decisão como essa feita agora, faz com que a gente perca de alguma maneira esse dinheiro que já estava previsto para o ano que vem, como também pode atrapalhar uma logística para futuros patrocinadores. Então o impacto nos dois próximos anos seria completamente material para o Flamengo e para o futebol brasileiro”, completou. Ainda nesta quinta-feira, o Flamengo havia se posicionado novamente a respeito do assunto e detalhou, através de nota oficial publicada nas redes sociais.No comunicado, o time carioca afirmou que uma eventual mudança no marco regulatório representa uma questão de “segurança jurídica” e pode afetar diretamente o esporte brasileiro. O clube também avaliou que a possível proibição das bets“atinge em cheio o esporte brasileiro” . A manifestação ocorre diante da possibilidade de o governo federal adotar novas medidas para restringir o funcionamento das empresas de apostas no país. Leia também Esportes Flamengo reforça posicionamento contra fim das bets no futebol Fábia Oliveira Tiago Leifert reage ao “fim do futebol” com proibição de bets: “Acaba logo” Rodrigo França O futebol brasileiro não precisa das bets. As bets precisam do futebol São Paulo “Vou acabar com as bets”, diz Lula em meio a polêmica com times de futebol Leia a nota na íntegra: Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Flamengo (@flamengo) “O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor. Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório. Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la. Isso é uma questão de segurança jurídica. E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado. A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro. Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos. O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica. Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade. Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país. E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão. Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas. O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço. Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2. 291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal. Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas. Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026. O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar. E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade. O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população. Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas. O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.”
Proibição das bets pode causar prejuízo bilionário, avalia Bap, do Flamengo

