Presidente do Docas do PA contratou contador pessoal por R$ 2,3 milhões

Presidente do Docas do PA contratou contador pessoal por R$ 2,3 milhões

Ex-presidente da Companhia Docas do Pará (CDP) apontado como líder de esquema de desvio de recursos públicos, Jardel Rodrigues da Silva assinou, pela estatal federal, um contrato deR$ 2, 3 milhões com o contador que prestava serviço pessoal a empresas vinculadas a ele.

Segundo decisão da 4 ª Vara Federal Criminal do Pará,há indícios de que a contratação da Moura e Figueiredo Contabilidade Ltda possa ter sido realizada com finalidade de favorecimento pessoal .

A empresa e o dono, Maurício Moura Figueiredo, foram alvos da Operação Sonar, deflagrada pela Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e Ministério Público Federal (MPF) no dia 18 de setembro de 2026. A coluna de Mirelle Pinheiro, doMetrópoles , revelou as investigações .

A decisão citou indícios de possível sobreposição entre o objeto contratado e as atribuições já exercidas por empregados da própria CDP nas áreas financeira e contábil. Leia também Mirelle Pinheiro PF: preso com R$ 1 milhão em malas é “laranja” de chefe de Docas do PA Mirelle Pinheiro Malas com R$ 1 milhão: PF diz que presidente de Docas do PA lidera desvios

A contratação direta ocorreu por “inviabilidade de competição”, para prestação de serviços de assessoria e consultoria nas áreas tributária, fiscal, trabalhista, administrativa, orçamentária e contábil. O capital social da empresa de contabilidade era de R$ 104, 5 mil, enquanto o contrato com a empresa pública alcançou a cifra de R$ 2, 3 milhões.

Uma auditoria interna apontou irregularidades nos pagamentos, com antecedência de repasses sem desconto, ausência de equipe para fiscalização e pagamentos sem relatório de execução de serviço.

A Procuradoria da República no Pará, do Ministério Público Federal (MPF), disse que o escritório de Maurício Moura “recebia faturamento preferencial e ultra-veloz na estatal (antecipações médias de 20 dias), conferindo aparência de legalidade à engrenagem contábil da organização”.

De acordo com as investigações, Maurício Moura prestou serviços à holding de Jardel, a JSX Participações. O escritório de contabilidade e a JSX, inclusive, funcionariam no mesmo edifício e compartilhariam mesmo e-mail e telefone.

O investigado é apontado como contador de três empresas vinculadas a Jonas Eros de Almeida da Silva, cunhado de Jardel que é indicado pela PF como “testa de ferro” do então presidente da CDP.Jonas foi preso com R$ 1, 2 milhão escondidos em duas malas.

Maurício Moura também foi contratado pela Associação dos Municípios do Araguaia, Tocantins e Carajás (AMATCARAJAS), que esteve sob direção de Jardel entre 2020 e 2023.

Além de autorizar busca e apreensão, a 4 ª Vara Federal Criminal do Pará determinou a suspensão do Contrato nº 17/2024 com a Moura e Figueiredo Contabilidade Ltda. Investigação

Segundo a investigação da Polícia Federal, a organização criminosa teria se instalado na cúpula da empresa pública federal a partir de 31 de julho de 2023, quando Jardel assumiu a presidência da estatal.

Jardel é suspeito de centralizar etapas dos pagamentos e coordenar a exigência de valores em dinheiro vivo para a liberação de faturas de empresas que já haviam prestado serviços à companhia.

O grupo que seria liderado por Jardel deixava de pagar faturas de empresas contratadas para pressioná-las a repassar de 20% a 30% do valor em propina, de acordo com a PF.

Em nota, o advogado Clodomir Araújo Júnior, que representa a defesa de Eros, informou à coluna que o investigado nega veementemente todas as imputações. “De fato, é cunhado do senhor Jardel Silva. No entanto, não é e tampouco nunca foi seu testa de ferro.”

A reportagem tenta contato com os demais citados. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

Leia a matéria completa em metropoles.com

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